Nas redes sociais, Caio ostentava uma rotina de luxo, com registros de viagens, festas, passeios de helicóptero e jet-ski. De acordo com os investigadores, o grupo criminoso atuava desde 2020 prometendo altos rendimentos mensais a investidores e utilizando empresas de fachada para dar aparência de legalidade às operações financeiras.
As investigações apontam que o esquema causou prejuízo milionário às vítimas e teria movimentado cerca de R$ 50 milhões. Há pelo menos 165 ações judiciais e registros de ocorrência relacionados ao caso. Segundo a polícia, os investigados prometiam retorno de aproximadamente 3% ao mês. Nos primeiros meses, os pagamentos eram feitos normalmente para gerar confiança nas vítimas, que depois eram incentivadas a reinvestir valores maiores e indicar novos participantes. Com o passar do tempo, no entanto, os saques eram bloqueados.
A Polícia Civil afirma que o grupo operava no modelo conhecido como esquema Ponzi, em que os lucros pagos aos investidores antigos vinham do dinheiro aplicado por novos participantes. Para manter a aparência de um negócio regular, os investigados teriam criado 19 empresas de fachada, ligadas principalmente aos grupos LGO e A&C, todas registradas no mesmo endereço, na Rua da Assembleia, no Centro do Rio.
Segundo os agentes, as empresas não possuíam autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado financeiro e operavam fora do sistema oficial, apesar de oferecerem investimentos ao público.
A prisão de Caio é um desdobramento da operação realizada no mês passado pela Delegacia de Defraudações, quando foram expedidos 11 mandados de prisão contra integrantes da organização criminosa. Na ocasião, Igor Aguiar Rodrigues Gonçalves, apontado como integrante do núcleo comercial do esquema e responsável pela captação e manutenção das vítimas, foi preso. Já Luiz Gustavo de Oliveira Fernandes, descrito como parceiro dos líderes do golpe, já estava encarcerado.
As investigações começaram em 2022 e resultaram na denúncia dos 11 investigados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pelos crimes de organização criminosa, estelionato e crimes contra a economia popular. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa da Capital.
De acordo com a Polícia Civil, seguem foragidos Bruno Facão de Carvalho e Douglas de Assis Viana, apontados como chefes do esquema, além de Daniel Sérgio de Assis, João Pedro Rocha de Faria, Mário José do Nascimento, Mayara Cristina Oliveira de Souza, Rafhael Marinho Mashio e Victor Hugo Ferreira de Souza Vieira.
A DDEF informou que as investigações continuam para localizar os demais integrantes da organização e tentar recuperar os ativos desviados das vítimas.

