Malucos Beleza vão celebrar Raul Seixas no Centro do Rio

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O Centro da cidade vai receber uma pequena multidão de Malucos Beleza neste domingo (28). O bando de loucos, que não é necessariamente corintiano, vai celebrar o aniversário do mítico Raul Seixas, que comemoraria 81 anos na data. A ideia é uma bela caminhada pelas ruas lembrando clássicos e músicas menos conhecidas do cantor e compositor baiano. E é claro que não vão faltar muitas histórias.

“Começamos com um grupo pequeno de amigos, em 2022. Éramos umas 20 pessoas apenas, mas foi uma tarde maravilhosa. Acabei fazendo vários amigos na ocasião”, lembra o vendedor Eder Cotrim, de 63 anos, um dos organizadores da 5ª Caminhada Raulseixista RJ.

Concentração de fãs será na Praça Tiradentes

A concentração dos fãs será às 13h, no Bar Imperatriz, que fica próximo à Praça Tiradentes. A previsão é que caminhada propriamente dita comece às 17h. Mas é bom dar um desconto. Muito maluco junto. Outro horário previsto a se confirmar é o do show de encerramento, com várias atrações, entre elas Cowboys Fora da Lei, Punkeando Raul , Velho Oliveira, Vitoriano Roberto, Mario Mamed, Cachorro Urubu e trechos do espetáculo “Rita/Raul”, que fez sucesso Teatro Rival. As apresentações acontecem na Travessa do Comércio 20, na Praça Quinze, às 18h.

“Já existem várias caminhadas em homenagem a Raul em vários lugares do país. A de São Paulo é a mais forte. Acontece sempre no dia da morte dele. Mas de aniversário acho que só tem a nossa”, comenta Eder, que espera pelo menos 300 pessoas no evento deste ano.

Roteiro lembra caminhada épica de Raul e Paulo Coelho

O roteiro inclui o Mercado das Flores, na esquina das ruas Gonçalves Dias e Rua do Rosário. A escolha é estratégica. Foi de lá que, em 1973, Raul Seixas e o escritor Paulo Coelho deixaram os cariocas sem entender nada ao caminhar e cantar pelas ruas do Centro. A música em questão era “Ouro de tolo”, que questiona a mediocridade da vida destinada apenas ao sucesso financeiro e à estabilidade social. Daí a escolha do centro nervoso da economia do Rio. Era época do lançamento de “Krig-ha, bandolo”, disco que fez o magro abusado baiano estourar nas paradas de sucesso de todo o país.

Uma esperança e força e renascimento no primeiro evento

“Raul sempre foi de quebrar paradigmas”, lembra Eder, que viveu, na primeira caminhada, uma certa experiência de renascimento.

“Eu tinha perdido minha mulher pouco tempo antes. Estava no fundo do poço. Daí surgiu a ideia da caminhada. Lembro que fui de bengala, muito mal mesmo. Fiz amigos, encontrei alguma alegria e agora não largo essa caminhada nunca mais”, conta.

Muita loucura na trajetória para acompanhar o ídolo

Eder se tornou fã de Raul Seixas em 1980, por ocasião do disco “Abre-te Sésamo”. De lá pra cá, viveu poucas e boas para acompanhar a trajetória do artista baiano. Em certa ocasião, sem dinheiro da passagem, andou a pé do Ibirapuera, em São Paulo, até Santo André. Mas a missão de ver o ídolo estava cumprida.

“Uma vez escapei de me machucar feio, de morre até. Raul faltou a um show numa boate em Santo André, e o quebra-quebra começou. Sorte minha que saí logo no início. Mas o que ninguém diz é que o DJ da boate foi quem começou a confusão, falando o diabo do Raul depois do anúncio de que ele não iria”, lembra.

Mas nem sempre foi tão perrengue assim. Em 1981, no meio de um lamaçal, Eder viu Raul Seixas chegar de botas de cano alto, num trator vermelho, e fazer o que foi considerado o grande show do Festival de Águas Claras, considerado o Woodstock Brasileiro.

Presenças ilustres da trajetória do roqueiro baiano

A caminhada este ano deve ter presenças ilustres, entre elas Tânia Menna Barreto, casada com Raul por três anos. Com ele, compôs músicas marcantes para os fãs como “Mata virgem” e “Baby”. Outra grande figura esperada é o guitarrista Rick Ferreira, que acompanhou praticamente toda a trajetória de Raul no estúdio. Rick já estava lá, em 1974, no sucesso “Gita”. O lendário guitarrista é até citado pelo Maluco Beleza numa canção. Em “Quando acabar o maluco sou eu”, de 1987, Raul dispara um “Larga, Rick!”, seguido por um solo do guitarrista.

As caminhadas temáticas envolvendo Raul Seixas acontecem em boa parte do país. Tem em Mauá (SP), Natal (RN), Belém (PA), Ilha do Mel (PR) e São Thomé das Letras (MG). Esta última deve ser o bicho (grilo)! Capaz até de aparecerem os famosos “moços do disco voador”, de que Raul tanto falava.

Idolatria que atravessa fronteiras pelo mundo todo

E a mística extrapola fronteiras. A cantora argentina Lara Voo não estará presente desta vez por falta de agenda, mas é uma das incentivadoras da caminhada. Ela conheceu a obra de Raul quando morava no Brasil. Seus pais saíram da Argentina fugindo da ditadura. Desde criança cantava Raul e, mais tarde, ganhou um concurso na Argentina cantando “Meu amigo Pedro”. A gravação, de alguma forma, chegou ao Raul Rock Club, o fã-clube oficial do cantor baiano. De lá para cá, o contato se estreitou:

“Já cantei Raul em vários lugares do mundo, como Cuba. Na Alemanha, cantei uma e alguém na plateia começou a gritar ‘Toca Raul’”, diverte-se a cantora, que deve vir ao Brasil para apresentar músicas do seu ídolo no fim do ano.

A cantora argentina Lara Voo é uma das incentivadoras da Caminhada Raulseixista RJ e mantém viva a obra de Raul Seixas em apresentações pelo Brasil e exterior. — Foto: Divulgação

A ligação de Raul Seixas com a Argentina vem de longe. Em um dos seus clássicos. “Sociedade alternativa”, diz que todo mundo pode “discutir Carlos Gardel”. O baiano também gravou “Cambalache”, versão para um clássico do argentino Enrique Santos Discépolo, em 1934.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/malucos-beleza-raul-seixas-centro/

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