Artista e vereadora denunciam violação em obra com bandeira do Brasil imersa em ervas na Câmara do Rio

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Uma obra de arte que contava com uma bandeira do Brasil imersa em uma bacia de ervas, no saguão do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara do Rio, foi alterada na última quinta-feira (21). A representação da bandeira nacional foi retirada da instalação sem qualquer tipo de comunicado oficial e sem consulta prévia à artista responsável.

A vereadora Monica Benicio (PSOL) enviou um ofício ao gabinete da presidência cobrando explicações sobre a suposta violação, enquanto o LabFoto UERJ, responsável pela exposição, emitiu um comunicado sobre o que chamou de “ato de censura”.

Em nota ao TEMPO REAL, a Câmara dos Vereadores disse que a obra estava “incompatível com normas relacionadas ao uso de símbolos nacionais em um espaço público institucional”.

Exposição na Câmara retrata mães que perderam seus filhos para violência

A obra alterada, intitulada “Mãe-Preta-Erveira”, faz parte da exposição “Amamentamos Esse País”, da artista Marina Silva Alves. Ela é composta por uma fotografia de uma mãe segurando o retrato 3×4 de seu filho, morto pela violência do Estado, e por uma bacia com a imersão de uma impressão da bandeira do Brasil em banho de ervas, como os realizados por religiões de matriz africana e indígena.

A exposição “Amamentamos esse País” foi levada para a Câmara do Rio no contexto do Dia das Mães, celebrado em maio, e tem como objetivo prestigiar mães negras que perderam seus filhos por causa da violência.

Vereadora do PSOL relata desentendimento com a presidência da Casa

Na sexta-feira (22), Monica Benicio encaminhou um ofício à presidência da Casa para pedir explicações sobre a retirada da bandeira do Brasil da instalação.

Segundo parlamentar, o problema se iniciou na quarta (20), quando recebeu um contato extraoficial da presidência da Câmara, solicitando a retirada da bandeira da peça. De acordo com o comunicado, alguns parlamentares teriam se sentido ofendidos.

A vereadora encaminhou à presidência a descrição da peça, em que era explicado que ela não ofendia a bandeira nacional e que se tratava na verdade de uma homenagem às tradições africanas e indígenas. A simbologia da obra, segundo a parlamentar, está relacionada aos rituais de cura de tais religiosidades.

“A exposição como um todo traz uma reflexão sobre a violência sofrida pelas famílias negras no Brasil, que são resultado da institucionalização do racismo na construção da nossa sociedade”, explicou a vereadora.

Apesar do comunicado, a bandeira foi retirada da obra de arte sem novos avisos à Monica Benicio ou à Marina Silva Alves, fotógrafa responsável pela exposição, na manhã da última quinta (21).

Grupo de artistas repudiou a retirada da bandeira

O LabFoto UERJ, da qual Marina S. Alves faz parte, emitiu um comunicado repudiando a retirada da bandeira da instalação. “Acreditamos que os espaços estatais deveriam ser os primeiros a servir como exemplo de conduta”, destaca a nota.

O texto ainda disse ser “preocupante” o modo como se deu o “ato de censura”, afirmando ser uma “evidente falta de respeito à artista”.

“Do mesmo modo que é garantida a liberdade de cátedra aos professores e a liberdade de expressão aos vereadores, guardadas as especificidades éticas de cada um desses lugares, é necessário que também seja garantida a liberdade de expressão aos artistas.”, ressalta o comunicado.

O que diz a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro

A Câmara do Rio explicou em nota enviada ao TEMPO REAL que o obra sofreu alteração depois de aprovada pelo Centro Cultural, sem conhecimento do próprio, e que a alteração poderia ser interpretada de maneira “incompatível com normas relacionadas ao uso de símbolos nacionais em um espaço público institucional”. Confira na íntegra:

“A Câmara Municipal do Rio respeita plenamente a liberdade de manifestação artística e cultural.

No caso da exposição em questão, porém, houve alteração posterior em uma obra sem conhecimento do Centro Cultural da Câmara, setor responsável pela curadoria das exposições. Diante da modificação, houve entendimento interno de que um dos elementos da instalação poderia gerar interpretação incompatível com normas relacionadas ao uso de símbolos nacionais em um espaço público institucional, motivo pelo qual foi feita uma adequação pontual.”



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/artista-denuncia-violacao-obra-camara/

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