Rio para de novo: trabalhador fica a pé enquanto a crise do transporte vira rotina na capital

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O roteiro se repete. O carioca acorda cedo, chega ao ponto de ônibus e descobre que terá mais um dia de sofrimento para conseguir trabalhar. A greve dos rodoviários, iniciada nesta segunda-feira (29), transformou novamente o direito de ir e vir em um verdadeiro teste de resistência.

O problema já deixou de ser apenas uma disputa entre empresas e trabalhadores. Cabe à Prefeitura do Rio, como poder concedente do serviço, fiscalizar as concessionárias, exigir o cumprimento dos contratos e garantir a continuidade da mobilidade urbana. No entanto, o histórico mostra que, apesar das mudanças anunciadas, a cidade continua sendo refém de sucessivas crises no sistema de ônibus.

O alerta não surgiu da noite para o dia. Em 11 de junho, os rodoviários aprovaram o estado de greve. Em 25 de junho, o sindicato notificou oficialmente a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Transportes, o Rio Ônibus e os consórcios Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz de que a paralisação começaria no dia 29 caso não houvesse acordo. Mesmo com dias para preparar um plano capaz de reduzir os impactos, a cidade amanheceu mergulhada no caos.

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Embora a Justiça tenha determinado a circulação mínima de 50% da frota, centenas de ônibus permaneceram nas garagens. Segundo o Rio Ônibus, apenas cerca de 800 veículos saíram para as ruas, quando aproximadamente 1.800 deveriam estar em operação. O resultado foi o de sempre: pontos lotados, trabalhadores perdendo o horário, estudantes sem conseguir chegar às escolas e milhares de passageiros obrigados a gastar mais com transporte por aplicativo.

A atual gestão implantou o Sistema Rio, prometendo reorganizar a operação, ampliar o controle sobre as concessionárias e modernizar o transporte. Entretanto, a nova greve reforça que, na prática, o principal objetivo de qualquer sistema de mobilidade — garantir que o cidadão consiga sair de casa e chegar ao destino — continua longe de ser alcançado.

Enquanto sindicato, empresas e poder público trocam responsabilidades, quem paga a conta continua sendo o trabalhador. Afinal, quando o transporte entra em colapso, não é o prefeito, nem os empresários, nem os dirigentes sindicais que ficam horas no ponto. É o cidadão que depende do ônibus para colocar comida na mesa. Procurada, a prefeitura não se manifestou até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para pronunciamento oficial.



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/cidades/29/06/2026/rio-para-de-novo-trabalhador-fica-a-pe-enquanto-a-crise-do-transporte-vira-rotina-na-capital

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