A Prefeitura do Rio vai lançar um fundo de revitalização urbanística, a fim de captar recursos públicos e privados para financiar projetos no Centro da cidade. A novidade foi antecipada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, em entrevista ao videocast Sinduscast, apresentado pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusconRio), Cláudio Hermolin.
“Queremos construir políticas públicas de longo prazo. Hoje, a grande dificuldade é que programas que demandam esforço continuado acabam quando muda a gestão, coisa que acontece em todo o país. Esse fundo, que terá um gestor contratado no mercado, será o veículo para alimentar políticas públicas por vários governos. Muitas empresas me procuram dizendo que querem apoiar a revitalização do Centro – com o fundo, elas poderão investir nesses projetos e receber por isso”, informou o secretário.
Segundo Osmar, projetos como o Reviver Centro Patrimônio Pró Apac, a Praça Onze Maravilha, o Reviver Cultural e a Rua da Cerveja deverão ser financiados pelo fundo, que se encontra em processo de modelagem, devendo começar a captar recursos em um prazo de 12 a 18 meses.
O secretário contou, ainda, que a inspiração para o fundo veio da cidade de Amsterdã, na Alemanha, onde a revitalização do casario histórico foi financiada por um fundo de investimentos criado pelo governo.
Um entusiasta do Reviver Centro, Hermolin aproveitou para questionar o secretário sobre o que a cidade pode esperar do recém-lançado Praça Onze Maravilha. Apesar da presença de grandes empresas e entidades – como a própria prefeitura, o Consulado Americano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Vibro Energia –, a região da Praça Onze tem, de acordo com Osmar, o pior índice de progresso social da cidade do Rio.
“Esse projeto vai fazer a regularização fundiária e dar qualidade de moradia às pessoas que já residem no entorno do Sambódromo, na Cidade Nova e no Catumbi”, disse o secretário. “Além disso, como fizemos no Porto Maravilha, com o Museu do Amanhã, que se tornou o mais visitado da América Latina, vamos instalar um novo equipamento cultural: a Biblioteca dos Saberes, que será projetada pelo renomado arquiteto Francis Kéré”, acrescentou.
Hermolin, por sua vez, lembrou da derrubada do Viaduto da Perimetral, no início das obras do Porto Maravilha, o que gerou muita polêmica.
“Todo mundo achou que, sem o viaduto, teríamos o caos no trânsito, mas o que vemos hoje, com o túnel Marcello Alencar, é um trânsito muito mais fluido”, observou. “Vamos derrubar o Viaduto 31 de Março, na região da Praça Onze, que funciona como uma barreira física, isolando a cidade, escondendo o próprio Sambódromo. Ele será substituído por um mergulhão”, explicou Osmar.
Ao todo, as obras do Praça Onze Maravilha vão exigir investimentos de R$ 1,7 bilhão a R$ 1,8 bilhão — 100% financiadas com recursos privados, segundo a Prefeitura do Rio.
“Quem, hoje, se arrepende de ter perdido a primeira onda do Porto Maravilha, de não ter adquirido um imóvel na região no começo do projeto, agora vai ter uma segunda grande oportunidade de negócio “, resumiu Hermolin.
Reviver Patrimônio Pró Apac tem projeto piloto de revitalização na Rua do Teatro
O SindusconRio ajudou a Prefeitura do Rio a mapear 1,5 casarões históricos tombados e abandonados no Centro da cidade. Agora, com o Reviver Patrimônio Pró Apac, a meta é a recuperação e a revitalização desses imóveis. Osmar Lima contou que já foi feito um piloto do projeto com sete imóveis localizados em uma quadra da Rua do Teatro, nas proximidades da Praça Tiradentes.
“Fizemos a desapropriação por meio de hasta pública e esses imóveis foram vendidos em leilão. Seus antigos proprietários ficaram bem satisfeitos, muitos, inclusive, angariaram mais do que julgavam valer os casarões. Agora, os novos proprietários estão recebendo as chaves desses imóveis”, disse.
A seguir, o projeto prevê a total revitalização dos casarões — para a qual a Prefeitura do Rio vai aportar a quantia de R$ 3,2 mil por metro quadrado, a fundo perdido, sem que o novo proprietário tenha que restituir esses recursos. A meta do secretário de Desenvolvimento Econômico é de que, até o fim do ano, outros 30 casarões tenham sido leiloados no projeto.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/fundo-revitalizacao-centro/

