O dólar abriu em forte alta nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das nove horas da manhã, a moeda norte-americana avançava 8,65%, cotada a 5 reais e 42 centavos. As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, estão previstas para começar às dez horas.
Lula venceu o segundo turno das eleições presidenciais com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase a totalidade das urnas apuradas. O resultado surpreendeu parte dos investidores, já que muitas pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro.
A expectativa é de forte volatilidade nos mercados, com pressão sobre as ações brasileiras, alta do dólar e elevação dos juros futuros, que refletem as projeções dos investidores para as taxas de juros nos próximos meses e anos.
Segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, a Bolsa brasileira poderia acionar mecanismos de interrupção temporária das negociações diante da intensidade das oscilações.
Além do resultado eleitoral, investidores acompanham possíveis impactos das decisões do próximo governo sobre a política econômica, as contas públicas e a trajetória dos juros e do câmbio.
Na agenda econômica, o destaque é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne as expectativas do mercado para indicadores como inflação, crescimento econômico, câmbio e taxa básica de juros. Como as projeções foram coletadas até sexta-feira, o levantamento ainda não reflete a reação dos agentes financeiros ao resultado eleitoral. Dados sobre confiança dos investidores e investimento estrangeiro direto também estão no radar.
Cenário internacional
No exterior, os preços do petróleo e as decisões de política monetária dos principais bancos centrais concentram as atenções.
Por volta das sete e quarenta da manhã, o barril do petróleo Brent, referência internacional, recuava 1,40%, cotado a 115 dólares e nove centavos. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, caía 1,95%, a 101 dólares e 26 centavos. Os investidores acompanham os esforços diplomáticos para reduzir as tensões na guerra entre Estados Unidos e Irã, além dos riscos de interrupção no fornecimento da commodity.
A semana também será marcada por decisões de juros de importantes bancos centrais. A principal expectativa é pela reunião do Federal Reserve, o banco central norte-americano, cuja decisão está prevista para quarta-feira. Os investidores também acompanham as sinalizações do Banco Central Europeu e do Banco do Japão.
Bolsas asiáticas fecham sem direção única
Na Ásia, as bolsas encerraram a sessão desta segunda-feira com resultados mistos, em meio à cautela dos investidores diante da agenda econômica internacional.
O índice de Xangai subiu 0,19%, enquanto o CSI 300 recuou 0,04%. No Japão, o Nikkei caiu 0,80%, e o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 1,46%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,51%.
O desempenho dos mercados internacionais, as decisões dos bancos centrais e as primeiras reações à reeleição de Lula devem continuar influenciando os negócios ao longo da semana.
