Ao longo de mais de uma década, Tatiana Verçosa percorre os corredores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) como quem conhece cada detalhe de um caminho antigo. Terceirizada alocada na Subdiretoria Geral de Informática, ela viu a Casa legislativa se transformar e, em 2021, se mudar para o moderno Edifício Lúcio Costa. Foi nessa transição que um detalhe no trajeto cotidiano plantou uma semente que viria a se tornar uma iniciativa importante na instituição.
Durante o caminho para o trabalho, Tatiana se deparou com um coletor de reciclagem instalado na gráfica da Praça da Carioca. O objeto, à primeira vista comum, guardava um propósito que chamou sua atenção: tampinhas de garrafa pet e lacres de latas de alumínio eram reunidos ali para, depois de vendidos, financiar a compra de cadeiras de rodas destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Esse foi seu primeiro contato com o Projeto Reciclando por Amor, uma iniciativa que existe desde 2018 no Estado do Rio e une preservação ambiental e solidariedade.
Com uma determinação discreta de quem acredita no poder dos pequenos gestos, ela instalou um coletor idêntico no vigésimo oitavo andar do Edifício Lúcio Costa, sede do Parlamento fluminense, convidando servidores e terceirizados de todos os departamentos a fazerem parte da corrente. O que nasceu de uma observação pessoal foi se tornando, aos poucos, parte da cultura da Casa. Separar a tampinha ou o lacre antes de descartar deixou de ser exceção para se tornar rotina, um hábito coletivo construído aos poucos.
Os resultados confirmam essa história. De 2021 até maio deste ano, a campanha permanente já reuniu cerca de 145 quilos de tampinhas de garrafa pet e 25 quilos de lacres de latas de alumínio. A cada aproximadamente três meses, o coletor é esvaziado. O material segue para a gráfica localizada na Carioca, parceira que integra a logística da coleta, até a Paróquia Santa Rosa de Lima, no Jardim América. O santuário é ponto de apoio do Projeto Reciclando por Amor, onde o ciclo se completa e a cadeira de rodas chega a quem precisa.
Perto do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, Tatiana reflete sobre o que essa corrente representa. “Não custa nada separar a sua tampinha ou lacre na hora que você está utilizando. Essa ação faz muito bem para a questão ambiental, com a destinação correta do que poderia se tornar lixo, além de ajudar pessoas que precisam de cadeiras de rodas”, afirma. O convite segue aberto. “Esse é um projeto contínuo. Os servidores podem chegar aqui, colocar nos dois recipientes e participar”, diz a servidora.
Política Estadual de Educação Ambiental é lei criada na própria Casa
A iniciativa de Tatiana reflete para além do prédio da Alerj e dialoga diretamente com um compromisso que o próprio Parlamento Fluminense assumiu há mais de duas décadas. Em 1999, a Assembleia aprovou a Lei 3.325, instituindo a Política Estadual de Educação Ambiental.
A norma define educação ambiental como o conjunto de processos pelos quais cidadãos constroem valores sociais, conhecimentos e atitudes voltados à conservação do meio ambiente. A lei estabeleceu pilares estruturantes: a compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas dimensões; a educação continuada, com presença permanente da temática ambiental em todos os níveis e modalidades do processo educativo; e a participação social ativa, com estímulo ao engajamento de comunidades e organizações na defesa do meio ambiente.
Ao consolidar a campanha de reciclagem no cotidiano da Casa, Tatiana dá vida ao espírito dessa lei. Cada tampinha depositada no coletor é, ao mesmo tempo, um ato de responsabilidade ambiental, um gesto de cuidado com o próximo e a prova de que a educação ambiental se constrói também nos pequenos hábitos.
Fonte: Alerj


