Antes e depois de 2026: como a maior Copa da história reescreveu o livro dos recordes

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Já era certo que uma Copa do Mundo com 48 seleções promoveria mudanças históricas em recordes. Mais participantes, mais jogos, mais gols, mais cidades envolvidas e um caminho mais longo até o título. Para os torcedores, no entanto, viver a experiências foi ainda melhor do que esperar que ela se concretizasse.

Que Lionel Messi, da Argentina, superaria o alemão Miroslav Klose na artilharia das Copas, era algo esperado. Faltavam apenas quatro gols para o argentino chegar aos 17, em Mundiais. O que não se contava era que outros goleadores entrariam na disputa, tornando cada jogo uma nova chance de liderar a estatística. Ao fim, Kylian Mbappé, da França, conseguiu ter ao menos um feito marcado no Mundial em que sua seleção terminou em quarto, e ficou com o primeiro lugar, com 22 gols totais (dez nesta edição).

Messi chora com a medalha de prata após a Argentina perder a final da Copa para a Espanha — Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP

Embora não tenha atingido o recorde de gols em uma só Copa, do compatriota Just Fontaine (13), ele conseguiu também se tornar o maior artilheiro em mata-mata com 14 (antes eram oito) e representou bem a grande quantidade de chances aproveitadas no torneio. Além dos números absolutos de 308 gols nesta edição contra os 172, de 2022, o torneio ainda contou com uma média maior: foram 2,96 contra 2,69. Inglaterra 6 a 4 França, na disputa de terceiro lugar foi o duelo de destaque no quesito. Ainda assim, não superou o maior placar das Copas: Áustria 7 x 5 Suíça, em 1954.

Mbappé em ação pela seleção francesa, em amistoso contra a Colômbia: ele chega à Copa de 2026 com 12 gols marcados em Mundiais — Foto: Franck Fife/AFP/29-3-2026
Mbappé em ação pela seleção francesa, em amistoso contra a Colômbia: ele chega à Copa de 2026 com 12 gols marcados em Mundiais — Foto: Franck Fife/AFP/29-3-2026

Mesmo assim, essa marca foi vantajosa para os torcedores que puderam ver sete goleadas no torneio. Mas, além da diferença técnica entre seleções, também aconteceram viradas que davam a emoção esperada de um Mundial. A Copa terminou com 15 partidas em que a vencedora saiu atrás no placar. O recorde anterior pertencia à edição de 2002, disputada na Coreia do Sul e Japão, que teve nove viradas ao longo da competição.

Recordes quebrados na Copa de 2026

MarcaAntes da Copa de 2026Depois da Copa de 2026
Seleções participantes3248
Partidas numa edição64104
Média de gols por jogo2,69, em 20222,96
Maior artilheiro das CopasKlose, 16 golsMbappé, 22
Gols em mata-matasLeônidas, Ronaldo e Mbappé, 8Mbappé, 14
Jogos disputadosMatthäus, 25Messi, 34
Vitórias de um jogadorKlose, 17Messi, 23
Jogos seguidos marcandoFontaine e Jairzinho, seisMessi, nove
Hat-trick mais velhoCristiano Ronaldo, aos 33 anosMessi, aos 38
Assistências numa ediçãoPelé, seis em 1970Olise, sete
Passes completos numa ediçãoRodri, 638 em 2022Rodri, 790
Jogos sem sofrer golsSete goleiros empatados com cincoUnai Simón, sete
Maior período sem sofrer golZenga, 517 minutosUnai Simón, cerca de 650
Menos gols sofridos por uma campeãDoisEspanha, um
Técnico mais velho numa CopaRehhagel, 71 anosAdvocaat, 78
Técnico mais velho campeãoDel Bosque, 59 anosDe la Fuente, 65
Menor país numa CopaIslândia, cerca de 350 mil habitantesCuraçao, pouco mais de 150 mil
Gols na disputa do 3º lugarNove, em 1958Dez: Inglaterra 6 x 4 França
Campeão masculino e feminino simultaneamenteNenhum paísEspanha
Gols numa edição172, em 2022308
Público total3.587.538, em 19946.810.966
Copas diferentes com golCristiano Ronaldo e Messi, cincoCristiano Ronaldo, seis

O que diminuiu foi o público para torcer. Embora o total de torcedores nos estádios quase dobrou, passando de 3.587.538, em 1994, para 6.810.966, em 2026, a média por jogo caiu: aproximadamente 68.991 no passado contra 65.490 em 2026. Com isso, 2026 tem o recorde absoluto de público; 1994 continua superior proporcionalmente.

Austrália e Egito jogam no Estádio de Dallas pela segunda fase da Copa do Mundo — Foto: Aric Becker / AFP
Austrália e Egito jogam no Estádio de Dallas pela segunda fase da Copa do Mundo — Foto: Aric Becker / AFP

Em sua muito provável despedida das Copas, Messi ficou com o vice-campeonato, mas sua longevidade o fez colocar seu nome em diversas das marcas. Seja como líder em assistências gerais (12), jogos disputados (39), sequência de gols em duelos (nove) e o mais velho a marcar um hat-trick, feito esse que o fez superar o antigo rival Cristano Ronaldo (38 contra 33). O portugês também aproveitou sua longa carreira para se tornar o primeiro atleta a marcar em seis Copas diferentes.

Cristiano Ronaldo marca de pênalti na classificação de Portugal às oitavas de final da Copa do Mundo — Foto: Cole Burston / AFP
Cristiano Ronaldo marca de pênalti na classificação de Portugal às oitavas de final da Copa do Mundo — Foto: Cole Burston / AFP

Com muitos dos recordes batidos, Pelé ainda manteve algumas marcas pela precocidade de seu talento. O ídolo brasileiro segue sendo o mais jovem a se tornar campeão do Mundial e a marcar em um torneio. Além disso, é o único tricampeão.

Equilíbrio de uma campeã

De um lado, os grandes astros dessa edição conseguiram aproveitar bastante a oportunidade de assumirem recordes. Do outro, o coletivo espanhol deixou clara sua capacidade de assegurar vitórias. Apesar de ter o artilheiro apenas com cinco gols (Oyarzabal), a equipe de Luis De La Fuente apresentou como o diferencial uma defesa quase impenetrável, sofrendo apenas um gol em todo o torneio (na vitória sobre a Bélgica, por 2 a 1, nas quartas de final). A seleção superou a própria campanha, no título de 2010, assim como a Itália (2006) e França (1998), que se igualavam com dois gols sofridos.

Unai Simon ajudou a Espanha a conquistar recorde mundial como seleção a ficar mais tempo sem sofrer gols em Copas — Foto: Ulises RUIZ/AFP
Unai Simon ajudou a Espanha a conquistar recorde mundial como seleção a ficar mais tempo sem sofrer gols em Copas — Foto: Ulises RUIZ/AFP

Protegido por essa muralha erguida em sua frente, quem se aproveitou do sistema foi o goleiro Unai Simon, que bateu o recorde de mais tempo (650 minutos) e mais jogos (sete) sem sofrer gols. Simon realizou apenas dez defesas no torneio. Somente na final, o argentino Dibu Martínez precisou trabalhar 11 vezes.

Assim como a defesa ajudou a potencializar as valências do goleiro, também o meio de campo trabalhou para compor esse sistema tão sólido. Mesmo saindo do banco, o meia Mikel Merino foi o nome do mata-mata, conduzindo a equipe às vitórias com gols primordiais nas oitavas e quartas de final.

Já o volante Rodri foi a representação máxima. O jogador já era o dono do maior número de passes desde a última edição (638) e chegou a 799 na atual. O meia agia como o antecipador de jogadas de risco, um homem “invisível” no meio de campo, mas que terminou como o mais notado ao ser o primeiro a levantar a taça.

O meio-campista espanhol número 16, Rodri, ergue o troféu com seus companheiros de equipe após a vitória na final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: JUAN MABROMATA / AFP
O meio-campista espanhol número 16, Rodri, ergue o troféu com seus companheiros de equipe após a vitória na final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina — Foto: JUAN MABROMATA / AFP



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/esporte/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/07/antes-e-depois-de-2026-como-a-maior-copa-da-historia-reescreveu-o-livro-dos-recordes.ghtml

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