Ciência sai dos laboratórios e entra nas escolas públicas de Manguinhos e da Maré

Tempo de leitura: 7 min


O que uma abelha sem ferrão, um personagem de anime e a comida que chega ao nosso prato têm em comum? Pode parecer que não existe nenhuma relação entre eles, mas a ciência está presente em todos. E é justamente essa descoberta que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) quer proporcionar a cerca de 700 estudantes de escolas públicas de Manguinhos e da Maré, na Zona Norte do Rio.

A iniciativa faz parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) 2026, que, desta vez, resolveu inverter o caminho tradicional: em vez de esperar que os estudantes visitem a universidade, são os pesquisadores, professores e universitários que vão até as escolas.

A programação começou nesta terça-feira (3), no Colégio Estadual Professor Clóvis Monteiro, em Manguinhos, com atividades voltadas para aproximadamente 400 alunos do ensino médio. Na sexta-feira (6), será a vez de cerca de 300 estudantes do ensino fundamental participarem das oficinas no GET IV Centenário, no Morro do Timbau, na Maré.

E nada de imaginar a ciência apenas como fórmulas complicadas, jalecos brancos e equipamentos de laboratório. A proposta é mostrar que ela também está nas coisas mais simples do cotidiano.

Abelhas pequenas, importância gigante

Você sabia que existem abelhas que não têm ferrão funcional para picar as pessoas? E que elas desempenham um papel fundamental na natureza?

Na oficina “Amigas para termos por perto: as abelhas sem ferrão!”, os estudantes conhecem o funcionamento das colmeias e descobrem por que esses pequenos insetos são tão importantes para o equilíbrio ambiental.

Por meio de experiências com cores, aromas e sabores, os participantes aprendem como as abelhas utilizam substâncias retiradas das plantas para produzir mel e própolis.

Mas a história não termina aí. Ao visitar as flores em busca de alimento, as abelhas transportam pólen de uma flor para outra, ajudando na reprodução das plantas. Esse processo, chamado de polinização, é essencial para a produção de muitos alimentos que consumimos.

Ou seja, aquela fruta que aparece na feira ou na mesa de casa pode ter uma pequena trabalhadora alada por trás de sua existência.

E quem disse que anime não combina com ciência?

Para quem gosta de animações japonesas, personagens poderosos e histórias futuristas, a ciência também reservou um espaço especial.

A oficina “Anime com Ciência: Cultura, Tecnologia e Inovação” utiliza personagens de animação e heroínas da ficção científica para apresentar conceitos relacionados à saúde, à biodiversidade, aos medicamentos e às novas tecnologias.

A ideia é aproveitar a curiosidade despertada pela cultura pop para mostrar como muitas invenções que parecem existir apenas na ficção têm alguma relação com pesquisas científicas reais.

Afinal, quantas tecnologias que hoje fazem parte da nossa rotina já pareceram impossíveis no passado?

Nossa comida também conta histórias

Outra atividade promete fazer os estudantes olharem para o prato de uma maneira diferente.

Na oficina “O Mapa que a Comida Conta: Território, Memória e Agroecologia”, a pergunta é simples: você sabe de onde vem o que come?

A partir de mapas, lembranças familiares e experiências de plantio, os alunos são convidados a investigar os caminhos percorridos pelos alimentos até chegarem à mesa.

A atividade também apresenta a agroecologia, uma forma de pensar a produção de alimentos considerando o cuidado com a natureza, as pessoas e os conhecimentos das comunidades.

É uma oportunidade para perceber que alimentação não envolve apenas nutrição. Também tem a ver com cultura, memória, meio ambiente e com a história dos lugares onde vivemos.

Ciência também é coisa de menina. E sempre foi!

Com o tema “Ciência Delas”, a edição de 2026 coloca em destaque a contribuição das mulheres para o desenvolvimento científico.

Durante as atividades, os estudantes conhecem trajetórias de pesquisadoras que ajudaram a transformar o conhecimento em diferentes áreas.

A proposta também é combater uma ideia que, durante muito tempo, afastou meninas das carreiras científicas: a de que determinadas profissões ou campos de pesquisa seriam predominantemente masculinos.

Ao apresentar mulheres como protagonistas de descobertas e inovações, a universidade busca ampliar as referências das estudantes e mostrar que elas também podem ocupar laboratórios, desenvolver tecnologias, liderar pesquisas e participar das grandes descobertas do futuro.

Quando a universidade atravessa seus próprios muros

A edição Territórios dá continuidade à programação realizada pela UFRJ entre os dias 21 e 23 de outubro, na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, e no campus Duque de Caxias.

Agora, a ciência chega diretamente a escolas de comunidades cariocas, aproximando o conhecimento produzido na universidade da realidade de crianças e adolescentes.

Mais do que apresentar experiências científicas, a iniciativa procura despertar perguntas, estimular a curiosidade e ampliar horizontes.

Porque, antes de qualquer grande descoberta, existe algo muito simples: alguém que teve curiosidade suficiente para perguntar por quê.

E quem sabe, entre os 700 estudantes que participam dessas atividades, não esteja uma futura pesquisadora capaz de fazer uma descoberta que vai mudar a vida de muita gente?

Afinal, a ciência começa com uma pergunta. E uma oportunidade pode ser o primeiro passo para encontrar a resposta.

Serviço | Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2026 – Edição Territórios

Manguinhos – atividade realizada em 3 de novembro

– Local: Colégio Estadual Professor Clóvis Monteiro
– Endereço: Rua César Marquês, 10, Higienópolis/Manguinhos
– Horário: 9h às 14h
– Público estimado: 400 estudantes do ensino médio

Maré – sexta-feira, 6 de novembro

– Local: GET IV Centenário
– Endereço: Rua Nova Jerusalém, 495, Morro do Timbau, Maré
– Horário: 8h às 14h
– Público estimado: 300 estudantes do ensino fundamental I e II

Cláudia Rosa é jornalista e mestranda em Administração do PPGAD da Universidade Federal Fluminense



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/ciencia-sai-dos-laboratorios-e-entra-nas-escolas-publicas-de-manguinhos-e-da-mare/

Compartilhe este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *