Já era certo que uma Copa do Mundo com 48 seleções promoveria mudanças históricas em recordes. Mais participantes, mais jogos, mais gols, mais cidades envolvidas e um caminho mais longo até o título. Para os torcedores, no entanto, viver a experiências foi ainda melhor do que esperar que ela se concretizasse.
Que Lionel Messi, da Argentina, superaria o alemão Miroslav Klose na artilharia das Copas, era algo esperado. Faltavam apenas quatro gols para o argentino chegar aos 17, em Mundiais. O que não se contava era que outros goleadores entrariam na disputa, tornando cada jogo uma nova chance de liderar a estatística. Ao fim, Kylian Mbappé, da França, conseguiu ter ao menos um feito marcado no Mundial em que sua seleção terminou em quarto, e ficou com o primeiro lugar, com 22 gols totais (dez nesta edição).
Embora não tenha atingido o recorde de gols em uma só Copa, do compatriota Just Fontaine (13), ele conseguiu também se tornar o maior artilheiro em mata-mata com 14 (antes eram oito) e representou bem a grande quantidade de chances aproveitadas no torneio. Além dos números absolutos de 308 gols nesta edição contra os 172, de 2022, o torneio ainda contou com uma média maior: foram 2,96 contra 2,69. Inglaterra 6 a 4 França, na disputa de terceiro lugar foi o duelo de destaque no quesito. Ainda assim, não superou o maior placar das Copas: Áustria 7 x 5 Suíça, em 1954.
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Mesmo assim, essa marca foi vantajosa para os torcedores que puderam ver sete goleadas no torneio. Mas, além da diferença técnica entre seleções, também aconteceram viradas que davam a emoção esperada de um Mundial. A Copa terminou com 15 partidas em que a vencedora saiu atrás no placar. O recorde anterior pertencia à edição de 2002, disputada na Coreia do Sul e Japão, que teve nove viradas ao longo da competição.
Recordes quebrados na Copa de 2026
| Marca | Antes da Copa de 2026 | Depois da Copa de 2026 |
| Seleções participantes | 32 | 48 |
| Partidas numa edição | 64 | 104 |
| Média de gols por jogo | 2,69, em 2022 | 2,96 |
| Maior artilheiro das Copas | Klose, 16 gols | Mbappé, 22 |
| Gols em mata-matas | Leônidas, Ronaldo e Mbappé, 8 | Mbappé, 14 |
| Jogos disputados | Matthäus, 25 | Messi, 34 |
| Vitórias de um jogador | Klose, 17 | Messi, 23 |
| Jogos seguidos marcando | Fontaine e Jairzinho, seis | Messi, nove |
| Hat-trick mais velho | Cristiano Ronaldo, aos 33 anos | Messi, aos 38 |
| Assistências numa edição | Pelé, seis em 1970 | Olise, sete |
| Passes completos numa edição | Rodri, 638 em 2022 | Rodri, 790 |
| Jogos sem sofrer gols | Sete goleiros empatados com cinco | Unai Simón, sete |
| Maior período sem sofrer gol | Zenga, 517 minutos | Unai Simón, cerca de 650 |
| Menos gols sofridos por uma campeã | Dois | Espanha, um |
| Técnico mais velho numa Copa | Rehhagel, 71 anos | Advocaat, 78 |
| Técnico mais velho campeão | Del Bosque, 59 anos | De la Fuente, 65 |
| Menor país numa Copa | Islândia, cerca de 350 mil habitantes | Curaçao, pouco mais de 150 mil |
| Gols na disputa do 3º lugar | Nove, em 1958 | Dez: Inglaterra 6 x 4 França |
| Campeão masculino e feminino simultaneamente | Nenhum país | Espanha |
| Gols numa edição | 172, em 2022 | 308 |
| Público total | 3.587.538, em 1994 | 6.810.966 |
| Copas diferentes com gol | Cristiano Ronaldo e Messi, cinco | Cristiano Ronaldo, seis |
O que diminuiu foi o público para torcer. Embora o total de torcedores nos estádios quase dobrou, passando de 3.587.538, em 1994, para 6.810.966, em 2026, a média por jogo caiu: aproximadamente 68.991 no passado contra 65.490 em 2026. Com isso, 2026 tem o recorde absoluto de público; 1994 continua superior proporcionalmente.
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Em sua muito provável despedida das Copas, Messi ficou com o vice-campeonato, mas sua longevidade o fez colocar seu nome em diversas das marcas. Seja como líder em assistências gerais (12), jogos disputados (39), sequência de gols em duelos (nove) e o mais velho a marcar um hat-trick, feito esse que o fez superar o antigo rival Cristano Ronaldo (38 contra 33). O portugês também aproveitou sua longa carreira para se tornar o primeiro atleta a marcar em seis Copas diferentes.
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Com muitos dos recordes batidos, Pelé ainda manteve algumas marcas pela precocidade de seu talento. O ídolo brasileiro segue sendo o mais jovem a se tornar campeão do Mundial e a marcar em um torneio. Além disso, é o único tricampeão.
Equilíbrio de uma campeã
De um lado, os grandes astros dessa edição conseguiram aproveitar bastante a oportunidade de assumirem recordes. Do outro, o coletivo espanhol deixou clara sua capacidade de assegurar vitórias. Apesar de ter o artilheiro apenas com cinco gols (Oyarzabal), a equipe de Luis De La Fuente apresentou como o diferencial uma defesa quase impenetrável, sofrendo apenas um gol em todo o torneio (na vitória sobre a Bélgica, por 2 a 1, nas quartas de final). A seleção superou a própria campanha, no título de 2010, assim como a Itália (2006) e França (1998), que se igualavam com dois gols sofridos.
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Protegido por essa muralha erguida em sua frente, quem se aproveitou do sistema foi o goleiro Unai Simon, que bateu o recorde de mais tempo (650 minutos) e mais jogos (sete) sem sofrer gols. Simon realizou apenas dez defesas no torneio. Somente na final, o argentino Dibu Martínez precisou trabalhar 11 vezes.
Assim como a defesa ajudou a potencializar as valências do goleiro, também o meio de campo trabalhou para compor esse sistema tão sólido. Mesmo saindo do banco, o meia Mikel Merino foi o nome do mata-mata, conduzindo a equipe às vitórias com gols primordiais nas oitavas e quartas de final.
Já o volante Rodri foi a representação máxima. O jogador já era o dono do maior número de passes desde a última edição (638) e chegou a 799 na atual. O meia agia como o antecipador de jogadas de risco, um homem “invisível” no meio de campo, mas que terminou como o mais notado ao ser o primeiro a levantar a taça.
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