Grupo que vendia armas impressas em 3D para facção é alvo da polícia

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1 de 1 Operação PCERJ - Foto: Material cedido ao Metrópoles


A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, deflagrou nesta quinta-feira (12/03) a Operação Shadowgun, uma ofensiva nacional contra um esquema interestadual de produção e venda de material bélico impresso em 3D.

A ação é conduzida pela 32ª DP (Taquara) e cumpre quatro mandados de prisão em São Paulo e 32 mandados de busca e apreensão em 11 estados, em endereços ligados a integrantes do grupo e a compradores do material.

Segundo os investigadores, os alvos são suspeitos de produzir e comercializar carregadores de armas de fogo por meio de impressoras 3D, tecnologia que permite fabricar peças sem rastreabilidade.

A operação conta ainda com cooperação de organismos internacionais.

“Armas fantasmas”

As investigações apontam a existência de um grupo estruturado dedicado à produção e disseminação de armamentos impressos em 3D, conhecidos como “armas fantasmas”, por não possuírem número de série ou controle oficial.

As diligências começaram após um alerta internacional enviado ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) sobre um usuário de rede social suspeito de desenvolver e comercializar armamentos desse tipo.

Os investigadores identificaram que o líder da organização é um engenheiro especializado em controle e automação, responsável pelo desenvolvimento técnico do armamento.

Utilizando pseudônimos, ele publicava testes balísticos, atualizações de design e orientações técnicas sobre calibração, materiais de impressão e montagem das armas.

Manual com mais de 100 páginas

Segundo a investigação, o engenheiro produziu um manual com mais de cem páginas, explicando passo a passo como fabricar as armas.

O documento detalhava desde a impressão das peças até a montagem final, permitindo que qualquer pessoa com conhecimento intermediário em impressão 3D pudesse produzir o armamento em poucas semanas, utilizando equipamentos relativamente baratos.

O principal produto divulgado pelo grupo é uma arma semiautomática construída com peças impressas em 3D e componentes não regulamentados.

Além do manual técnico, o material também era acompanhado de um manifesto ideológico defendendo o porte irrestrito de armas.

Os arquivos circulavam em redes sociais, fóruns especializados e na dark web, criando um ecossistema clandestino voltado à produção de armamentos não rastreáveis.

Estrutura do grupo

A investigação identificou ainda três comparsas que atuavam diretamente na operação do esquema, todos alvos dos mandados de prisão.

Cada integrante possuía uma função específica na estrutura criminosa:
• um responsável pelo suporte técnico aos usuários;
• outro que atuava como divulgador e articulador ideológico do movimento;
• e um terceiro responsável pela propaganda e identidade visual da rede.

Segundo os investigadores, o grupo combinava conhecimento em engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e a disseminação das armas clandestinas.

Venda para facções e criminosos

As apurações indicam que o grupo produzia armamentos no Brasil e comercializava o material pela internet, além de oferecer consultoria técnica.

A investigação aponta que a rede abastecia facções criminosas e facilitava o acesso de grupos extremistas à tecnologia, utilizando criptomoedas para financiar as atividades.

O principal alvo da operação produzia carregadores alongados para pistolas de diversos calibres em sua própria residência e vendia as peças em plataformas on-line.

Entre 2021 e 2022, o material foi negociado com 79 compradores.

Nos anos seguintes, segundo a polícia, as negociações passaram a ocorrer em outros canais digitais e plataformas clandestinas.

Os compradores identificados estão espalhados por 11 estados brasileiros, e muitos deles possuem antecedentes criminais ligados ao tráfico de drogas e a outros crimes graves.

A Polícia Civil apura agora o destino final do material no estado, que pode ter abastecido grupos ligados ao tráfico de drogas e à milícia.

Um dos compradores já está preso, após ter sido capturado em flagrante com grande quantidade de armas e munições.

Ações no Rio

Durante a operação desta quinta-feira, agentes da 32ª DP cumprem seis mandados de busca e apreensão no estado do Rio, em endereços ligados aos compradores.

As diligências ocorrem em cidades do interior e da Região dos Lagos, além de endereços no Recreio dos Bandeirantes e na Barra da Tijuca, na capital.

A ação conta com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, e equipes da Polícia Civil também atuam em São Paulo, onde são cumpridos os mandados de prisão contra o líder do grupo e seus três comparsas.



Com informações da fonte
https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/grupo-que-vendia-armas-impressas-em-3d-para-faccao-e-alvo-da-policia

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