O futuro da cidade precisa caminhar ao lado da sua história

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Poucas cidades carregam uma história tão rica quanto o Rio de Janeiro. Capital do Brasil por quase dois séculos e palco de acontecimentos que moldaram o país, o Rio também concentra desafios urbanos que exigem planejamento e diálogo. A requalificação proposta pela prefeitura da Área de Planejamento 1, que reúne bairros como Centro, Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju, Lapa, Catumbi, Rio Comprido, Cidade Nova, Estácio, São Cristóvão, Mangueira, Benfica, Vasco da Gama, Paquetá e Santa Teresa, abre uma oportunidade para pensar o futuro sem perder de vista a memória da cidade.

São Cristóvão simboliza esse desafio. Reúne um patrimônio histórico expressivo e, ao mesmo tempo, convive com demandas cotidianas concretas e com a necessidade da inclusão de todos os segmentos da sociedade. Em conversas realizadas pelo gabinete com moradores, a segurança aparece como a principal preocupação. Em seguida, surgem as condições das calçadas, especialmente para uma população mais envelhecida, que enfrenta dificuldades de deslocamento e convive com acidentes provocados pela falta de acessibilidade.

Requalificar não significa apenas construir novos empreendimentos ou recuperar imóveis. Significa garantir que as transformações alcancem quem já vive nesses territórios. A experiência brasileira mostra que grandes projetos urbanos nem sempre foram acompanhados de políticas capazes de incluir as populações mais vulneráveis. Evitar que isso se repita é um dos principais desafios do planejamento urbano.

Nesse contexto, comunidades como Barreira do Vasco, Tuiuti e Complexo do Caju fazem parte da realidade de São Cristóvão e precisam integrar qualquer estratégia de desenvolvimento. Infraestrutura, saneamento, arborização, mobilidade e qualificação dos espaços públicos não podem ficar restritos às áreas mais valorizadas do bairro.

Ao mesmo tempo, projetos estruturantes podem contribuir para impulsionar a economia local. O debate sobre o novo traçado do VLT e as intervenções previstas no entorno de São Cristóvão apontam para a possibilidade de ampliar a circulação de pessoas, fortalecer o comércio e estimular novos investimentos.

A mobilidade é decisiva nesse processo. A expansão da rede do BRT, hoje presente em quatro corredores que conectam diferentes regiões da cidade, amplia a integração e reduz tempos de deslocamento. A nova estação prevista para São Cristóvão representa mais uma conexão para moradores do bairro e do Complexo do Caju, aproximando essa população da malha de transporte de alta capacidade.

O desafio é garantir que esse futuro seja compartilhado. O desenvolvimento urbano produz melhores resultados quando preserva a memória da cidade, sem romper vínculos históricos, sociais e humanos que lhe dão identidade. Quando também respeita seus moradores e distribui oportunidades. Planejar o amanhã exige olhar para frente, mas sem deixar para trás aqueles que sempre fizeram parte da história desses territórios.

Salvino Oliveira é vereador pelo PSD e presidente da Comissão de Educação da Câmara do Rio.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/futuro-cidade-caminhar-lado-historia/

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