O candidato do PL ao Governo do Rio, Douglas Ruas, colocou a segurança pública no centro de seu projeto para o estado e defendeu uma mudança na estratégia de enfrentamento ao crime organizado durante a Sabatina Manchete – Eleições 2026, nesta quarta-feira (16). Entrevistado no Show do Raphael de França, da Rádio Manchete, Ruas afirmou que pretende substituir a política que, segundo ele, passou a “administrar” territórios dominados por facções por uma atuação voltada à retomada permanente dessas áreas.
Ao longo da entrevista, o candidato também reforçou sua ligação com Jair e Flávio Bolsonaro. Ruas afirmou que foi convidado pelo ex-presidente para disputar o Palácio Guanabara e disse que pretende atuar em parceria com Flávio caso ambos sejam eleitos. Ao mesmo tempo, declarou ter “identidade própria” e procurou marcar diferenças em relação à gestão do ex-governador Cláudio Castro, da qual participou como secretário estadual das Cidades.
Retomada de territórios e mudança nas metas da segurança
Policial civil, Ruas afirmou que pretende alterar o sistema de avaliação de desempenho das forças de segurança, mantido, segundo ele, com as mesmas diretrizes desde 2009. O candidato propõe criar um indicador de retomada de territórios que considere, entre outros critérios, a liberdade econômica dos moradores, o direito de ir e vir e a retirada de barricadas.
O novo indicador também seria utilizado para definir gratificações e bônus pagos aos policiais. Ruas criticou o modelo atual e afirmou que ele acaba desestimulando o enfrentamento ao crime organizado.
“Hoje nós estamos tratando apenas os sintomas. O estado do Rio de Janeiro, nos últimos anos, resolveu administrar o domínio territorial exercido pelo crime. A minha proposta é completamente diferente. Eu não quero administrar isso, eu quero desmontar o domínio do crime nesses territórios”, afirmou.
Segundo o candidato, a estratégia não seria baseada apenas em operações policiais pontuais. Ruas defendeu que, depois de entrar em áreas dominadas por grupos criminosos, o poder público permaneça nesses locais.
“Não é uma operação de entrar num dia e sair no outro”, disse.
O candidato argumentou que a presença permanente precisa envolver não apenas as forças de segurança, mas também educação, saúde e serviços municipais. Para Ruas, comunidades atualmente controladas por grupos criminosos devem receber os mesmos serviços públicos oferecidos em outras regiões do estado.
“Escudo Fluminense” contra entrada de armas e drogas
Outra proposta apresentada foi o chamado “Escudo Fluminense”, voltado à interceptação de armas e drogas antes que cheguem aos bairros e comunidades.
Ruas afirmou que pretende utilizar câmeras, inteligência artificial, drones e scanners para reforçar o controle das rotas utilizadas pelo crime organizado. O candidato defendeu ainda uma parceria com o governo federal e participação das Forças Armadas, especialmente no controle da costa e da Baía de Guanabara.
“Vamos utilizar tecnologia com câmeras, inteligência artificial, drones e também scanners para a gente interceptar essas armas e drogas antes que elas cheguem às nossas comunidades e aos nossos bairros”, explicou.
Ruas também propôs a criação de um gabinete permanente reunindo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Federal e Forças Armadas para coordenar as ações contra o crime organizado.
Candidato reforça ligação com Bolsonaro
Questionado se pretende nacionalizar a campanha e se considera o candidato do bolsonarismo no Rio, Ruas respondeu que possui identidade própria, mas confirmou que sua candidatura nasceu de um convite de Jair Bolsonaro.
“De fato, quem me convidou para ser candidato a governador do estado do Rio de Janeiro foi o presidente Bolsonaro. Quem me transmitiu esse convite foi o próximo presidente da República, Flávio Bolsonaro, em janeiro desse ano”, declarou.
A ligação com o grupo político de Bolsonaro apareceu diversas vezes durante a sabatina. Ao abordar segurança pública, Ruas afirmou que pretende atuar em parceria com Flávio Bolsonaro no enfrentamento ao crime organizado caso ambos sejam eleitos.
“Eu tenho certeza que o Flávio Bolsonaro estará ao meu lado em janeiro e juntos nós vamos declarar guerra ao crime organizado para proteger as famílias do estado do Rio de Janeiro e do Brasil”, afirmou.
No encerramento da entrevista, o candidato voltou a apresentar as duas candidaturas de forma associada.
“Dia 4 de outubro, nós vamos decidir o futuro do estado do Rio de Janeiro e o futuro do Brasil. Peço a todos a coragem para nos livrarmos do passado, dar um basta nessa velha política e acreditar num caminho novo para o Rio de Janeiro e para o Brasil. E esse caminho novo é Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro 22”, declarou.
Ruas procura se diferenciar da gestão Cláudio Castro
A relação com o ex-governador Cláudio Castro também entrou na sabatina. Ruas foi secretário estadual das Cidades e integra o mesmo partido do ex-governador, mas rejeitou a ideia de que sua candidatura represente uma continuidade da administração anterior.
Ao responder o que manteria e o que não repetiria do governo Castro, Ruas destacou sua própria passagem pela Secretaria das Cidades. Segundo ele, durante os dois anos e meio em que esteve à frente da pasta, 73 municípios receberam investimentos em infraestrutura e urbanização.
Em seguida, porém, afirmou que pretende promover mudanças não apenas em relação à administração Castro, mas também às gestões anteriores.
“A minha candidatura para governador, eu tenho uma identidade própria, tenho as minhas próprias propostas e estou propondo muitas alterações, não só à política do ex-governador, mas de todos os outros que me antecederam”, afirmou.
Uma das principais rupturas defendidas por Ruas aparece justamente na segurança. O candidato afirmou que os governos anteriores mantiveram durante anos um modelo que, em sua avaliação, não entregou os resultados esperados e permitiu que o Estado passasse a conviver com o domínio territorial de organizações criminosas.
Ruas também prometeu uma mudança na utilização de recursos públicos. Disse que, se eleito, não haverá camarote bancado pelo governo na Sapucaí para autoridades e defendeu que deputados, secretários e ministros interessados em acompanhar o carnaval comprem seus próprios ingressos.
“O dinheiro do contribuinte tem que ser revertido em serviço público de qualidade. É para isso que eu vou trabalhar. Então nós estamos propondo uma verdadeira mudança na maneira de governar”, afirmou.

Desburocratização e escritórios regionais
Na área econômica, Ruas propôs criar escritórios de desenvolvimento em cada região do estado. A ideia é reunir em um único espaço órgãos envolvidos no licenciamento de empresas e empreendimentos.
O serviço, batizado pelo candidato de “Investe Aqui”, teria representantes de diferentes órgãos estaduais e também espaço para participação dos municípios. Os escritórios teriam autonomia para realizar licenciamentos sem obrigar investidores do interior a se deslocarem até a capital.
“A ideia é desburocratizar e dar celeridade na abertura de novos negócios”, afirmou Ruas, que relacionou a medida à geração de emprego e renda.
O candidato também fez críticas à atuação das concessionárias de serviços públicos. Segundo Ruas, se eleito, pretende levar diretamente para o gabinete do governador o acompanhamento da prestação dos serviços de água e energia.
Ele afirmou que poderá até rescindir contratos caso considere necessário para garantir a qualidade do atendimento.
“Eu não vou ficar à mercê das agências reguladoras, porque elas não estão conseguindo cumprir a sua missão”, disse.
Rio Real
Ao falar sobre o que chama de “Rio Real”, Ruas afirmou que pretende direcionar a atuação do governo para regiões que, na avaliação dele, recebem menos atenção do poder público, citando Zona Norte, Zona Oeste, Baixada Fluminense, São Gonçalo e o interior. O candidato contrapôs essa realidade à encontrada em áreas da Zona Sul e disse que o estado precisa enfrentar as desigualdades na oferta de serviços.
“Eu quero um Estado que possa, de uma vez por todas, encarar essas desigualdades e entender que nós somos um só povo. E que todos têm que ter direito aos mesmos serviços públicos”, afirmou. Ruas acrescentou que essa presença deve ser permanente também nos territórios dominados pelo crime organizado e não se restringir à segurança, reunindo policiamento ostensivo, educação, saúde e ações em parceria com os municípios.
Linha 3 depende de projeto e parceria com a União
Questionado sobre a Linha 3 do metrô, entre Niterói e São Gonçalo, Ruas evitou prometer a execução imediata da obra. Segundo ele, o primeiro passo será acompanhar a elaboração do projeto pela UFRJ, que, de acordo com o candidato, tem previsão de conclusão em dezembro de 2027.
Depois dessa etapa, Ruas afirmou que pretende buscar uma parceria com o governo federal para viabilizar o empreendimento, argumentando que o estado não teria capacidade de financiar sozinho uma obra desse porte.
Saúde e educação entre as metas para quatro anos
Na parte final da sabatina, Ruas também apresentou propostas para saúde e educação. Na educação, defendeu a oferta de qualificação profissional a partir do primeiro ano do ensino médio, com o objetivo de permitir que os estudantes concluam a escola com formação profissional.
Na saúde, prometeu criar centros integrados em diferentes regiões do estado, reunindo consultas com especialistas, exames de imagem e pequenas cirurgias. Também propôs estabelecer prazos para os procedimentos na rede pública. Caso o estado não consiga realizar o atendimento dentro do período definido, a proposta prevê a contratação do serviço na rede privada.
Ao projetar como gostaria de encerrar um eventual mandato, Ruas voltou à segurança pública como principal marca desejada.
“Quero ter a oportunidade de estar aqui com você mais uma vez e falar de tudo aquilo que a gente fez, de que conseguimos devolver as ruas do Rio para o nosso povo, enfrentamos o crime organizado e protegemos as famílias”, afirmou.
