O radialista Carlos Mayrink, que trabalhou por décadas em emissoras que fizeram história no dial carioca, como as extintas rádios Cidade e Globo FM, aguarda há mais de 18 meses para fazer uma cirurgia de catarata na Clínica da Família Odalea Firma Dutra, no Grajaú, na Zona Norte. Por causa do tempo de espera, ele corre o risco de ficar cego.
Aos 61 anos, Mayrink explicou em conversa ao TEMPO REAL RJ que notou uma piora acentuada na visão em janeiro do ano passado. Diabético, ele faz uso de óculos por causa das consequências naturais da doença. Entretanto, percebeu que as dificuldades para enxergar pioraram de forma rápida. Por estar sem emprego fixo, recorreu ao atendimento na Clínica da Família. A partir disso, começou a espera por uma solução.
“Sentia dificuldade para enxergar há algum tempo devido à diabetes. Resolvi procurar a clínica em janeiro de 2025 para marcar oftalmologista. Só consegui agendamento para julho do ano passado no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Lá, descobri que tinha três cataratas e uma possível retinoplastia. Por isso, me encaminharam para outro lugar, o Centro Médico Darke, no Centro, para fazer um exame da íris. Depois, eu esperei até março deste ano para realizar esse procedimento. Fui muito mal atendido por um médico que só me passou um documento informando que eu tinha que receber uma injeção no olho. E desde então sigo no aguardo sem qualquer resposta”, afirmou Mayrink.
AVC durante espera e impossibilidade para trabalhar
Enquanto esperava o retorno à unidade da Clínica da Família do Grajaú, Mayrink sofreu outro problema de saúde, um acidente vascular cerebral (AVC) leve. Isso ocorreu enquanto ele voltava das compras de um supermercado. Para piorar, sofreu um tombo quando chegou em casa.
“No carnaval deste ano, voltava das compras do supermercado em um ônibus que parou longe do ponto por causa dos blocos de rua. Notei que caminhava com dificuldades e que minha perna começou a formigar. Quando cheguei em casa, almocei e logo em seguida não conseguia ter qualquer força na perna direita e levei um tombo sozinho. Na semana seguinte, com muita dificuldade, fui novamente à Clínica da Família do Grajaú e me encaminharam para fazer uma tomografia, em março, no Instituto de Neurologia Deolindo Couto, da UFRJ, em Botafogo. Fiz o exame, mas aconteceu um problema com o arquivo que tinha o resultado e precisei refazê-lo. Neste, saiu o resultado que mostrou, aparentemente, um AVC. Fui outra vez à clínica e tenho que esperar uma consulta até dezembro”, detalhou.
Por causa de ambos os problemas de saúde, Mayrink relata dificuldades financeiras pela impossibilidade de trabalhar e tem se mantido graças à ajuda financeira de amigos. Paralelamente, marcou um atendimento na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para conseguir pela Justiça antecipar as duas consultas. Além disso, vai tentar também por via judicial se aposentar por invalidez.
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde
Em contato feito pelo TEMPO REAL RJ, a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela Clínica da Família informou que
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