Mensagens interceptadas ao longo da investigação mostram que o endereço do hangar era compartilhado com membro do grupo para coordenar a entrega de quantias em dinheiro. Em um dos episódios citados, há a indicação do repasse de R$ 50 mil em espécie. De acordo com o documento, os portadores deveriam procurar um investigador específico, “aproveitando-se do seu acesso facilitado à unidade de elite da Polícia Civil”.
O Ministério Público afirma que o caso revela “audácia e certeza de impunidade”, uma vez que os pagamentos teriam ocorrido tanto por meio de transferências via Pix quanto em mãos, dentro das próprias instalações policiais.
As apurações se basearam principalmente na análise de materiais apreendidos — especialmente telefones celulares — durante a Operação Recidere, deflagrada em 2023 pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Federal, o esquema também envolvia a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vale-alimentação para ocultar pagamentos de propina a policiais civis e lavar recursos oriundos do tráfico de drogas.
O mecanismo utilizava estabelecimentos comerciais fictícios para registrar compras que nunca ocorreram. Com isso, valores eram transformados em saldo em cartões de benefícios, dificultando o rastreamento das transações.
Entre os citados como operadores financeiros do grupo estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, que já foram investigados na Operação Lava Jato.
A Justiça decretou a prisão de 11 investigados e autorizou o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos e às empresas usadas no esquema. Os alvos incluem residências, escritórios de advocacia e sedes de delegacias onde os policiais investigados estavam lotados, como o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o 16º Distrito Policial.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e declarou que “a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.

