A eleição presidencial de 2026 ganha cada vez mais cara de um duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisa Futura/Apex divulgada nesta terça-feira (14) mostra o presidente com 46,3% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 46,1% do senador do PL, um empate técnico dentro da margem de erro de 2,2 pontos. Mais do que os números, a leitura do instituto reforça que, até o momento, Flávio é o único nome da oposição capaz de enfrentar Lula em igualdade de condições.
Na avaliação do diretor técnico da Futura, José Orrico, “a leitura mais consistente é a de uma disputa equilibrada, sem folga definida para nenhum dos lados”. Para ele, o quadro é resultado da forte polarização entre lulistas e bolsonaristas e da incapacidade da chamada terceira via de conquistar espaço. “Os cenários testados indicam uma oposição fragmentada, sem que nenhum nome demonstre, até aqui, capacidade de unificá-la. Mesmo em simulações sem Flávio, o voto disponível tende a se dispersar e, em parte, a se realocar para o próprio presidente, o que sugere que a eventual ausência do polo bolsonarista não abriria, de imediato, espaço para o centro”, afirma.
O levantamento também mostra que Flávio lidera justamente nas áreas que mais preocupam os brasileiros. Para 38,9% dos entrevistados, ele seria o candidato mais preparado para combater a corrupção, contra 31,8% que apontam Lula. Na segurança pública, a vantagem é de 45,6% a 31,5%, enquanto no combate ao crime organizado chega a 44,7% contra 27,3%. Orrico destaca que “Flávio é avaliado como melhor em segurança e combate ao crime organizado”, mas ressalva que “essa avaliação, até o momento, não se reflete em vantagem na intenção de voto”.
Outro dado que ajuda a explicar o empate é a elevada rejeição dos dois principais candidatos. Lula aparece com 47,6%, enquanto Flávio registra 45,4%. Segundo Orrico, “essa simetria ajuda a explicar por que o amplo contingente de voto contrário a Lula não se converte automaticamente em voto para o outro campo, já que parcela relevante desse eleitorado também rejeita Flávio”. Para o diretor da Futura, a tendência é de uma campanha decidida por um pequeno grupo de eleitores independentes. “No conjunto, a tendência que se desenha é a de uma eleição polarizada e disputada de forma estreita, cuja definição tende a se concentrar na faixa de eleitores independentes, dado que as bases dos dois principais campos se mostram consolidadas.”
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores entre os dias 7 e 11 de julho, tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07294/2026.

