Imagens obtidas pela polícia mostram uma fila de pessoas interessadas em participar de um curso de operação de drones que teria sido promovido por traficantes no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Os registros foram feitos há cerca de duas semanas e são investigados pela Polícia Civil.
A capacitação revela o avanço do uso da tecnologia pelo crime organizado. Além de monitorar territórios e acompanhar operações policiais, criminosos passaram a adaptar os equipamentos para lançar granadas contra grupos rivais.
Na semana passada, um drone carregado com um explosivo foi usado em um ataque na comunidade do Canal, em Vargem Grande, na Zona Oeste. A granada atingiu um trailer, mas ninguém ficou ferido.
Segundo a Polícia Militar, o equipamento decolou da cobertura de um prédio alugado por traficantes no Recreio dos Bandeirantes e percorreu cerca de dois quilômetros até o alvo. Dois homens foram presos. Com eles, foram apreendidos o drone utilizado na ação, granadas de fabricação caseira e dinheiro.
Voos também ameaçam a segurança aérea
A circulação irregular desses equipamentos preocupa pilotos. Drones já foram identificados em áreas próximas às rotas de helicópteros e de aeronaves que chegam e saem do Aeroporto de Jacarepaguá. Uma colisão pode provocar danos graves e até comprometer o controle da aeronave.
Embora a venda de drones seja permitida, os voos seguem regras de segurança. Há restrições nas proximidades de aeroportos e helipontos, determinadas operações dependem de autorização e, nas situações abrangidas pela regulamentação, é proibido ultrapassar 400 pés, cerca de 120 metros.
Ruas cobertas dificultam monitoramento no Alemão
O uso de drones também mudou a paisagem do Complexo do Alemão. Imagens analisadas pela inteligência da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, mostram que ruas e vielas estão sendo cobertas por telhados e outras estruturas.
A comparação entre registros de novembro de 2025 e fevereiro de 2026 revelou mudanças significativas em apenas 84 dias. Ruas desapareceram das imagens aéreas, um estacionamento recebeu cobertura de alvenaria e uma laje ganhou uma piscina.
A polícia suspeita que as estruturas tenham sido instaladas para dificultar ataques com explosivos lançados por facções rivais. Ao mesmo tempo, as coberturas prejudicam o monitoramento das forças de segurança em uma área onde, segundo os investigadores, estaria escondida a cúpula do Comando Vermelho.
Estruturas semelhantes também foram identificadas no Rebu, em Senador Camará, e em uma comunidade de Niterói, onde parte de uma cobertura foi destruída pela Polícia Civil e pela prefeitura em abril.
Atualmente, a Polícia Civil investiga 18 ocorrências de bombas lançadas por drones, mas acredita que o número real seja maior. Dados do Disque-Denúncia também apontam crescimento dos relatos: o primeiro caso envolvendo um drone com granada foi registrado em 2023. Em 2024, foram quatro ocorrências. No ano passado, houve 73 denúncias relacionadas a traficantes e 14 envolvendo milicianos.
Com informações do G1.
