Motorista de Haddad sustenta relato de intimidação em depoimento à polícia, que alega contradição de horários

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Haddad no debate da Band — Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP


O motorista do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), Alessandro Caseri, prestou depoimento na tarde desta segunda-feira (17) sobre o episódio em que afirma ter sido seguido por uma viatura da Polícia Militar. O caso foi descrito pelo petista como uma possível tentativa de intimidação e motivou a abertura de inquéritos do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Civil de São Paulo.

De acordo com informações obtidas pelo GLOBO, Caseri sustentou o relato de abordagem ostensiva da PM. Na presença de um advogado, declarou na 2ª Delegacia Seccional de Polícia que teve contato com viaturas similares, SUVs da Força Tática, em três momentos diferentes.

O primeiro desses atos teria ocorrido antes de Caseri deixar Haddad em casa, quando teria sido “fechado” pelos policiais. O motorista afirmou que os agentes jogaram luz sobre o para-brisa, ainda sem suspeitar de nada.

Depois, um modelo idêntico teria emparelhado com o seu veículo sem dar ordem de parada, nem acionar a sirene, e se aproximou então da parte traseira, momento em que decidiu ir até o Hotel Pullman, em Vila Mariana, onde estaria protegido por câmeras de segurança. Segundo o depoimento, ele estacionou no local por volta das 21h58, abriu o porta-malas para pegar o carregador de celular e entrou em contato com dois advogados da campanha do PT, saindo apenas às 23h09.

Nesse ponto, Caseri detalha como teria sido a interação com agentes da PM. Uma viatura idêntica passou ao lado do veículo e, neste momento, um deles teria dito ao colega “olha o carro”, a partir de leitura labial feita pelo depoente. Os policiais teriam desembarcado e, enquanto três estavam na calçada, ele ouviu a expressão “vaza”. O motorista alega que não viu algum PM se dirigir a ele porque estava trocando mensagens no celular naquele momento.

O motorista também declarou que não tem vínculo político com Haddad e que, apesar de ver naquilo uma abordagem fora do padrão, não teve a intenção de acusar os policiais de praticarem qualquer crime ou de abuso de poder.

Uma fonte que teve acesso ao depoimento alegou, sob reserva, que a Polícia Civil apura contradições nas informações prestadas. Os investigadores afirmam que o carro usado pelo motorista, um Fusion prata, deixou as intermediações do hotel às 22h26, segundo as imagens analisadas. Quatro minutos depois, aparece na Av. 23 de Maio; em mais quatro, na Radial Leste. Procurado, o advogado do motorista disse que não iria se manifestar sobre o tema.

Em prints divulgados pelo Metrópoles e obtidos pelo GLOBO, o motorista diz que está com medo e que esperava os policiais saírem do hotel às 23h01 daquela noite. Ele liga para um dos advogados às 23h03, e para o outro, às 23h09.

Troca de mensagens em que o motorista relata a suposta intimidação — Foto: O Globo

Neste domingo (16), primeiro dia de campanha, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que, até o momento, as apurações mostraram que “não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação”, o que pode levar à responsabilização do motorista. O político alega que mais de 70 câmeras foram analisadas e que os sistemas de GPS das viaturas também mostrariam que as viaturas eram diferentes e estavam patrulhando a área ou retornando aos batalhões.

Haddad, por sua vez, declarou que acompanhou o caso “até a porta da minha casa” e que, após esse momento, “o relato é do motorista, que estava sozinho”. Ele reclamou, contudo, da demora em colher o depoimento da pessoa que pediu “socorro do Estado”, e disse que as imagens divulgadas pela polícia não permitem concluir se uma viatura estacionou ou não próxima do carro. O candidato do PT disse que não tem motivos para desconfiar do prestador de serviço.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/08/17/motorista-de-haddad-sustenta-relato-de-intimidacao-em-depoimento-a-policia-que-alega-contradicao-de-horarios.ghtml

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