Uma nova nomeação no Instituto Rio Metrópole (IRM) acende o alerta para a falta de transparência nas autarquias do estado do Rio. A decisão, assinada pelo presidente Davi Perini Vermelho, mais conhecido como Didê, e publicada nesta segunda-feira (15), oficializou a escolha do advogado Almir Jorge Sperandio Perez como o novo procurador-chefe da instituição. No entanto, o que deveria ser um procedimento administrativo comum acaba de ser marcado pela falta de informações sobre como a escolha foi feita.
O ato formal fundamenta a escolha do advogado, que foi candidato a vereador em Nilópolis nas eleições de 2024, a procurador-chefe do Instituto Rio Metrópole. O cidadão que tentar exercer seu direito constitucional de fiscalizar a administração pública, porém, encontrará as portas fechadas: uma consulta ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI-RJ) revela que o processo mencionado encontra-se classificado como de “Acesso Restrito”.
‘Transparência zero’ vira rotina no Rio Metrópole
A justificativa exibida na tela do sistema impede qualquer visualização de seu conteúdo, inviabilizando o controle social imediato e a publicidade plena dos atos governamentais, resultando em uma situação de “transparência zero” que já virou rotina no Instituto Rio Metrópole.
Do Judiciário à política da Baixada Fluminense
Escolhido para comandar a representação judicial e a consultoria jurídica do IRM, Almir Jorge, de 64 anos, carrega um forte histórico político e eleitoral no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense.
Advogado de formação, ele possui trânsito ativo na política local:
- Eleições 2024: Disputou as eleições como candidato a vereador em Nilópolis pelo partido Progressistas (PP), integrando a coligação governista local. Na ocasião, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 810.000,00;
- Novembro de 2025: Foi nomeado pelo prefeito de Nilópolis para exercer o cargo em comissão de subsecretário junto à Secretaria Municipal de Serviços Públicos;
- Junho de 2026: Assume, agora, o posto estratégico de procurador-chefe do IRM, com efeitos retroativos a contar de 08 de junho de 2026.
A sombra do sigilo
A indicação de figuras com forte histórico político para postos técnicos e jurídicos de alta relevância, como a Procuradoria-Chefe do IRM, ganha contornos críticos quando somada ao “apagão” de dados. O processo do SEI que gerou a portaria de Almir Jorge aponta uma tramitação iniciada em 9 0de junho de 2026, classificada timidamente como “Administrativo: Elaboração de Ofício de Mero Expediente”, mas cujo real teor segue trancado a sete chaves.
O abuso na classificação de restrição de processos administrativos fere a Lei de Acesso à Informação (LAI). No Instituto Rio Metrópole, a falta de clareza parece ter deixado de ser uma exceção para se consolidar como regra operacional, deixando a sociedade às escuras quanto aos critérios que norteiam suas principais decisões.
POR FABIO MARTINS.

Com informações da fonte
https://temporealrj.com/procurador-chefe-instituto-rio-metropole/

