Decisão da prefeitura pelo fim do pagamento em dinheiro nos ônibus municipais domina o debate em audiência pública na Câmara do Rio

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A decisão da Prefeitura do Rio de acabar com o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais a partir de 30 de maio dominou a audiência pública da Comissão de Transportes e Trânsito da Câmara realizada nesta terça-feira (19).

Durante a audiência, o vereador Fabio Poubel (PL) questionou a transição e disse que a população está sendo empurrada para um sistema que ainda gera insegurança. “Nem todo mundo tem internet, nem todo mundo tem celular”, afirmou.

Ele também lembrou o caos da implantação do Jaé e cobrou a volta dos cobradores. “Sabe por que não voltam? Porque não é benefício para os empresários. E quem sofre sempre é a população”, declarou.

O presidente da comissão, Marcelo Diniz (PSD), concentrou a cobrança na falta de estrutura em áreas fora dos eixos de BRT e VLT, citando o caso de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Ele sugeriu que a prefeitura amplie os pontos de venda para dentro das comunidades e também integre lotéricas ao sistema de recarga.

Cartão Jaé vai passar a ser vendido em bancas de jornal no Rio

No debate, o secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, confirmou que o cartão Jaé passará a ser vendido também em bancas de jornal e que a rede de atendimento chegará a 1.340 pontos de compra e recarga a partir desta sexta-feira (22). A mudança, porém, abriu nova frente de desgaste político.

A vereadora Alana Passos (PL), por exemplo, apresentou representação ao Ministério Público contra a medida da prefeitura, questionando os efeitos da retirada do dinheiro vivo sobre passageiros mais vulneráveis.

Ao defender a medida, Arraes afirmou que o Rio não está criando nada “fora da curva”. Segundo ele, outras capitais já adotam modelo semelhante e a prefeitura apenas acompanha uma tendência de digitalização do transporte. Na apresentação levada à audiência, a Secretaria alegou que o fim do dinheiro embarcado agiliza o embarque, reduz a exposição a assaltos, furtos e fraudes, melhora a regularidade das viagens e aumenta a rastreabilidade da arrecadação, citando ainda as experiências já em operação no VLT, no BRT, em linhas da Conexão BRT e na linha 634.

Segundo a prefeitura, o passageiro ainda poderá usar dinheiro em espécie para recarregar o Jaé em ATMs, bilheterias do BRT e terminais e nos postos espalhados pela cidade. A Secretaria informou a existência de 250 ATMs, 90 bilheterias e 700 pontos de recarga ativos, além da ampliação para 1.340 pontos de compra e recarga com a entrada das bancas credenciadas.

Cartão verde do Jaé vai deixar de fazer integração com Bilhete Único

Outro ponto confirmado na audiência foi que, a partir de 30 de maio, o cartão verde do Jaé, que pode ser usado de forma avulsa, vai deixar de fazer integração com o Bilhete Único Carioca (BUC) e com o Bilhete Único Margaridas (BUM).

A orientação é que os passageiros que usam o cartão verde do Jaé para integração criem uma conta digital no aplicativo do sistema para solicitar o cartão preto ou usem o QR Code. A justificativa da prefeitura é combater fraudes, especialmente o esquema conhecido como “janelinha”, em que passageiros usam cartões emprestados por criminosos para driblar a tarifa subsidiada.

Também há expectativa de que o cartão avulso passe a ser usado com mais frequência por turistas, já que não exige um cadastro completo.

Subsídio das vans fica para 2027

Se no caso dos ônibus a prefeitura acelerou o cronograma, no transporte complementar a resposta foi outra. Arraes deixou claro que a discussão sobre subsídio para vans e “cabritinhos” ficará para o próximo ano, dentro da nova modelagem do Sistema Rio.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/audiencia-publica-camara-do-rio-onibus/

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