Rio – A Polícia Civil prendeu um criminoso que “herdou” do pai um esquema de falsificação e comercialização de atestados. Adílio Campos Chagas atuava na Rocinha, na Zona Sul, e divulgava os serviços através de aplicativos de mensagens. Em sua residência, foram encontrados diversos carimbos com dados falsos de médicos.
No final do ano passado, mais uma vez a profissional soube que seus dados estavam sendo usados de forma fraudulenta. Ela fez um novo registro e os agentes chegaram mais uma vez ao mesmo criminoso.
Segundo o delegado da distrital, Hilton Alonso, Adilson ofertava o serviço usando um nome falso.
“Um fato curioso é que a médica foi vítima duas vezes, em 2024 e 2025, nos dois casos eu investiguei e já existem processos.No primeiro a prisão foi negada e dado medidas restritivas e nesse segundo, no final de dezembro, foi dado o mandado de prisão”, disse.
Valores variavam entre R$ 25 e R$ 75
O inquérito apontou que o esquema existia há cinco anos e os interessados no serviço clandestino podiam escolher o motivo e até a quantidade de dias que ficariam afastados do trabalho. Além disso, a fraude contava com receitas e carimbos falsos de hospitais públicos e particulares, e os supostos pacientes nunca passavam por consultas, sendo tudo combinado por meio de aplicativos de mensagens.
Segundo os agentes, o comprador podia escolher até a data de validade do atestado médico. Os preços variavam de acordo com a quantidade de dias. Um dia afastado do serviço custava R$ 25 e, para cinco dias, o valor cobrado era de R$ 75.
Durante as diligências, os agentes chegaram até uma mulher que admitiu ter comprado um atestado falso. As mensagens trocadas por celular no decorrer da negociação mostraram todo o esquema.
Um dos documentos falsificados obtidos pelos policiais era idêntico ao disponibilizado pela prefeitura do Rio e atribuía a consulta a um hospital da Zona Sul da cidade. A investigação não apontou a participação dos hospitais e a falsificação desses papéis timbrados era uma parte da fraude desencadeada por Adilson.
A partir da identificação, ele foi intimado a prestar esclarecimentos e compareceu à 25ªDP, onde confessou todo o esquema ilegal e sua participação nele. Segundo o relato, o pai já vendia atestados falsos e, com sua morte, o homem assumiu a função, a partir de um talão deixado pelo genitor.

