Muda o governo, trocam-se os executivos, mas a falta de transparência permanece enraizada na Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Mesmo após a mudança no comando do Palácio Guanabara, com a saída de Cláudio Castro (PL) e a posse do governador em exercício Ricardo Couto, e a substituição na presidência da estatal — onde o advogado Aguinaldo Ballon deu lugar ao procurador do estado Rafael Rolim —, a postura da empresa diante da prestação de contas à sociedade continua inalterada.
A história de opacidade não é nova. Em reportagem publicada em 19 de abril de 2025, a Cedae já mantinha o hábito de esconder informações sobre gastos públicos. Na ocasião, a companhia silenciou diante de questionamentos sobre uma missão oficial a Pequim liderada por Ballon, omitindo a lista de integrantes da comitiva, o roteiro e os custos de passagens e diárias.
Agora, na nova gestão, o padrão de apagão informacional se repete. O portal TEMPO REAL protocolou formalmente, em junho, na ouvidoria da Cedae duas solicitações, via Lei de Acesso à Informação (LAI), mas não obteve qualquer resposta substancial dentro dos prazos legais:
• LAI nº 20260622161733 (Patrocínios): Enviada em 22 de junho de 2026, com questionamentos sobre a liberação de verbas publicitárias e patrocínios no momento em qiue o governo estadual alega grave crise fiscal para suspender contratos e grandes eventos. O pedido requisita as cópias dos processos administrativos, a discriminação de todos os repasses autorizados na nova gestão de Rafael Rolim e os critérios técnicos adotados.
• LAI nº 20260626694085 (Viagens e Comitivas): Protocolada em 26 de junho de 2026, a solicitação requer o levantamento detalhado das viagens internacionais realizadas pela presidência, diretoria executiva e assessores nos últimos três anos. O documento cobra notas fiscais de passagens (com indicação da classe tarifária), diárias, relatórios de prestação de contas, justificativas para comitivas infladas e contratos com agências de turismo.
O silêncio da Cedae ocorre em um momento crítico
A estatal é alvo de uma devassa liderada pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e pela Casa Civil, sob determinação do governador em exercício Ricardo Couto. A auditoria tem superpoderes para vasculhar contratos, fluxo financeiro, segurança e gestão de riscos da empresa nos próximos 180 dias.
Os próximos passos
Diante do descumprimento da legislação federal (Lei nº 12.527/2011), o portal TEMPO REAL formalizará, nos próximos dias, uma representação no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por descumprimento da Lei de Transparência e eventual ato de improbidade administrativa por parte da Cedae.
Além disso, a equipe de reportagem notificará oficialmente a comissão de auditoria do GSI/Casa Civil sobre a recusa da estatal em fornecer os dados exigidos por lei.
COM FÁBIO MARTINS
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/cedae-falta-transparencia-permanece/
