Quase 40 horas após vendaval, 124 mil imóveis seguem sem luz no Rio

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Quase 40 horas após o forte vendaval que atingiu o estado do Rio na última quarta-feira, cerca de 124 mil clientes da Light permanecem sem energia elétrica. A normalização do serviço entrou na fase considerada mais complexa pela concessionária, que afirma atuar agora na reconstrução de trechos da rede danificados pelo temporal, que deixou três mortos e provocou a queda de cerca de 220 árvores na capital.
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Segundo a Light, mais de 2 mil colaboradores seguem mobilizados em uma força-tarefa ininterrupta para restabelecer o fornecimento de energia. Em diversos pontos, os danos exigem a substituição de postes, cabos e outros equipamentos, além da remoção de árvores e de objetos que caíram sobre a fiação, como telhas e até caixas-d’água.
Os trabalhos estão concentrados principalmente nas áreas mais atingidas da Zona Oeste e da Baixada Fluminense. Na capital, os bairros com maior número de ocorrências são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Já na Baixada, os municípios mais afetados são Nova Iguaçu e Duque de Caxias.
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Gastos e prejuízos
Sem energia desde a noite de quarta-feira, a moradora da Maré, Luciana Gomes, de 32 anos, conta que a maior preocupação passou a ser conservar a insulina, que precisa permanecer refrigerada. Para evitar a perda do medicamento, ela passou os últimos dois dias comprando gelo e improvisando uma caixa térmica.
— A gente pensa primeiro na comida, mas, no meu caso, o desespero foi com a insulina. Já gastei quase R$ 200 com gelo para manter o medicamento na temperatura certa. É um gasto que eu não esperava e não sei até quando vou conseguir manter — diz.
Em outra casa da região, uma cuidadora relata dificuldades para assistir uma idosa de 80 anos desde o apagão. Sem ventilador, iluminação e com alimentos perecíveis comprometidos, a rotina da família foi completamente alterada.
— Ela sente muito calor e fica muito agitada sem ventilação. A gente tenta aliviar com leque e abrindo as janelas, mas não resolve. Também estamos preocupados com os alimentos e com a falta de previsão de quando a energia vai voltar — afirma. Os prejuízos também chegaram ao comércio. Dono de uma pequena mercearia em Campo Grande, José Luis Santos, calcula perdas com produtos que dependiam de refrigeração.
— Já perdi iogurtes, frios, bebidas e congelados. O prejuízo aumenta a cada hora sem energia. Além disso, o movimento caiu porque muita gente também está sem luz em casa — relata.
Para muitas famílias, a falta de energia trouxe uma sequência de transtornos. Sem conseguir cozinhar ou conservar alimentos, moradores precisaram recorrer a refeições prontas ou à ajuda de parentes.
— A geladeira já descongelou toda. Tivemos que jogar comida fora e agora estamos gastando com marmita. É um prejuízo atrás do outro — conta uma moradora de Jacarepaguá.
Três mortos
O temporal foi provocado por rajadas de vento que ultrapassaram os 100 km/h. Além dos transtornos causados pela falta de energia, a tempestade deixou um rastro de destruição e provocou três mortes. O caso mais grave ocorreu em Santa Teresa, onde um muro desabou sobre a Rua Doutor Júlio Otoni. Morreram o ex-jogador do Botafogo Tássio Maia dos Santos, de 41 anos, e Vandré Cordeiro da Silva. A ocorrência foi registrada na 9ª DP (Catete).
A terceira vítima foi um pescador que havia desaparecido após o naufrágio de uma embarcação em Tarituba, em Paraty, na Costa Verde. O corpo foi localizado pelo Corpo de Bombeiros na Praia de Tarituba na manhã de quinta-feira e encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).
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Na área de concessão da Enel Rio, a situação é diferente. A distribuidora informou que restabeleceu o fornecimento para 98% dos clientes afetados pelos fortes ventos até a manhã desta sexta-feira. A região mais impactada foi a Costa Verde, especialmente os municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, onde dezenas de árvores caíram sobre ruas e rodovias, danificando a rede elétrica e dificultando o acesso das equipes.
A empresa disse ainda que triplicou o número de equipes em campo desde o início da ocorrência e que, além dos reparos na rede, os profissionais também trabalham na desobstrução de vias bloqueadas pela queda de árvores, com reforço de veículos, equipamentos e técnicos para acelerar a normalização do serviço.
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Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/noticia/2026/07/quase-40-horas-apos-vendaval-124-mil-imoveis-seguem-sem-luz-no-rio.ghtml

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