Os oceanos registraram em 2025 o maior nível de calor acumulado já medido, segundo um relatório do serviço marinho do observatório europeu Copernicus. Apenas no ano passado, o mar absorveu cerca de 23 zettajoules de energia, o equivalente a aproximadamente 40 vezes toda a energia consumida no mundo no mesmo período.
O levantamento também mostra que o aquecimento dos oceanos vem se acelerando desde 1960. Ao mesmo tempo, o nível médio do mar está subindo mais rapidamente e a água ficou mais ácida nas últimas décadas.
O estudo é realizado anualmente e reúne dados de satélites, medições feitas diretamente no oceano e modelos científicos. Nesta edição, participaram 125 pesquisadores de diferentes países.
Nível do mar sobe mais rápido
Entre 1999 e 2025, o nível médio global dos oceanos aumentou cerca de 3,8 milímetros por ano. De 2012 a 2025, a velocidade subiu para 4,2 milímetros por ano, indicando uma aceleração.
O relatório explica que o calor acumulado no oceano não está apenas na superfície. A energia também fica armazenada em camadas mais profundas da água, o que revela mudanças de longo prazo que podem não ser percebidas apenas pelas temperaturas da superfície.
Esse aquecimento contribui para a elevação do nível do mar e pode afetar ecossistemas marinhos e comunidades que vivem em áreas costeiras.
Oceanos estão mais ácidos
Outro dado destacado pelo estudo é o aumento da acidez dos oceanos. Entre 1985 e 2025, a acidez da água aumentou cerca de 17%.
Isso acontece porque os oceanos absorvem parte do dióxido de carbono presente na atmosfera. O processo altera a composição química da água e pode afetar diferentes espécies e ecossistemas marinhos.
Mudanças também atingem regiões polares
O relatório mostra ainda que os efeitos do aquecimento variam de acordo com a região. No Mar de Barents, no Ártico, por exemplo, a extensão do gelo marinho diminuiu 70% desde 1982.
Na Antártida, o baixo nível de gelo registrado em 2022 coincidiu com problemas na reprodução de colônias de pinguins-imperadores.
Os pesquisadores também alertam para os impactos sobre pequenos países insulares, que dependem diretamente do oceano para a economia, a infraestrutura e a vida da população.
Segundo o Copernicus, os dados mostram que o aquecimento, a elevação do nível do mar e as mudanças nos ecossistemas estão relacionados e fazem parte de transformações de longo prazo nos oceanos.
