Vendido há anos como vitrine internacional, cartão-postal global e uma das cidades mais desejadas do planeta, o Rio de Janeiro apareceu apenas na 11ª colocação entre as capitais brasileiras no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). Com 67 pontos, a capital fluminense ficou atrás de cidades como Curitiba, Brasília, São Paulo, Campo Grande, Belo Horizonte e Goiânia.
O dado joga luz sobre um contraste que o morador conhece bem no dia a dia: a imagem exportada do Rio nem sempre combina com a experiência real de quem enfrenta transporte precário, insegurança, desordem urbana e serviços públicos irregulares longe da paisagem de cartão-postal.
O levantamento avalia os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, usando dados de fontes públicas como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas. Diferentemente do PIB, o índice tenta medir se a vida concreta da população melhora de fato.
Entre as capitais, o topo do ranking ficou com Curitiba (71,29), seguida por Brasília (70,73), São Paulo (70,64), Campo Grande (69,77), Belo Horizonte (69,66) e Goiânia (69,47). O Rio aparece depois também de Palmas, Florianópolis, João Pessoa e Cuiabá, antes de Porto Alegre e das demais capitais do bloco intermediário.
No ranking das unidades da federação, o quadro também não coloca o estado do Rio em posição de destaque. Com 63,47 pontos, o território fluminense aparece em 9º lugar, atrás de Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.
A fotografia do IPS reforça uma percepção que já circula com força entre os próprios cariocas: o Rio continua forte na propaganda, mas perde terreno quando o critério deixa de ser paisagem e passa a ser qualidade de vida. Porque morar na cidade é uma coisa. Vender a cidade, outra bem diferente.
O estudo mostra ainda que o avanço nacional foi tímido. A média do Brasil ficou em 63,40 ligeiramente acima dos 63,05 de 2025. Ou seja: houve melhora, mas em ritmo lento.
Na prática, mesmo com toda a vitrine internacional, a capital ainda não consegue converter visibilidade em desempenho social. Para o morador, isso não chega como surpresa. Basta sair da zona da publicidade e entrar na rotina.

