A polícia de Honduras prendeu, nesta terça-feira (12), um ex-prefeito acusado de ser o mandante do assassinato, em 2024, do ambientalista Juan López, informou a instituição. López, morto a tiros em 14 de setembro daquele ano ao sair de uma igreja na localidade de Tocoa, se opunha à exploração de uma mina de óxido de ferro em uma reserva natural no nordeste do país.
Adán Fúnez, prefeito de Tocoa na época do crime, e outro homem foram presos, apontados como os “autores intelectuais” do crime, condenado pela ONU e pelo papa Francisco.
Dias antes do ataque, López, que tinha 46 anos, havia pedido publicamente que Fúnez renunciasse após a divulgação de um vídeo de 2013 no qual o funcionário aparecia negociando supostos subornos com narcotraficantes.
Fúnez, de 76 anos, “teria financiado a execução” do homicídio, enquanto Héctor Méndez supostamente atuou como “intermediário entre o prefeito e os pistoleiros”, informou a polícia em um comunicado. As autoridades procuram um terceiro homem suspeito de coordenar a “logística” do ataque, enquanto outros três respondem a processo como autores materiais.
Fúnez pertence ao partido esquerdista Libre, que governava Honduras quando o também vereador e líder comunitário foi assassinado. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos havia concedido medidas cautelares a López em 2023.
No vídeo que mostra o ex-prefeito reunido com os supostos narcotraficantes, apareciam outros dirigentes do Libre, entre eles o deputado Carlos Zelaya, irmão do ex-presidente Manuel Zelaya (2006-2009).
Xiomara Castro, esposa do ex-presidente, governava na época do crime e expressou seu “repúdio” então. Fúnez, por sua vez, negou qualquer envolvimento no crime, enquanto o legislador renunciou ao seu mandato.
Em uma entrevista à AFP em 2021, López falou sobre os riscos enfrentados pelos ambientalistas em Honduras.
— Quando uma pessoa se dedica a defender os bens comuns neste país (…), entra em choque com os grandes interesses — disse.
Seu caso se somou ao da reconhecida ambientalista hondurenha Berta Cáceres, assassinada em 2016 em um dos países mais letais para ativistas ambientais, segundo a ONG Global Witness.

