Biofábrica produz microrganismos utilizados nas lagoas e no tratamento de esgoto em Maricá

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Os bioinsumos aplicados pelo Projeto Lagoa Viva começam a ser preparados em tanques instalados na Biofábrica, em São José do Imbassaí.

É nessa estrutura que comunidades de microrganismos são ativadas e multiplicadas antes de seguirem para as lagoas, canais e unidades experimentais de tratamento de esgoto. Segundo Vanessa Rodrigues, coordenadora da Biofábrica, cada tanque utilizado atualmente tem capacidade aproximada de 6 mil litros.

O processo envolve mistura com água, agitação, fermentação e controle laboratorial. “Aqui é feita a ativação do bioinsumo que vai ser aplicado na lagoa. Cada tanque comporta 6 mil litros”, explicou Vanessa ao Maricá Info.

A Biofábrica foi inaugurada em agosto de 2021, juntamente com o lançamento do Lagoa Viva. Os primeiros lotes começaram a ser aplicados nos canais da região central em novembro daquele ano.

Processo leva três dias

Depois de receber os componentes necessários, a equipe mistura o bioinsumo com água.

O material passa por agitação para que os microrganismos e os demais componentes sejam distribuídos pelo tanque. Em seguida, permanece por aproximadamente 72 horas em processo de fermentação e maturação.

Esse período permite que os organismos sejam ativados e se multipliquem. “Ele é batido para fazer a diluição e fica durante 72 horas fazendo a fermentação, até estar pronto para aplicação”, detalhou Vanessa.

Como cada tanque começa a ser preparado em um dia diferente, a Biofábrica mantém uma sequência de produção. Um lote iniciado na segunda-feira, por exemplo, fica pronto para análise na quinta-feira. Outro, iniciado na terça, pode ser utilizado na sexta-feira.

Segundo a coordenadora, a organização permite que haja material disponível para aplicação de segunda a sexta.

Análise antes da liberação

O fim das 72 horas não significa que o lote está automaticamente liberado. Uma amostra é retirada e levada ao laboratório de controle de qualidade. Os pesquisadores verificam se existe algum organismo indesejado ou sinal de contaminação.

Entre os parâmetros citados por Vanessa está a presença de coliformes fecais. “Depois dessas 72 horas, fazemos a coleta e levamos esse material ao laboratório. Não tendo nenhum tipo de contaminante, os tanques são liberados”, afirmou.

O controle é importante porque o produto é formado por organismos vivos. Uma contaminação pode alterar a composição do lote e comprometer a segurança ou a eficiência da aplicação.

Em maio de 2026, a Codemar informou que cerca de 800 mil litros de insumo biológico haviam sido produzidos entre abril de 2024 e fevereiro de 2025. O dado foi apresentado durante o encontro “Sentinelas da Lagoa”, realizado no Biocentro.

Para onde vão os bioinsumos

Depois de aprovados, os lotes podem ser levados para diferentes pontos do projeto.

A principal aplicação ocorre nos canais, rios e lagoas que fazem parte do sistema lagunar. Os microrganismos também são utilizados na MicroETE de Itaipuaçu, onde auxiliam no tratamento biológico do esgoto.

No sistema lagunar, a estratégia não se limita ao lançamento no espelho d’água. Parte do trabalho começa em canais que recebem elevada quantidade de matéria orgânica. Dessa forma, o processo de biorremediação ocorre antes que a água chegue às lagoas. Na região de Jacaroá, por exemplo, o projeto informou a aplicação diária de centenas de litros em quatro pontos.

Os efeitos do bioinsumo dependem do crescimento e da atividade metabólica dos microrganismos.

Eles precisam de tempo para se estabelecer, utilizar os compostos disponíveis e participar dos processos biológicos de decomposição. Isso significa que uma aplicação realizada em determinado dia não elimina imediatamente a matéria orgânica ou o mau cheiro.

De acordo com a equipe, os resultados aparecem progressivamente e precisam ser acompanhados por análises de água e sedimento. As condições ambientais também interferem. Temperatura, oxigênio, salinidade, chuvas, circulação da água e entrada de novos efluentes podem influenciar o desempenho.

Produção precisa estar ligada ao monitoramento

A quantidade produzida é apenas uma parte da avaliação.

Para medir o desempenho da Biofábrica, também é necessário acompanhar:

  • os locais que receberam cada lote;
  • o volume utilizado por ponto;
  • a frequência das aplicações;
  • a composição microbiológica;
  • os resultados antes e depois do tratamento;
  • o tempo de atuação no ambiente;
  • as condições da água durante cada período.

Essas informações são analisadas pelo Biocentro, que recebe amostras coletadas nas lagoas e canais.

A Biofábrica funciona como o início da cadeia do Lagoa Viva. É ali que o material é preparado. O resultado final, porém, depende da aplicação correta, do controle de qualidade, do monitoramento científico e da redução das novas fontes de poluição.



Com informações da fonte
https://maricainfo.com/noticias-de-marica/biofabrica-produz-microrganismos-utilizados-nas-lagoas-e-no-tratamento-de-esgoto-em-marica/

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