STF mantém prisão de Thiago Rangel após PF descobrir intimidação à secretária de Educação

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O ex-deputado estadual Thiago Rangel teve pedido de liberdade negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a Polícia Federal descobrir indícios de intimidação enviadas pelo político à nova secretária de Educação.

Segundo conversas obtidas pelos investigadores, o ex-parlamentar planejava outras ameaças a rivais políticos.

Thiago Rangel está preso desde o começo de maio, sob a acusação de chefiar um esquema de fraudes em obras em escolas da rede estadual de Educação. Ele foi detido pela PF por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a Polícia Federal, obras em escolas nas regiões sob influência do deputado eram direcionadas para empresas ligadas ao grupo criminoso.

Descobertas de intimidação

O esquema de reformas sob suspeita de superfaturamento, que consumiu mais de R$ 1 bilhão em contratos marcados pela falta de transparência, veio à tona no início do ano. Após a repercussão do caso, o governo do estado promoveu mudanças no comando da secretaria, com a saída de Roberta Barreto e a nomeação de Luciana Calassa para a chefia da pasta.

Luciana teria sido procurada por Thiago Rangel pouco tempo depois de assumir o cargo. Segundo a PF, na véspera de ser preso, o então deputado mandou mensagens para ela com cobranças em tom de ameaça, depois de uma série de demissões na secretaria.

“Boa tarde, secretária. A indicação do Noroeste partiu do deputado Jair Bittencourt. Só estou passando para lhe dizer que, além da falta de respeito, isso não vai ficar assim. Desculpe o desabafo, mas quem fez errou muito”, diz Thiago em mensagem divulgada pelos agentes.

Ele se referia à perda de cargos nas diretorias regionais de Educação do Norte e Noroeste Fluminense. As mudanças foram mantidas pela nova secretária, que também prestou depoimento à Polícia Federal para esclarecer o conteúdo das mensagens.

Em áudios obtidos pela investigação, Thiago Rangel dava ordens à então diretora regional do Noroeste, Júscia Gomes de Souza Figueiredo, que também está presa: “tudo o que acontecer dentro da regional eu quero saber. E eu não tenho que dar satisfação a ninguém, porque o deputado sou eu, a indicação é minha e quem manda sou eu”.

Outras ameaças

Outras conversas divulgadas mostram também como o grupo liderado pelo ex-deputado agia diante de desavenças.

Em 2021, quando ainda exercia o mandato de vereador em Campos dos Goytacazes, Thiago Rangel recebeu de seu assessor e aliado político Fábio Azevedo uma publicação em rede social com críticas à sua atuação parlamentar.

Na conversa entre eles, Rangel aparece dizendo que vai “dar um jeito nele [autor da publicação]”, perguntando o endereço para “mandar uma surpresa”.

Fábio Azevedo respondeu dizendo que vai dar um jeito de descobrir.

“Depois de 12 tiros no portão, o recado está dado”, disse Thiago Rangel, segundo divulgação da conversa.

Em outra conversa, Fábio Azevedo elabora um plano para atacar alguém: “Ninguém vai matar ele, fazer nada. Ele vai tomar um bote. E esse bote o moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele, o cara vai ter que pedir para sair”.

Fraudes na Educação

Rangel e outros seis suspeitos são investigados por suposta participação em um esquema criminoso que envolve fraudes na compra de materiais e execução de obras na Secretaria Estadual de Educação, além de suspeitas de corrupção envolvendo a indicação de cargos políticos e fiscalizações de postos de combustíveis.

Ele perdeu o mandato na Assembleia Legislativa do Rio, vaga que foi ocupada por Wellington José, primeiro suplente do partido Podemos.

Ao se manifestar sobre o pedido de liberdade de Thiago Rangel, a Procuradoria-Geral da República sustentou que a gravidade dos crimes investigados e o risco de continuidade das condutas ilícitas, além da possibilidade de interferência na instrução processual, justificam a manutenção da prisão preventiva.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/stf-prisao-thiago-rangel-pf-intimidacao/

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