Mais de 50 milhões de pessoas nas capitais brasileiras estão envolvidas com apostas esportivas e jogos de azar on-line, as chamadas bets. O número é 10,5 milhões maior que o registrado em 2025. Os dados são de uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.
O gasto médio mensal com apostas chegou a R$ 213 e sobe para R$ 314 entre consumidores das classes A e B. Cerca de 23% dos apostadores afirmam que o dinheiro destinado aos jogos já comprometeu a renda ou o bem-estar financeiro.
O impacto também aparece no orçamento. Segundo a pesquisa, 43% dos apostadores já deixaram de comprar produtos e serviços para conseguir dinheiro para jogar. Entre os gastos cortados estão internet, contas de água, luz e telefone, passeios em família, roupas e alimentação fora de casa.
A inadimplência também chama atenção. Cerca de 25% afirmam já ter deixado de pagar alguma conta para apostar. Outros 24% disseram que tiveram o nome negativado por causa dos jogos, e 11% ainda estão com o nome sujo.
Para conseguir dinheiro, 28% disseram ter recorrido ou considerado medidas como pedir empréstimos, vender bens sem autorização ou usar cartões de terceiros.
A pesquisa mostra ainda que 37% já tentaram parar ou reduzir as apostas, mas não conseguiram. Ao todo, 62% apostam diariamente ou semanalmente, enquanto o Pix é usado por 78% dos entrevistados.
Impacto entre adolescentes
Entre os entrevistados com filhos de 12 a 18 anos, 10% disseram que os jovens estão envolvidos com bets. Desse grupo, 70% perceberam prejuízos, como sinais de dependência, endividamento e uso de dinheiro da família sem autorização.
Apesar dos problemas, 69% dos apostadores que enfrentam dificuldades não procuram nenhum tipo de apoio.
O presidente da CNDL, José César da Costa, afirmou que o crescimento das apostas on-line já provoca impactos financeiros e sociais e defendeu medidas de prevenção, orientação e apoio.
Metodologia
A pesquisa, encomendada pelo SPC Brasil em parceria com a Offerwise, ouviu 939 pessoas com 18 anos ou mais que fizeram compras pela internet nos 12 meses anteriores. As entrevistas foram realizadas entre 25 de maio e 4 de junho. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
