A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quarta-feira (14), William dos Santos Xavier, conhecido como “Júnior Baiano”, apontado como o principal articulador do transporte clandestino no Aeroporto Internacional do Galeão, na Zona Norte do Rio. Investigado há mais de 15 anos, o suspeito já acumula cerca de 30 registros policiais e foi detido após extorquir uma família de turistas chilenos, que foi obrigada a pagar R$ 450 por uma corrida irregular.
A prisão traz luz ao esquema criminoso dos chamados “jóqueis” — laçadores que abordam passageiros no desembarque — e expõe as táticas de fraude e intimidação usadas para inflar os preços das corridas.
O Golpe do taxímetro adulterado
Embora o caso recente tenha envolvido um valor fixo abusivo sob extorsão, a atuação dos grupos liderados por “jóqueis” no Galeão frequentemente envolve a adulteração de taxímetros de táxis legalizados ou clonados vinculados ao esquema. As principais fraudes incluem:
- O “Panda” ou “Capeta”: Dispositivo eletrônico clandestino instalado no veículo, acionado por um botão oculto (no painel ou no volante) ou por um controle remoto. Cada clique envia um pulso elétrico falso ao taxímetro, simulando que o carro percorreu uma distância maior ou ficou mais tempo parado. Isso faz o valor final disparar rapidamente.
- Uso indevido da Bandeira 2: Cobrança da tarifa mais cara fora dos dias e horários permitidos por lei (como dias úteis no horário comercial), sem o consentimento do passageiro.
- Taxímetros Clonados ou Violados: Rompimento do lacre do IPEM (Instituto de Pesos e Medidas) para recalibrar o aparelho internamente, fazendo com que ele gire mais rápido do que o permitido pela legislação municipal.
No início de setembro, quatro turistas chilenos desembarcaram no Galeão e foram abordados por Júnior Baiano. O suspeito os direcionou a um veículo previamente articulado no esquema.
Mesmo após a família solicitar o destino para a região da Uruguaiana, no Centro do Rio, o motorista mudou a rota de propósito e os levou até um shopping em Del Castilho, na Zona Norte. Longe do destino e sob forte intimidação psicológica, a família foi coagida a pagar R$ 450 pela viagem.
A delegada responsável pelo caso, Carina Bastos, acredita que a retirada de circulação do principal aliciador do terminal ajudará a desmantelar a rede de taxistas e motoristas auxiliares que participam das fraudes e abusos contra passageiros no aeroporto.
