Preso na Bolívia e citado em inquérito que levou à prisão do ex-vereador Milton Leite, Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço, é investigado pela Polícia Civil de São Paulo para apurar se ele mantinha algum vínculo com o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian, a eventual relação ainda não foi estabelecida, mas será alvo de apuração.
— São situações independentes, não têm necessariamente ligação com a ação que prendeu o ex-vereador. Ainda temos um campo de investigação para estabelecer o eventual vínculo do Beiço com o ex-vereador — afirmou Dian.
Segundo os investigadores, Beiço é apontado como uma liderança do PCC na região do ABC Paulista e era investigado por tentar aproximar a facção de instituições públicas, principalmente prefeituras, com eventual uso de partidos políticos. Ele foi preso no último dia 19 durante a Operação Sem Fronteiras e também aparece em uma frente de investigação relacionada à atuação do grupo no setor de coleta de lixo.
A apuração envolvendo Milton Leite, por outro lado, está relacionada à suspeita de infiltração do PCC em empresas de ônibus. O ex-vereador foi preso na sexta-feira, depois de se entregar em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, no âmbito da Operação Vectura Corrupta.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou durante a coletiva o caráter inédito da operação, que contou com a participação de policiais brasileiros e bolivianos para localizar integrantes do PCC que estavam escondidos no país vizinho.
A ação foi realizada no último dia 19 em Santa Cruz de la Sierra após cerca de oito meses de investigação e mais de dez dias de acompanhamento dos alvos no local. Para Nico, a operação mostra a importância da cooperação entre as forças de segurança dos dois países diante da atuação internacional da facção.
Beiço foi apontado pelos investigadores como um possível elo entre o PCC e a Colômbia. Segundo a polícia, ele também era investigado por tentar ampliar a presença da organização criminosa em estruturas do poder público.
Além dele, a operação prendeu Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho da Baixada. Segundo os investigadores, ele é ligado à estrutura do PCC na Baixada Santista e atuava no tráfico internacional de drogas, com envio de cocaína para a Europa por meio do Porto de Santos.
Os policiais afirmaram que Beiço e Betinho exerciam funções diferentes dentro da organização e que as duas prisões foram resultado de frentes distintas de investigação.
