O Instituto Rio Metrópole (IRM), vinculado à Secretaria de Estado da Casa Civil, movimentou R$ 480 milhões durante a gestão do presidente David Perini Vermelho, conhecido como Didê, preso na operação deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
O delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, então diretor do IRM, também foi preso. Segundo a investigação, ele era um dos responsáveis por administrar os recursos da autarquia e pela logística financeira de um suposto esquema de desvio de verbas públicas que teria causado um prejuízo superior a R$ 86 milhões.
Leilão da Cedae ampliou receitas do Instituto Rio Metrópole
Criado por lei complementar em dezembro de 2018 e efetivamente instalado em novembro de 2019, o Rio Metrópole tem como missão planejar e executar políticas para a região metropolitana, com foco em áreas como habitação, saneamento, mobilidade, urbanização e desenvolvimento econômico.
O orçamento da autarquia ganhou um salto após a concessão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio (Cedae), em 2021. Além de parte dos recursos obtidos com o leilão, o IRM passou a receber mensalmente o equivalente a 0,5% da receita arrecadada com as tarifas de água e esgoto da região metropolitana. Os repasses passaram de cerca de R$ 30 milhões em 2023 para R$ 37 milhões em 2024.
Em outubro de 2023, uma lei sancionada pelo então governador Cláudio Castro (PL) ampliou as atribuições do instituto, autorizando a autarquia a executar intervenções urbanas que antes eram de responsabilidade das prefeituras, como obras de pavimentação.
A mudança resultou em um crescimento expressivo das despesas do órgão. Enquanto o IRM executou pouco mais de R$ 7 milhões em 2023, os gastos saltaram para R$ 161 milhões em 2024. Ao longo da gestão de Didê, preso na operação do MPRJ, a autarquia movimentou aproximadamente R$ 480 milhões.
Desvio de verbas
Segundo o MPRJ, o dinheiro repassado pelo instituto às empresas contratadas era sacado em espécie logo após cair nas contas bancárias. Antes de ser distribuído aos envolvidos no esquema, os valores eram armazenados na sede da empresa Rioforte Vigilância, em Jacarepaguá.
A empresa está registrada em nome de Leilson de Souza Nepomuceno, pai de Franquis, mas o MP sustenta que o delegado é o verdadeiro controlador, atuando como sócio oculto.
As investigações apontam que Franquis Dias Nepomuceno coordenava essa operação. Em imagens obtidas pelo Ministério Público durante diligências realizadas no mês passado, o delegado aparece deixando a sede da Rio Forte acompanhado de outro homem. Os investigadores afirmam que ele foi visto diversas vezes no local.
A investigação também afirma que o delegado utilizava uma viatura da Polícia Civil para atender aos interesses do esquema.
Franquis como homem de confiança no esquema
Além da atuação na empresa de segurança, o delegado também ocupou funções estratégicas dentro do Instituto Rio Metrópole. Conforme a denúncia, Didê o escolheu para administrar as contas correntes da autarquia.
O delegado de polícia permaneceu na gestão financeira por pouco menos de um mês e, posteriormente, assumiu outros cargos até se tornar diretor de Desenvolvimento do instituto.
Ainda segundo o MP, Franquis e Didê mantiveram uma relação de confiança durante toda a gestão à frente do IRM e permaneceram juntos na administração da autarquia até serem presos na operação que investiga o desvio milionário de recursos públicos.
Com informações da TV Globo.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/rio-metropole-gastou-quase-r-500-milhoes/

