Carlos Alberto Dias, autor do gol que deu ao Botafogo o título carioca de 1990, morreu nesta segunda-feira, aos 59 anos, em Caruaru, Pernambuco. O ex-meia, que também defendeu a seleção brasileira e os outros três grandes clubes do Rio, trabalhava como treinador do Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe. A morte foi confirmada pelo clube.
Segundo o Ypiranga, Dias começou a passar mal no sábado, com fadiga, febre, vômitos e diarreia. Foi atendido e, no domingo, procurou a UPA de Santa Cruz do Capibaribe. Recebeu alta após apresentar melhora, mas retornou à noite com dor no peito. Encaminhado ao Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, para avaliação cardiológica, não resistiu. A causa da morte não havia sido divulgada oficialmente.
Nascido em Brasília em 5 de maio de 1967, Carlos Alberto Costa Dias foi formado no Matsubara, do Paraná, e teve uma passagem pelo futebol japonês ainda no início da carreira. No Coritiba, conquistou o Campeonato Paranaense de 1989, antes de chegar ao Botafogo no ano seguinte. Habilidoso, encontrou no clube carioca o espaço em que construiria os momentos mais lembrados de sua trajetória.
O principal deles aconteceu em 29 de julho de 1990, no Maracanã. Aos 34 minutos do segundo tempo da decisão contra o Vasco, Dias concluiu uma jogada que passou por Valdeir e Donizete e marcou o único gol da partida. A vitória assegurou em campo o bicampeonato estadual do Botafogo, confirmado posteriormente pela Justiça Desportiva após uma disputa sobre o regulamento. O clube dava continuidade à retomada iniciada em 1989, quando encerrara um jejum de 21 anos sem o título carioca.
Dias permaneceu no Botafogo até 1992 e participou da campanha do vice-campeonato brasileiro, decidido contra o Flamengo. Naquele ano, suas atuações também lhe renderam uma convocação para a seleção brasileira, pela qual enfrentou a Finlândia em um amistoso. O período consolidou sua projeção nacional e uma identificação com a camisa alvinegra que ele manteria depois da aposentadoria.
Depois do Botafogo, o meia passou por Vasco, onde conquistou o bicampeonato carioca em 1992 e 1993; Flamengo e Fluminense, completando o percurso pelos quatro grandes do Rio. Também defendeu Grêmio, Paraná e Ceará, entre outras equipes, além de voltar ao futebol japonês. Apesar das muitas camisas, admitia que a passagem por General Severiano havia sido especial: em entrevista ao ge, em 2020, contou que desejava ter retornado ao clube em 1994, quando acabou seguindo para o Flamengo.
Após deixar os gramados, seguiu no futebol como treinador. Trabalhou em equipes como Castanhal, Gama e Frei Paulistano e levou o Guaporé ao vice-campeonato rondoniense de 2025. Seu último trabalho era a preparação do Ypiranga para o Campeonato Pernambucano, interrompida pela morte nesta segunda-feira.
A dimensão daquele gol de 1990 continuava clara para Dias três décadas depois.
— Foi o gol mais importante da minha carreira — afirmou ao ge na entrevista que marcou os 30 anos da conquista. Na mesma conversa, resumiu a ligação que o acompanhava mesmo após tantos clubes:
— Até hoje eu sou o ‘Carlos Alberto Dias do Botafogo’”.
