Convocado pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, Neymar sofreu um edema na panturrilha direita e gera preocupação para a seleção brasileira, segundo o blog do Diogo Dantas, do GLOBO. A dúvida não chega a ser uma novidade para a Amarelinha, que, desde 1970, já precisou fazer 16 cortes inesperados da lista por lesão.
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Pela regra, a Fifa permite a mudança na lista de inscritos da convocação oficial até 24 horas antes da estreia da respectiva seleção no Mundial — a do Brasil será no dia 13 de junho, contra Marrocos —, mediante a apresentação de um laudo médico que comprove a lesão ou doença. O substituto precisa estar na pré-lista de 55 nomes que foi entregue na semana passada à Fifa.
- Cortado: Edmílson (Barcelona)
- Substituto: Mineiro (São Paulo)
A última vez que o Brasil alterou uma lista oficial entre a convocação e o início da Copa do Mundo foi na Copa da Alemanha, em 2006. O volante Edmílson sofreu uma lesão no menisco lateral do joelho direito quando já estava na Alemanha. Em declaração à imprensa, o atleta disse que não conseguiria ficar no grupo lesionado.
— Não aguento ficar aqui. Quando estou em algo, sempre estou 100%, de corpo e alma. Nem sei se eu conseguiria dormir direito no hotel. Saber que você está fora é complicado — disse o atleta, que foi substituído pelo ex-volante Mineiro, do São Paulo.
Coreia do Sul e Japão (2002)
- Cortado: Emerson (Juventus)
- Substituto: Ricardinho (Corinthians)
Na Copa de 2002, o Brasil sofreu uma baixa de última hora que exigiu uma ação rápida de Luiz Felipe Scolari. A 24 horas da estreia na competição, a seleção brasileira levou a delegação ao estádio Ulsan (Coréia do Sul) para realizar o reconhecimento do gramado antes do duelo contra a Turquia, o primeiro daquele Mundial.
Lá, os jogadores organizaram um rachão para eliminar a tensão pré-jogo e o volante Emerson, capitão da equipe, que estava brincando de goleiro, caiu em cima do próprio ombro no rachão e sofreu uma luxação, que o tirou da Copa. Ricardinho — destaque do Corinthians à época — foi chamado para a vaga e fez parte do grupo pentacampeão do mundo.
- Cortados: Romário (Flamengo), Fábio Conceição (Deportivo La Coruña) e Márcio Santos (São Paulo)
- Substitutos: André Cruz (Milan), Zé Carlos (São Paulo) e Emerson (Bayer Leverkusen)
Titular absoluto na Copa anterior, Márcio Santos foi cortado da lista oficial depois da convocação por causa de uma lesão na coxa. A decisão final veio do médico Lídio Toledo, que contrariou a comissão técnica de Zagallo e Zico. André Cruz, jogador do Milan à época, foi chamado para a vaga. O volante Flávio Santos também foi cortado por decisão do médico Lídio Toledo. Zé Carlos, do São Paulo, foi convocado em seu lugar. Tanto Zé Carlos como André Cruz começaram a Copa de 1998 como reservas.
Romário também foi cortado após uma lesão na panturrilha na concentração da seleção. O Baixinho não concordou com o corte e criticou muito a comissão técnica da época que não permitiu que ele viajasse e, talvez, entrasse na segunda partida. O volante Emerson, chamado no lugar de Romário, teve uma participação discreta no torneio. No Mundial seguinte, em 2002, chegaria com status de capitão, mas, coincidentemente, foi cortado por lesão.
Copa de 1994 (Estados Unidos)
- Cortados: Mozer (Benfica) e Ricardo Gomes (Paris Saint-Germain)
- Substitutos: Aldair (Roma) e Ronaldão (Ponte Preta)
Antes do Tetra, o Brasil convocava seus quatro melhores zagueiros para o Mundial dos Estados Unidos: Mozer, Ricardo Gomes, Ricardo Rocha e Márcio Santos. Um mês antes do Mundial, porém, Mozer foi diagnosticado com hepatite e acabou cortado da lista oficial.
Ricardo Gomes, zagueiro responsável pelo gol que deu o título do campeonato francês ao PSG em 1994, foi mais uma baixa da seleção brasileira. O jogador sofreu um estiramento em um amistoso na véspera da Copa e deu lugar a Ronaldão.
Aldair e Ronaldão foram escolhidos como substitutos dos craques cortados, e o zagueiro da Roma formou uma das duplas de zaga mais sólidas já vistas em um Mundial. Aldair e Márcio Santos ajudaram o Brasil a conquistar o tetra levando apenas três gols em toda a Copa do Mundo: um gol contra a Suécia, na fase de grupos (Brasil 1 x 1 Suécia), e dois gols nas quartas de final (Holanda 2 x 3 Brasil).
- Cortados: Mozer (Flamengo), Renato Gaúcho (Grêmio), Toninho Cerezo (Roma) e Leandro (Flamengo)*
- Substitutos: Mauro Galvão (Internacional), Valdo (Grêmio) e Josimar (Botafogo)
A Copa de 1986 tem uma das histórias mais complexas de cortes antes de um Mundial. Aos 23 anos, Renato Gaúcho era atacante do Grêmio em franca ascensão, com uma Libertadores e um Mundial de Clubes no currículo. O jogador fazia parte da equipe que iria para a Copa do Mundo e estava com o grupo para os amistosos contra a Alemanha Ocidental e Hungria, os últimos antes do Mundial e da convocação oficial.
Na concentração para os jogos, em Belo Horizonte, Renato e o lateral Leandro, do Flamengo — com 26 anos à época e já tricampeão brasileiro —, não respeitaram o horário de retorno para a Toca da Raposa, onde a seleção estava concentrada, e passaram a noite fora. Na volta, a ideia era pular o muro da Toca e entrar sem serem percebidos, mas Leandro tinha medo de altura e não concordou com a ideia. Renato, em solidariedade ao amigo, optou por entrar pela porta da frente.
No dia seguinte, os atletas foram delatados pelos vigias do CT e despertaram a ira do treinador Telê Santana. Na lista oficial, divulgada em maio daquele ano, Renato não constou da relação final. Leandro, no entanto, foi convocado, mas desistiu de ir à Copa um dia antes da viagem em solidariedade a Renato. O lateral-direito Josimar, do Botafogo, foi o escolhido para substituir Leandro. Ele fez dois belos gols no Mundial; um deles — um chute de fora da área na goleada por 3 a 0 contra a Irlanda do Norte — é relembrado até hoje como um dos mais bonitos da história das Copas.
Por outro lado, o zagueiro Mozer e o volante Cerezo tiveram problemas físicos e tiveram que dar lugar a Mauro Galvão e ao jovem Valdo, do Grêmio, que ainda não tinha nenhuma experiência com a seleção brasileira.
- Cortado: Careca (Guarani)
- Substituto: Roberto Dinamite (Vasco)
Na época, um jovem atacante que despontava no Guarani, Careca seria o titular daquela seleção de 1982, mas sofreu uma lesão na coxa já na Espanha, quatro dias antes da estreia do Brasil, e ficou fora da Copa. O técnico Telê Santana, então, convocou Roberto Dinamite, que havia brilhado com 45 gols em 46 jogos pelo Vasco no ano anterior. O atacante cruz-maltino, porém, não entrou em campo durante o Mundial. A vaga de titular ficou com Serginho Chulapa.
- Cortados: Nunes (Santa Cruz) e Zé Maria (Corinthians)
- Substitutos: Roberto Dinamite (Vasco) e Nelinho (Cruzeiro)
Em 1978, o técnico Cláudio Coutinho perdeu dois jogadores titulares às vésperas da Copa do Mundo. O atacante Nunes, na época em alta no Santa Cruz — depois viria a ser ídolo no Flamengo —, se lesionou no treino e foi cortado da lista. Roberto Dinamite foi chamado em seu lugar e aproveitou a chance com três gols na competição.
O lateral-direito Zé Maria, do Corinthians, também se machucou em um treinamento e virou desfalque. Nelinho, do Cruzeiro, foi convocado e chegou a fazer gol na vitória do Brasil por 2 a 1 sobre a Itália na decisão de terceiro lugar.
Copa 1974 (Alemanha Ocidental)
- Cortados: Clodoaldo (Santos) e Wendell (Botafogo)
- Substitutos: Mirandinha (São Paulo) e Waldir Peres (São Paulo)
Remanescente do tricampeonato de 1970, Clodoaldo era um dos principais nomes da seleção que iria em busca do tetra em 1974, mas ficou fora da Copa por uma distensão muscular, a uma semana da estreia. O jogador do Santos deu lugar a Mirandinha, do São Paulo, que fez um jogo como titular naquele torneio.
O técnico Zagallo também teve o desfalque do goleiro Wendell, do Botafogo, que certamente seria o titular da Copa. Em seu lugar, o Velho Lobo chamou Waldir Peres, do São Paulo.
- Cortado: Rogério (Botafogo)
- Substituto: Emerson Leão (Palmeiras)
Ponta-direita do Botafogo, Rogério chegou ao México com status de titular da seleção, mas precisou ser cortado por dores musculares. Querido pelo grupo, continuou com a delegação atuando como um olheiro de outras seleções, papel que exercia com a ajuda do preparador físico Carlos Alberto Parreira.
Curiosamente, no lugar do atacante, o técnico Zagallo resolveu chamar um goleiro: Emerson Leão, do Palmeiras — o elenco já contava com Félix e Aldo. Com isso, Jairzinho aproveitou a vaga no ataque e marcou gol em todos os jogos do Brasil naquela Copa.

