Rio de Janeiro reforçou as ações de prevenção, monitoramento e resposta a eventos climáticos extremos diante da possibilidade de intensificação do El Niño nos próximos meses. As projeções apresentadas nesta segunda-feira (20) apontam 81% de probabilidade de ocorrência de um fenômeno muito forte entre outubro e dezembro, com possíveis reflexos durante o verão.
Entre os efeitos esperados estão períodos de temperaturas acima da média e alterações no regime de chuvas. A preparação envolve mais de 50 órgãos e agências municipais, com monitoramento em tempo real, protocolos operacionais e intervenções voltadas à prevenção de alagamentos, deslizamentos e impactos provocados pelo calor intenso.
O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) mantém acompanhamento permanente das condições meteorológicas por meio de radares, pluviômetros, estações meteorológicas e sistemas de monitoramento de núcleos de chuva, raios e riscos de deslizamento. A cidade também conta com alertas geolocalizados pelo sistema Cell Broadcast, enviados a celulares em áreas sob risco.
Para os períodos de calor, está em vigor desde 2024 o Protocolo de Calor, que classifica os riscos em cinco níveis, do Calor 1 ao Calor 5. A avaliação considera o índice de calor, que reúne temperatura e umidade relativa do ar, além da duração das condições e das previsões para os três dias seguintes.
A estratégia prevê comunicação de risco, orientação à população e preparação da rede de saúde, com atenção a crianças, idosos e pessoas em situação de rua. Os indicadores meteorológicos, epidemiológicos e assistenciais são acompanhados de forma integrada para orientar medidas preventivas e a mobilização de serviços públicos.
No enfrentamento às chuvas, a Defesa Civil dispõe de 165 sirenes instaladas em 103 comunidades, 225 pontos de apoio e protocolos para interdição preventiva de vias em situações de chuva, ventos fortes ou ressaca. Desde 2014, foram realizados 869 simulados de desocupação em comunidades situadas em áreas de risco.
As ações de manutenção urbana incluem limpeza da rede de drenagem, desassoreamento de rios e canais, poda de árvores e manutenção de encostas. Em 2026, a Operação Ralo Limpo atuou em mais de 28,7 mil bueiros e 22,4 mil tampões, enquanto a limpeza de rios e canais retirou cerca de 257 mil toneladas de resíduos de aproximadamente 70 quilômetros de cursos d’água.
Também estão em andamento obras de infraestrutura voltadas à redução de alagamentos. Entre elas, estão intervenções do PAC em Realengo, Acari e Jardim Maravilha, além da previsão de implantação do túnel hidráulico do Rio Maracanã. Na área de contenção de encostas, o PAC Encostas reúne investimentos de R$ 258 milhões, com previsão de ampliar a segurança de cerca de 60 mil pessoas em áreas de risco.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial e pode modificar padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta. No Rio, o fenômeno pode contribuir para a ocorrência de calor acima da média e mudanças na intensidade e distribuição das chuvas.v


