Como o Comando Vermelho passou a atuar em outros estados | Brasil

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Em 1979, com a Lei da Anistia, os presos políticos foram libertados, enquanto os presos comuns permaneceram na cadeia. - Gerado por IA



Em 1979, com a Lei da Anistia, os presos políticos foram libertados, enquanto os presos comuns permaneceram na cadeia.Gerado por IA

O Comando Vermelho descende da Falange Vermelha, surgiu no fim da década de 1970, a partir da convivência entre presos comuns e políticos no Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Na época, o presídio, conhecido como “Caldeirão do Diabo”, era marcado por condições precárias, violência e relatos de tortura e mortes. Durante a ditadura militar, presos políticos integrantes de organizações armadas passaram a ser encarcerados junto com criminosos comuns, principalmente após o roubo a bancos ser enquadrado como crime contra a segurança nacional.

Os dois grupos passaram, então, a dividir as mesmas celas. Muitos dos presos comuns, em sua maioria envolvidos em assaltos a bancos, tinham pouca ou nenhuma educação formal e desconheciam seus direitos. Por meio da convivência com os presos políticos, passaram a ter contato com informações sobre direitos, organização e formas de reivindicação. Os presos políticos também atuavam na intermediação de negociações por melhores condições dentro do sistema penitenciário.

Uma das primeiras medidas da organização foi criar um “caixa comum”, formado com parte do dinheiro obtido por integrantes que estavam em liberdade por meio de atividades criminosas. A contribuição ficou conhecida como “dízimo”. O dinheiro era usado para financiar tentativas de fuga e também para ajudar a melhorar as condições dentro do presídio. Nesse período, os integrantes da organização perceberam que crimes como assaltos a bancos, roubos de carros e outros furtos não geravam tantos recursos quanto o tráfico de drogas. A partir daí, a venda de entorpecentes passou a ganhar espaço como uma das principais fontes de renda da organização.

Em 1979, com a Lei da Anistia, os presos políticos foram libertados, enquanto os presos comuns permaneceram na cadeia. Sem a presença dos antigos colegas de cela, a mobilização por melhores condições dentro da prisão perdeu a força.

Os integrantes da Falange Vermelha passaram a adotar novas formas de organização. A partir de 1980, uma série de fugas foi registrada no presídio. Mais de cem detentos conseguiram escapar. Em uma dessas ações, José Jorge Saldanha, conhecido como Zé Bigode, conseguiu fugir, chegar ao continente e se esconder na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro.


Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.Arquivo Nacional

Na região, Zé Bigode se envolveu em um confronto com cerca de 400 policiais, que durou mais de 12 horas. O episódio foi retratado no livro 400 Contra 1, de William da Silva Lima, conhecido como Professor, um dos principais fundadores da facção, que conta parte da história da organização.

Com o dinheiro dos assaltos a bancos, a organização também passou a investir no tráfico de drogas, principalmente na venda de cocaína. Na década de 1980, a Colômbia se consolidou como um dos principais produtores da droga, enquanto o Rio de Janeiro passou a fazer parte de novas rotas de distribuição.

A atuação no tráfico aumentou o poder financeiro da facção e contribuiu para sua expansão. Com o passar dos anos, o Comando Vermelho passou a disputar e controlar territórios não apenas no Rio de Janeiro, mas também em outros estados brasileiros.

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro abriga hoje uma espécie de “cidade invisível”, que não aparece nos mapas, mas influencia a vida de milhões de moradores.

Segundo levantamentos do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e do Instituto Fogo Cruzado, cerca de 4 milhões de pessoas viviam, em 2024, sob o controle ou influência de grupos armados.


Entre 2007 e 2024, a área submetida a algum tipo de domínio armado cresceu 130,4%.  - Instituto Fogo Cruzado
Entre 2007 e 2024, a área submetida a algum tipo de domínio armado cresceu 130,4%. Instituto Fogo Cruzado

Entre 2007 e 2024, a área submetida a algum tipo de domínio armado cresceu 130,4%. No mesmo período, a população que vivia nessas áreas aumentou 59,4%.

Ainda de acordo com o levantamento, o Comando Vermelho se tornou o grupo armado com maior extensão territorial e maior crescimento no número de pessoas sob seu domínio na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Em entrevista ao DIA, o sociólogo e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) José Cláudio Souza Alves afirmou que a operação policial realizada no Complexo do Alemão, em 2010, com o objetivo de conter o Comando Vermelho, não conseguiu controlar a região nem impedir o avanço da facção.

A operação ocorreu dentro do projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implantado no Rio de Janeiro a partir de 2008. Segundo José Cláudio, a atuação das UPPs foi marcada por casos de violência policial, mortes e desaparecimentos forçados.

Para o sociólogo, depois dessa fase, o Comando Vermelho passou a ampliar sua presença para outras regiões do estado.

“A Baixada Fluminense se transforma em uma nova fronteira de ganhos para o Comando Vermelho, como forma de recuperar as perdas sofridas nas comunidades do Rio de Janeiro. As UPPs ocuparam principalmente áreas da facção e prejudicaram seus negócios e interesses. Com isso, o grupo passou a se expandir para a Baixada, para a Região dos Lagos, Angra dos Reis e também para São Gonçalo, incluindo áreas como o Complexo da Reta e o Salgueiro. Foi assim que o Comando Vermelho foi se consolidando.”

Em 2019, segundo José Cláudio, o Comando Vermelho perdeu territórios para a milícia, como áreas de Nova Iguaçu e da Estrada de Madureira. A partir desse momento, a facção passou a reformular sua atuação e a desenvolver uma estratégia para responder ao avanço da milícia, iniciando um processo de reestruturação.

“A milícia não tem uma estrutura centralizada. Ela é fragmentada, com várias lideranças que disputam entre si e entram em conflito por territórios. Nesse cenário, o Comando Vermelho percebe um ambiente e um momento oportuno para retomar áreas. A facção passa a fazer negociações com a polícia, que começa a demonstrar mais interesse em acordos com o Comando Vermelho do que com a milícia. Os acordos com os grupos milicianos são instáveis, enquanto o Comando Vermelho mantém uma relação mais estável e garante segurança.”

Expansão nacional

De acordo com o sociólogo, a expansão nacional do Comando Vermelho está ligada à disputa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo controle das rotas de drogas, principalmente as que passam pelo Paraguai. A disputa levou as duas facções a formar alianças com grupos menores em diferentes estados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

“O tráfico, tanto do PCC quanto do Comando Vermelho, sobrevive graças ao pagamento de propina a pessoas que têm poder dentro da estrutura de segurança pública. Essas facções não teriam alcançado a dimensão que têm hoje sem a participação e a interferência do Estado e das polícias.”


O Comando Vermelho se tornou o grupo armado com maior extensão territorial.  - Gerado por IA
O Comando Vermelho se tornou o grupo armado com maior extensão territorial. Gerado por IA

Esses grupos locais passaram a se alinhar ao Comando Vermelho ou ao PCC em busca de apoio e força para manter o controle dos territórios. No Norte e no Nordeste, além do tráfico de drogas, também existem disputas envolvendo outras atividades ilegais, como extração e comércio de ouro e madeira, tráfico de pessoas e ocupação e negociação de terras.

“Dependendo da dinâmica de conflitos entre PCC e Comando Vermelho em cada estado ou cidade, grupos locais podem se vincular a uma ou outra facção de acordo com seus interesses. Essas alianças também envolvem relações com estruturas políticas e autoridades locais.”

Para José Cláudio, essa combinação de disputas e alianças ajudou a ampliar a presença do Comando Vermelho em diferentes regiões do país.

As vantagens de controlar um território

José Cláudio explica que a presença de um grupo armado em determinado território representa uma série de vantagens, como o controle da área, do dinheiro e dos negócios que circulam naquele espaço. Segundo ele, esse domínio também pode influenciar a política local, já que projetos políticos podem buscar apoio dessas estruturas.

Para o sociólogo, essa relação entre grupos armados e poder político faz parte da história do Brasil. Ele afirma que, desde o período colonial, grupos armados passaram a controlar territórios e exercer poder sobre a população.

“Essa estrutura armada sempre trouxe benefícios para os grupos políticos. As relações entre grupos criminosos e grupos políticos sempre existiram. É preciso entender essa dinâmica e não esquecer que ela está na origem do país: grupos armados, controle territorial, controle de dinheiro e controle político. Essa é a base das vantagens de manter relações com esses grupos.”

O avanço do Comando Vermelho na Amazônia

Na avaliação de José Cláudio, a Amazônia se tornou uma resposta do Comando Vermelho ao avanço do PCC em direção ao Paraguai e à Bolívia. De acordo com ele, enquanto o PCC buscou fortalecer sua presença no corredor que passa por São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia, o Comando Vermelho ampliou sua atuação em direção ao Norte.

“O PCC também faz tentativas de tomar essas áreas e transformá-las em corredores para a facção. Mas as alianças com o Comando Vermelho foram mais bem-sucedidas. É uma estrutura mais hierarquizada e centralizada, que dá mais garantias às lideranças locais e fortalece uma estrutura de poder com esse perfil.”

O sociólogo ressalta que a Amazônia concentra riquezas e grandes projetos de infraestrutura que podem ampliar as disputas por território e recursos. Entre eles estão o comércio ilegal de ouro e outros minérios, o tráfico de animais, drogas e armas, além de projetos ligados à energia, ferrovias e hidrovias.

Para finalizar, o professor explica que esse cenário cria oportunidades para a atuação de grupos armados, que podem se envolver em disputas territoriais, negociações políticas e atividades econômicas ilegais.

“O que aconteceu com o Comando Vermelho na Amazônia é típico de uma estrutura que se apropria de grupos armados como forma de obter ganhos e solucionar conflitos. São projetos políticos e econômicos em que diferentes grupos podem enxergar vantagens na presença de uma organização armada. O Comando Vermelho oferece essa resposta por meio de uma estrutura mais centralizada e hierarquizada, do recrutamento de pessoas mais jovens dispostas a exercer um trabalho violento e da facilidade de formar grupos armados que passam a atuar rapidamente nesses territórios.”

Suspeito de integrar o Comando Vermelho é preso por roubo em Nova Iguaçu


Criminoso com suspeita de integrar o Comando vermelho foi preso em Nova Iguaçu, na Baixada FluminenseDivulgação

Um homem de 20 anos, apontado pela Polícia Civil como integrante do Comando Vermelho, foi preso em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva pelo crime de roubo qualificado pelo emprego de arma de fogo. A prisão foi realizada por agentes da 50ª DP (Itaguaí).

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito é investigado por envolvimento no roubo de uma motocicleta ocorrido em agosto de 2025, também em Nova Iguaçu. Durante o crime, a vítima foi atingida por um disparo de arma de fogo.

As investigações apontaram a participação do homem no roubo, e a Justiça expediu um mandado de prisão preventiva contra ele. O material divulgado não informa a data em que a ordem judicial foi expedida nem apresenta detalhes sobre as circunstâncias que levaram os investigadores a identificar o suspeito.

Roubo ocorreu em agosto de 2025

Segundo as informações da investigação, o crime que deu origem ao mandado aconteceu em agosto do ano passado. Na ocasião, uma motocicleta foi roubada em Nova Iguaçu e a vítima acabou baleada durante a ação.

A Polícia Civil atribui ao suspeito participação no crime e o investiga por roubo qualificado pelo emprego de arma de fogo. As informações disponibilizadas sobre o caso não esclarecem qual teria sido especificamente a atuação dele durante o roubo nem se outras pessoas participaram da ação.

Também não foram divulgados detalhes sobre o estado de saúde da vítima após ter sido atingida pelo disparo. O material fornecido não informa ainda se a motocicleta roubada foi posteriormente recuperada.

Além da investigação relacionada ao roubo da motocicleta, a Polícia Civil aponta o homem de 20 anos como integrante do Comando Vermelho. A informação sobre a suposta ligação com a facção é atribuída às autoridades responsáveis pelo caso. O material divulgado não apresenta detalhes sobre a atuação que seria exercida pelo suspeito dentro

Taxas cobradas a comerciantes geram operação contra o Comando Vermelho


Comando Vermelho estaria cobrando taxas de barqueiros em ParatyDivulgação/PMP

A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) realizaram uma operação conjunta para combater a expansão do Comando Vermelho em Paraty, na Costa Verde Fluminense. Agentes foram às ruas para cumprir mandados de prisão e 29 de busca em apreensão. A ação terminou com duas pessoas presas em flagrante.

Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) identificaram que membros da facção passaram a atuar na cidade impondo regras e explorando atividades criminosas.

Entre as práticas descobertas pela especializada estão a cobrança de taxas a comerciantes e prestadores de serviços, incluindo barqueiros, como condição para o exercício do trabalho. Além disso, os agentes também constataram a exploração de pontos de venda de drogas.

As apurações apontam que, embora o Centro Histórico de Paraty não esteja sob domínio territorial ostensivo, o crime organizado avança sobre áreas próximas, como a Ilha das Cobras, utilizada como ponto estratégico para o armazenamento, preparo e distribuição de drogas, além de ser local onde há imposição de cobranças ilícitas sobre serviços.

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A Operação Alba buscou atingir as estruturas operacional e financeira do Comando Vermelho, assim como interromper as atividades criminosas da facção em Paraty.

Para isso, equipes da DRE-CAP, do 5º Departamento de Polícia de Área (5º DPA) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) atuaram, de forma integrada, com objetivo de cumprir, simultaneamente, mandados de prisão e de busca e apreensão.

O Gaeco investiga relatos de que traficantes incendiaram estabelecimentos cujos proprietários se recusaram a pagar as taxas, incluindo comércios pertencentes à população tradicional da região, os caiçaras. Também há casos em que vítimas e testemunhas foram ameaçadas de morte e expulsas de suas residências.

Além de Paraty, agentes também fizeram buscas na cidade do Rio, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e em Angra dos Reis, na Costa Verde. Dispositivos eletrônicos foram apreendidos.

Turismo prejudicado

O município histórico de Paraty é o primeiro sítio misto – local que reúne, ao mesmo tempo, valor cultural e natural – do Brasil na lista do Patrimônio Mundial reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A cidade é cercada pela Mata Atlântica e rodeada pelas águas calmas da Baía da Ilha Grande. A arquitetura dominante é característica da segunda metade do século 18 e primeiras décadas do século 19, com imóveis construídos no período colonial. 

Nos primeiros séculos de sua história, Paraty teve importância estratégica no cenário histórico brasileiro: funcionou como entreposto comercial utilizado para a entrada de mercadorias e escravos, e porto para o escoamento do ouro vindo de Minas Gerais e, posteriormente, para o café do Vale do Paraíba.

Patrimônio Nacional, o município está localizado à beira-mar. Por isso, uma das principais formas de turismo são os passeios de barco. Com a atuação do Comando Vermelho, barqueiros estão sendo ameaçados para pagar taxas e, assim, continuar o trabalho.

O crime ameaça a continuação do serviço e, por consequência, prejudica o turismo. A operação desta quarta teve como objetivo reunir novas provas, identificar envolvidos e avançar na apuração da estrutura mantida pela organização na cidade.

Ação em presídios

A Operação Alba também mira estrutura criminosa dentro de presídios. Em uma segunda frente, a DRE, com apoio da Polícia Penal, realizaram buscas nos presídios Gabriel Ferreira de Castilho, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, e no João Carlos da Silva, em Japeri, na Baixada Fluminense. Agentes vistoriaram celas em busca de celulares e outros materiais de interesse para a investigação.

Por determinação judicial, três custodiados foram transferidos para a Penitenciária de Segurança Máxima Laércio da Costa Pellegrino, a Bangu I. Eles seriam Marcel Espírito Santo Souza, o Cebolão; João Pedro Ferreira Francisco, o JP; e Marcelo Silva de Melo Dutra Júnior, o Marcelinho. Os três são apontados como líderes do grupo atuante em Paraty.

De acordo com a Civil, a atuação no sistema penitenciário faz parte da estratégia da operação para atingir diferentes níveis da estrutura criminosa, alcançando tanto integrantes que atuam nas ruas quanto aqueles que, mesmo privados de liberdade, continuariam exercendo funções de comando.

Operação mira roubos de veículos praticados pelo Comando Vermelho


Victor Hugo Martins Rocha, conhecido como Puma, foi preso nesta terça-feira (15)Fotos de Reginaldo Pimenta

Policiais civis realizaram, na manhã desta terça-feira (15), uma operação contra integrantes do Comando Vermelho (CV) envolvidos em roubos de veículos na Zona Norte. As equipes foram às ruas para cumprir 16 mandados de prisão – sendo quatro contra encarcerados – e 17 de busca e apreensão, no Complexo do Lins e no Grande Méier. Além dos mandados contra pessoas já custodiadas, três homens foram presos, sendo dois em flagrante.

Um dos presos é Victor Hugo Martins Rocha, conhecido como Puma. De acordo com a corporação, ele era um dos responsáveis por receber os veículos roubados e enviar para outros estados. Um dos automóveis foi para o Mato Grosso. 

A ação ocorreu devido a um intenso trabalho de inteligência da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP), que resultou em duas investigações independentes.

No primeiro caso, os agentes apuram a atuação de uma associação criminosa na comunidade Árvore Seca, no Complexo do Lins, desde, ao menos, 2024. O grupo teria ligação com o Comando Vermelho, cometendo diversos delitos, como roubos de veículos, receptação, adulteração de sinais de identificação de veículos e fraudes eletrônicas praticadas com celulares e cartões bancários roubados das vítimas.

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A segunda investigação mira integrantes de um grupo criminoso, apontado como responsável por roubos de veículos na região do Grande Méier. De acordo com os elementos reunidos até então, a quadrilha atuava de forma coordenada, com divisão de tarefas, emprego de armas de fogo e uso de veículos de apoio para cometer os crimes.

“A gente começou as investigações e conseguiu entender o modus operandi desse grupo que praticava roubos, subtraía telefones e outros pertences das vítimas, obrigando-as a dar a senha. Assim, faziam transferências financeiras. Além do lucro que obtinham através do roubo desses automóveis, fazendo adulteração e revendendo, eles conseguiam disseminar esses valores em diversas contas de ‘laranjas'”, explicou a delegada Luciana Ribeiro.

Durante as apurações, os agentes também analisaram as redes sociais utilizadas pelos integrantes do grupo. Um perfil atribuído a um dos alvos, apontado como líder, exibia veículos de alto valor, dinheiro em espécie, armas de fogo e outros objetos aparentemente relacionados às atividades criminosas.

“Eles utilizavam as redes sociais para revender os veículos depois de adulterar. Também acabavam usando os veículos para a prática de outros crimes. A gente também pôde visualizar nas redes sociais a questão de ostentação. Eles acabavam roubando veículos de alto valor econômico e ostentavam nas redes sociais. Isso foi uma forma de identificar esses alvos.”, completou a delegada.

Na operação desta terça, os policiais buscaram apreender armas, munições, aparelhos eletrônicos, documentos, cartões bancários, veículos, peças e componentes automotivos, além de outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos crimes e para a identificação da atuação individual dos alvos.

A ação foi realizada pela DRFA-CAP, com o apoio de agentes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Ao todos, 300 policiais atuaram.

As diligências fazem parte da Operação Contenção, uma ofensiva estratégica do Governo do Estado para conter e atacar o avanço territorial do Comando Vermelho. O principal objetivo é desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa, além de prender traficantes que atuam na região. Até o momento, são mais de 400 presos e outros 139 criminosos mortos em confronto. Foram apreendidas cerca de 492 armas, sendo 200 fuzis, e mais de 51 mil munições.



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/brasil/2026/09/7307097-como-o-comando-vermelho-passou-a-atuar-em-outros-estados.html

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