Estátua do Curumim retorna à Lagoa Rodrigo de Freitas após episódios de vandalismo

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Um dos monumentos mais simbólicos da Lagoa Rodrigo de Freitas voltou a fazer parte da paisagem carioca. Após passar cerca de dois meses e meio em restauração, a escultura Curumim foi recolocada nesta sexta-feira (19) em seu tradicional ponto na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A obra precisou ser retirada depois de sofrer ações de vandalismo que danificaram partes importantes da estrutura. O monumento teve o braço esquerdo, a lança e um trecho da perna furtados, exigindo um trabalho minucioso de recuperação antes de retornar ao local.

Filho do criador comandou a restauração do Curumim

A restauração ficou a cargo do artista plástico e escultor Luiz Augusto Correia de Araújo, filho de Pedro Gaspar Jens Correia de Araújo, responsável pela criação do Curumim em 1979 e falecido em 2019.

Para reconstruir os elementos roubados, Luiz contou com uma peça histórica preservada pela família: um protótipo original em pedra-sabão produzido pelo pai antes da fundição da escultura em bronze.

“Graças a esse protótipo eu consegui reproduzir exatamente o braço, a lança e a parte da perna que foram levados. A obra voltou a ficar como meu pai a concebeu há mais de quatro décadas”, afirmou o escultor.

Além do desafio técnico, a restauração teve um significado pessoal para Luiz Augusto. Ele conta que aprendeu o ofício ainda criança, acompanhando o pai no ateliê da família em Ouro Preto, Minas Gerais.

“Foi inevitável reviver lembranças da infância. Enquanto trabalhava, recordava dos momentos em que ajudava meu pai nas esculturas, lixando peças ou buscando materiais. São memórias que permanecem muito vivas”, relatou.

Realocação da estátua exigiu transporte de barco

Com aproximadamente 200 quilos, o Curumim precisou ser levado de barco até a pequena ilhota onde está instalado atualmente.

A escultura ocupa esse espaço desde 2011, quando foi transferida para uma área mais afastada da margem na tentativa de reduzir os frequentes episódios de vandalismo registrados ao longo dos anos.

Criada para homenagear os povos indígenas que habitavam originalmente a região da Lagoa Rodrigo de Freitas, a obra é considerada um dos símbolos mais conhecidos do local.

“Meu pai idealizou o Curumim como uma homenagem aos indígenas que viveram nesta área. Ver a escultura de volta à lagoa tem um significado muito especial”, destacou Luiz.

Prefeitura investiu cerca de R$ 50 mil no restauro da estátua

A recuperação foi realizada pela Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Conservação. O serviço custou aproximadamente R$ 50 mil aos cofres públicos.

Esta é a terceira grande intervenção realizada na escultura desde sua inauguração, há quase cinco décadas.

Apesar da conclusão do trabalho, Luiz Augusto defende a adoção de novas medidas de proteção para evitar futuras depredações. Entre as sugestões estão a instalação de câmeras de monitoramento e o reforço da iluminação no entorno do monumento.

Enquanto celebra o retorno do Curumim à Lagoa Rodrigo de Freitas, o artista também mantém o desejo de ver outra obra criada por seu pai ganhar espaço na cidade: uma escultura feminina inspirada em uma divindade do mar, que atualmente permanece sob sua guarda e nunca chegou a ser instalada em área pública.

Com informações do jornal “O Globo”.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/curumim-volta-lagoa-rodrigo-freitas/

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