A Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça a prisão temporária do empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, suspeito de matar a ex-companheira, a advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29, e o filho dela, Raphael Faria Lima Ferrari, de seis anos. Os corpos foram encontrados na noite de terça-feira (3), em um apartamento no bairro Lajeado, em Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo. O homem está foragido.
O caso é investigado como feminicídio e vicaricídio, classificação utilizada quando um filho é assassinado como forma de atingir a mãe. Segundo informações reunidas pela investigação, o próprio empresário teria telefonado para um escritório de advocacia em Campinas, no interior paulista, e confessado as mortes. Durante a ligação, ele também teria informado o endereço do imóvel onde estavam as vítimas.
Uma advogada que recebeu o relato procurou a Delegacia de Cotia para comunicar o ocorrido. Policiais foram até o endereço indicado e encontraram os corpos de Anna e Raphael dentro do apartamento. As vítimas estavam deitadas lado a lado sobre uma cama de casal. A perícia foi acionada para examinar o local e recolher vestígios que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias das mortes. O pedido de prisão temporária de Eric foi encaminhado ao Poder Judiciário, que analisa a solicitação.
Câmeras registraram saída do suspeito
Imagens das câmeras de segurança do condomínio onde ocorreram as mortes ajudam a reconstruir os últimos momentos em que mãe e filho foram vistos. Os registros mostram Anna, Raphael e Eric entrando juntos no local por volta das 21h35 de domingo (1º). Já na madrugada de segunda-feira (2), às 2h14, o empresário aparece deixando o condomínio sozinho, em uma caminhonete Chevrolet S10 branca.
Segundo informações da investigação, não há registros da entrada ou saída de outras pessoas no apartamento durante o período analisado pelas autoridades. A polícia também apura se as mortes ocorreram antes da fuga do suspeito, registrada pelas câmeras.
A mãe de Anna havia procurado a polícia para comunicar o desaparecimento da filha e do neto. Ela relatou que não conseguia estabelecer contato com os dois. Em uma das versões apresentadas à família, a advogada teria dito que sairia para jantar com uma amiga. A mulher, no entanto, negou ter combinado qualquer encontro com Anna.
O desaparecimento passou a integrar a linha de investigação sobre as circunstâncias do crime. A polícia apura se a informação sobre o suposto jantar foi utilizada para despistar familiares e se a ausência de notícias sobre mãe e filho fazia parte de um possível planejamento do suspeito.
O carro da advogada também foi localizado nas proximidades do imóvel. A movimentação de Eric após deixar o condomínio é outro ponto analisado pelos investigadores.
Testemunhas relataram ameaças e violência
Depoimentos colhidos pela Polícia Civil apontam que o relacionamento entre Anna e Eric era marcado por conflitos, términos e reconciliações. Familiares e pessoas próximas relataram episódios anteriores de violência doméstica, ameaças, perseguições e comportamentos controladores atribuídos ao empresário.
A polícia ouviu familiares das vítimas, pessoas próximas e funcionários do condomínio para reconstruir a dinâmica da relação e identificar possíveis episódios anteriores de violência. A investigação também busca esclarecer se Anna era mantida sob algum tipo de controle ou restrição de liberdade antes de ser morta.
