A aprovação do título de cidadã niteroiense para a cantora Ludmilla terminou em bate-boca e troca de acusações na Câmara Municipal de Niterói, nesta terça-feira (3). A proposta, defendida pela vereadora Benny Briolly (PSOL), foi aprovada por 8 votos a 6, mas a sessão foi marcada por declarações polêmicas da vereadora Fernanda Louback (PL).
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— Impressionante que hoje parece que é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido… Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada — disse Louback da tribuna, acirrando os ânimos no plenário.
A fala gerou reação imediata de outros parlamentares. O clima esquentou ainda mais quando Louback fez referência à aparência da colega.
— Sabe o que é engraçado? Defende tanto o povo negro, e olha a cor do cabelo, hoje — afirmou Louback, em menção ao cabelo de Benny.
Vereadora bolsonarista critica homenagem à cantora Ludmilla
Após a fala, as duas discutiram de forma mais ríspida. Louback exigiu respeito, e parlamentares intervieram para conter a escalada do confronto. Assessores precisaram se aproximar para evitar que a discussão evoluísse para agressões físicas. A sessão foi encerrada na hora.
A votação ocorre semanas depois de Louback e outros parlamentares do PL questionarem o show de Réveillon de Ludmilla na Praia de Icaraí. A crítica se baseou na execução da música “Verdinha”, lançada em 2019, que, segundo a vereadora, faria referência ao consumo de maconha.
O episódio foi associado à recém-sancionada Lei Municipal 4.097/2025, apelidada de “Lei Anti-Oruam”, que proíbe o uso de recursos públicos para contratar ou divulgar espetáculos abertos a crianças e adolescentes que façam apologia ao crime ou às drogas. Louback, autora do projeto, sustentou que a apresentação poderia ter descumprido a norma.
À época, Benny saiu em defesa da cantora e criticou o que chamou de “pânico moral” e tentativa de criminalização de expressões culturais das periferias.
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Na sessão que aprovou o título, Benny argumentou que Ludmilla é uma das artistas brasileiras de maior projeção internacional e que sua trajetória rompe barreiras sociais e raciais, servindo de referência para jovens, especialmente mulheres negras e LBTs. Para a vereadora, a homenagem reconhece não apenas o sucesso artístico, mas a relevância cultural da cantora.
Louback manteve a posição contrária, afirmando que a artista teria afrontado valores defendidos pela lei municipal e que o reconhecimento seria inadequado diante das controvérsias recentes.
Apesar do ambiente tenso e das tentativas de obstrução, a proposta foi aprovada por maioria simples. Com isso, Ludmilla receberá oficialmente o título de cidadã niteroiense em data a ser marcada.

