Na década de 1990, Greg Glassman, um ex-ginasta e treinador americano, desenvolveu o método crossfit. Ele criou o programa físico e fundou a empresa CrossFit, Inc. em 2000, ao lado de Lauren Jenai, uma cabeleireira com quem ele se casou. O método inovador mistura movimentos funcionais, alta intensidade e variação constante, inspirando-se em rotinas de ginástica, levantamento de peso e atletismo. Em 2001, o empresário abriu o primeiro centro da Crossfit, em Santa Cruz (Califórnia, EUA).
Em 2015, a CrossFit gerava uma receita anual estimada em US$ 100 milhões (cerca de R$ 540 milhões). Porém, o carisma provocador que ajudou Glassman a construir um império voltado ao condicionamento físico acabou sendo, no fim das contas, a causa de sua ruína.
A história da ascensão de “um treinador na Califórnia que não tinha um tostão” e da sua queda está contada no novo livro de Calum Marsh, “The Glass Box: The Shocking True Story of How CrossFit Broke the Rules, Made Millions, and Changed Fitness Forever” (sem título em português).
Os excessos de Glassman o levaram à ruína da sua imagem no mundo dos negócios.
Por volta de 2005, segundo Marsh, já existiam mais de 50 academias de CrossFit espalhadas por 21 estados e diversos países. Dois anos mais tarde, a primeira edição do CrossFit Games foi realizada em uma propriedade rural na Califórnia. Os negócios eram um exemplo do boom da onda de empreendedorismo nos EUA.
No entanto, à medida que o CrossFit se expandia, o casamento começou a desmoronar. Lauren passou anos grávida ou cuidando dos filhos, enquanto Glassman viajava para ministrar seminários e visitar academias afiliadas.
“No próximo ano, vou fazer muito mais sexo, com você ou sem você”, anunciou Glassman, de acordo com o livro.
Greg Glassman
Reprodução/CrossFit
Lauren Jenai
Reprodução/Instagram
Em 2009, enquanto Lauren estava grávida de gêmeos, Glassman iniciou um relacionamento com a esposa do proprietário de uma academia de CrossFit. Ele contratou a mulher como sua assistente pessoal e, segundo relatos, convenceu o casal a se mudar para uma casa bem próxima à residência dele, no Arizona.
Dentro da Crossfit prosperava a “cultura da traição”. Relacionamentos extraconjugais eram tão comuns dentro da organização que Lauren mandou fazer camisetas com um alerta: “Se você for para a cama com um dos meus instrutores, eu vou contar para a esposa dele”.
Vários ex-funcionários relataram a Marsh que se sentiam desconfortáveis com os casos amorosos de Glassman e com a forma aberta como ele os conduzia.
“Isso estava enraizado na cultura desde o início. Isso deixava algumas mulheres desconfortáveis”, disse o autor ao “NY Post”.
O ritmo das festividades envolvendo Glassman e sócios era tanto que até seus companheiros tinham dificuldade em acompanhá-lo. O ex-executivo Brian Mulvaney relembrou uma parada no hotel Four Seasons, em Scottsdale (Arizona), durante o feriado de 4 de Julho, no início da década de 2010. Uma festa que varou a madrugada o deixou furioso, justamente às vésperas de uma reunião de negócios no dia seguinte. Glassman propôs uma solução: comprariam cocaína e, depois, tomariam drinques do tipo Bloody Mary na sala VIP do aeroporto antes de prosseguir com a viagem, relatou Mulvaney.
“Acabou sendo um ótimo dia”, acrescentou ele a Marsh.
Os exageros de Glassman podem ser resumidos numa história contada por Marsh: no fim da década de 2010, o avião particular de Glassman estava a menos de uma hora de Denver (Colorado) quando ele decidiu que não podia esperar tanto tempo por um lanche da rede Chick-fil-A. O fundador do CrossFit instruiu seu piloto a pousar em Grand Junction e providenciou para que dois veículos Chevy Suburban, com motoristas, encontrassem ele e sua comitiva no aeroporto. Segundo Jeffrey Cain, então CEO da empresa, eles foram de carro até o restaurante de fast-food, buscaram o pedido e retornaram ao avião para concluir o voo. Cain estimou o custo do desvio em mais de US$ 5 mil (R$ 27 mil).
O colapso do casamento virou uma disputa pela propriedade da CrossFit. Lauren queria vender sua parte para a empresa de investimentos Anthos Capital, enquanto Glassman estava determinado a impedir que um investidor externo se tornasse seu sócio em pé de igualdade. O magnata acabou conseguindo financiamento para comprar a parte dela naquele ano, tornando-se, assim, o único proprietário da empresa. O divórcio foi oficializado em 2013.
Greg Glassman
Reprodução/YouTube
Com o controle da empresa assegurado, os “caprichos” de Glassman e o estilo de vida “sem freio” passaram a ditar o ritmo da cúpula da CrossFit, que incluía “bajuladores superpagos”.
Quando Cain assumiu o cargo de CEO, em 2016, começou a analisar o custo de tamanha generosidade. Um item que lhe chamou a atenção foi uma fatura da empresa de telefonia Verizon que chegava a US$ 200 mil (quase R$ 1,1 milhão) por mês. A CrossFit também pagava por quase mil planos de academia, segundo o relato de Cain. Ele contou que Glassman conhecia mulheres e providenciava um ano inteiro de matrícula grátis na unidade afiliada local delas.
Sob forte pressão, Glassman acabou renunciando ao comando da Crossfit, mas se manteve como proprietário da empresa. Só que um escândalo catapultado pelas redes sociais levou à derrocada do empresário. Numa postagem no X (então conhecido como Twitter), em 2020, Glassman usou a expressão “Floyd-19” — referindo-se a George Floyd, americano negro brutalmente assassinado por um policial branco nos EUA, e à Covid-19 — ao responder a um tuíte que chamava o racismo de crise de saúde pública. A declaração racista de Glassman levou mais de mil academias a abandonarem a marca CrossFit. A companhia também perdeu patrocínios.
Pouco depois, ele vendeu a empresa ao empreendedor Eric Roza e à firma de investimentos Berkshire Partners. Segundo Marsh, o valor do negócio foi de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão).
Desde então, Glassman saiu dos holofotes, dando fim a uma excêntrica e grande exposição pública. Em 2022, ele cofundou a Broken Science Initiative e, no fim de 2024, lançou a MetFix, uma nova marca voltada para nutrição, combate a doenças crônicas e saúde metabólica. A iniciativa funciona em um modelo muito parecido com as afiliadas do CrossFit, atraindo donos de academias que ainda apoiam sua metodologia.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/10/a-queda-do-criador-do-crossfit-cocaina-casos-extraconjugais-conta-de-telefone-de-us-200-mil-e-desvio-de-jatinho-particular-para-buscar-fast-food.ghtml
A queda do criador do crossfit: cocaína, casos extraconjugais, conta de telefone de US$ 200 mil e desvio de jatinho particular para buscar fast-food
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