Adolescente perde mão após pegar granada durante confronto com a polícia em protesto escolar na França

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Manifestantes marcham com faixas que dizem 'Diante da repressão, unidade de classe', à margem de uma ação nacional de bloqueios realizada por estudantes do ensino médio, em Marselha, no sul da França, em 5 de outubro de 2026 — Foto: MIGUEL MEDINA / AFP


Um estudante de 15 anos perdeu uma das mãos, nesta segunda-feira, durante um confronto entre policiais e manifestantes perto de uma escola na França, informou uma autoridade do país. Segundo o jornal regional La Voix du Nord, a mão do jovem foi arrancada após ele pegar uma granada de dispersão lançada pela polícia antimotim e o artefato explodir em sua mão, no entanto, há versões divergentes na imprensa francesa sobre a forma como o adolescente sofreu o ferimento. O episódio ocorre durante uma onda de protestos escolares que continua em toda a França contra as condições das salas de aula, que provocou interrupções nas aulas em centenas de instituições desde a semana passada.

O “incidente muito grave” ocorreu na manhã desta segunda-feira próximo ao colégio Auguste Béhal, na cidade de Lens, no nordeste da França, de acordo com François-Xavier Lauch, prefeito do departamento de Pas-de-Calais.

— A vida do estudante não está em risco — afirmou o prefeito, acrescentando que o adolescente foi transferido “muito rapidamente” para um hospital próximo.

Manifestantes são detidos durante confrontos à margem de uma manifestação de estudantes do ensino médio — parte de um movimento de protesto nacional sobre as condições de ensino — em Nancy, em 5 de outubro de 2026 — Foto: JEAN-CHRISTOPHE VERHAEGEN / AFP

Segundo Lauch, um “grupo maior” de estudantes do que nos dias anteriores se reuniu do lado de fora da escola pela manhã.

— Eles lançaram vários objetos contra os policiais locais que estavam inicialmente no local. Quando digo objetos, refiro-me a pedras, fogos de artifício e morteiros — relatou ele à imprensa francesa. — Foram dadas instruções pelo diretor interdepartamental da Polícia Nacional, naturalmente com minha aprovação, para enviar uma companhia de policiais antimotim (CRS) para cá, a fim de manter a ordem, e foi nesse contexto que o incidente ocorreu.

Segundo a rede BBC, apesar das autoridades ainda não terem fornecido muitos detalhes sobre o caso, um promotor regional afirmou que uma investigação será conduzida pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN), órgão que fiscaliza a atuação policial na França, “para que toda a luz seja lançada sobre o que aconteceu”.

A Liga Francesa dos Direitos Humanos (LDH) acusou, nesta segunda-feira, as forças de segurança de usar métodos desproporcionais contra os manifestantes, muitos dos quais são menores de idade.

— Podemos ver que, nas instruções dadas à polícia, não há nenhuma orientação para agir com moderação, embora estejam lidando com crianças — afirmou Nathalie Tehio, presidente da LDH.

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Após o ocorrido, a escola Auguste Béhal divulgou um comunicado, afirmando que a instituição passará, a partir de agora, ao ensino remoto “para garantir a segurança de toda a comunidade escolar”.

“Além disso, para apoiar todos durante este período, também foi criado na instituição um serviço de escuta e apoio”, acrescentou a instituição.

Desde o fim de setembro, estudantes bloqueiam as entradas de centenas de escolas, reclamando da ausência de professores, de horários sobrecarregados, de salas de aula deterioradas e de prédios inadequados para as temperaturas cada vez mais altas, entre outras reivindicações.

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Os protestos ocorrem poucos meses antes das eleições de 2027, que definirão o sucessor do presidente centrista Emmanuel Macron.

O governo tem buscado responder às reivindicações, ao mesmo tempo que acusa ativistas da extrema esquerda de terem se apropriado do movimento de protesto.

Segundo o Ministério da Educação, 413 das 3.700 escolas de ensino médio da França, conhecidas como liceus, estavam parcial ou totalmente fechadas na manhã desta segunda-feira, 27% menos do que na sexta-feira no mesmo horário. Os sindicatos estudantis, porém, mantêm a convocação para uma nova jornada nacional de mobilização na terça-feira.

Na região de Paris, um terço dos 468 liceus destinados a adolescentes de 15 a 17 anos deveria ser fechado, segundo as autoridades.

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No centro de Paris, dezenas de estudantes adolescentes protestaram em frente a uma escola enquanto carros que passavam buzinavam. Alguns colegas entraram no prédio para assistir às aulas.

“Estamos perdendo nossas aulas para dar uma a vocês”, dizia um cartaz de papelão do lado de fora do colégio Turgot, localizado no 3º distrito de Paris.

Em Bordeaux, no sudoeste do país, alguns estudantes voltaram às salas de aula enquanto outros continuaram os protestos na presença da polícia antimotim.

Alguns manifestantes do lado de fora do colégio Gustave Eiffel soltaram fogos de artifício na direção da polícia, que respondeu de forma pontual com gás lacrimogêneo, mas, de modo geral, a situação permaneceu tranquila, segundo repórteres da AFP.

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Na cidade de Lille, no norte, manifestantes mascarados destruíram abrigos de ônibus e atearam fogo a lixeiras, enquanto a polícia disparava gás lacrimogêneo na direção dos manifestantes.

O movimento começou em 17 de setembro em uma escola de ensino médio de Créteil, nos arredores de Paris, em apoio a professores que estavam em greve devido à falta de funcionários e recursos.

A mobilização ganhou força e se espalhou pela França, em alguns momentos evoluindo para atos de vandalismo, incluindo a destruição de abrigos de ônibus, incêndios nas entradas de escolas e confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

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Desde o início do movimento, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas, segundo o ministro da Educação. Mais de 5 mil pessoas foram detidas, 85% delas menores de idade.

Os manifestantes também acusaram a polícia de usar força excessiva, e investigações internas foram abertas sobre pelo menos três casos de suposta violência policial.

‘Responsabilidade dos pais’

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, apresentou no domingo um cronograma orientando as autoridades locais a priorizar o preenchimento das vagas deixadas por professores ausentes por longos períodos e de postos não ocupados.

Ele convocou uma reunião para a terça-feira com presidentes de regiões para discutir uma reforma dos prédios escolares do país, muitos deles em condições precárias.

O governo também promove uma proposta legislativa para fazer com que os responsáveis por danos ao patrimônio público paguem pelos reparos, em vez de recorrer aos cofres públicos.

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A porta-voz do governo, Maud Bregeon, defendeu o projeto.

— Quando você tem jovens de 14, 15, 16 anos que, às 9h, estão incendiando abrigos de ônibus ou, talvez algo ainda mais grave, a escola onde estudam, isso levanta a questão da responsabilidade dos pais — disse ela à emissora Europe1/CNews.

Lecornu afirmou que o projeto de lei poderia permitir que os valores de indenização fossem descontados de benefícios familiares e auxílios-moradia, preservando um limite mínimo de renda.

A líder da principal central sindical do país, a CGT, Sophie Binet, criticou o que chamou de “anúncio populista”, que, segundo ela, “acabará atingindo as famílias mais vulneráveis”.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/10/05/adolescente-perde-mao-apos-pegar-granada-durante-confronto-com-a-policia-em-protesto-escolar-na-franca.ghtml

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