No Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, Gil do Vigor se celebra: 'Posso rebolar até o chão e ser chamado de doutor'

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Gil do Vigor é verde, amarelo, azul e branco. É todas as cores do Brasiiiiiiilllll, bordão que virou sua marca pessoal desde que ganhou fama nacionalmente no “BBB 21”. Neste 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, o EXTRA convidou esse pernambucano arretado, prestes a fazer 35 anos, para falar sobre representatividade a partir de suas próprias experiências. Multifacetado, ele dá expediente como apresentador, garoto-propaganda e PhD em Economia. Quer mais?
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Você sempre teve orgulho de pertencer à comunidade LGBTQIAPN+?
Hoje, sim, muito! Durante muito tempo, eu tive aversão, por conta dos dogmas religiosos, da criação. Achava que ser um homem gay fosse algo ruim. Com o passar dos anos, entendi que eu sou especial e incrível porque sou único, não há outra pessoa como o Gil. Ser gay não me torna melhor nem pior, é só uma característica, assim como ser nordestino. Sou feliz sendo quem sou.
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No meio acadêmico, gays ainda são minoria?
Sim… Você encontra uma ou duas pessoas assumidamente gays num grupo grande.
E você se sentia desconfortável na universidade americana em que cursou seu doutorado?
Eu chegava lá com o meu terninho rosa, meu amor, e percebia às vezes pessoas tendo reações diferentes, porque são de culturas diversas, vêm de todas as partes do mundo. Mas, dentro da minha sala, fui abraçado, as pessoas me entendiam e me respeitavam. Sempre tive o apoio dos amigos, que faziam tudo ficar mais leve.
Gil do Vigor durante a cerimônia da conclusão de seu PhD em Economia, nos EUA
Reprodução de Instagram
Você chegou a treinar seu gestual para parecer hétero ao entrar no “BBB 21”, mas logo se entregou ao soltar um “Bicha!” na casa. Apesar de o Brasil ainda ser preconceituoso, Gil do Vigor saiu do reality muito amado, não é?
As pessoas me amaram muito. Ouço muitos relatos assim: “Gil, meu pai/minha mãe/meu tio/minha tia eram extremamente preconceituosos e passaram a me entender porque adoraram você”. Pra mim, é uma felicidade muito grande proporcionar esse entendimento. O “Big Brother” foi uma janela muito importante pra mim e pra muitos da comunidade.
No “Bate-papo BBB”, que apresentou com Cecília Ribeiro no Globoplay, você deu a entender que ficou com participantes do “BBB 26”…
Não, é tudo brincadeira para deixar mais leve a saída dos participantes. Eles chegam tensos, levam um “baile do Gil”… Então, eu jogo, brinco. Se um dia colar, Brasil, tudo certo, né (risos)?
O que mais o atrai num homem?
O intelecto. Eu costumo me apaixonar por pessoas inteligentes. Como é gostoso estar ao lado de alguém com quem eu possa conversar sobre tudo de forma aprofundada, alguém que domine assuntos que eu desconheça… Isso me tira do chão. Médicos me encantam. Tive um muito especial na minha vida…
Diego Hypolito já deu cantadas em Gil do Vigor
Reprodução/Globoplay
Você é o primeiro e único representante da comunidade LGBTQIAPN+ entre os apresentadores do “Papo de segunda”, do GNT. Estava mais do que na hora de ter um gay debatendo sobre masculinidades no programa, não?
Desde o convite, minha conversa com a produção foi sincera: eu queria contribuir, enriquecer o debate ali. Sempre fui fã e assistia ao “Papo”, mas percebia que algumas discussões giravam em torno da visão dos héteros, e os gays têm vivências diferentes. É importante para os telespectadores entenderem também o nosso olhar. Da mesma forma, eu aprendo muito com os outros apresentadores. Agora, sou o homem do futebol. Estou sabendo horrores, Brasil! Entendendo de penalidades, de técnica… São trocas interessantes.
O elenco do “Papo de segunda” em 2026: Rafael Zulu, Francisco Bosco, Gil do Vigor e João Vicente de Castro
Ju Coutinho/GNT/Divulgação
No programa, você disse que durante o doutorado nos EUA, já no pós-“BBB”, tentou se relacionar com mulheres. O que houve?
Do Brasil aos Estados Unidos, minha vida passou por uma transformação muito radical. Eu era um menino pobre, as pessoas não me conheciam, eu não tinha domínio do inglês. E essa lacuna afetava a minha absorção de conhecimento. O professor explicava, eu não entendia. Tinha que estudar o dobro em casa. Era tudo muito difícil. Além da questão do idioma, tinha a questão cultural, a questão de alimentação, a distância da família… Eu chorava todos os dias, tinha crises de ansiedade, receios e preocupações. E nesse momento eu busquei minha primeira referência de suporte, que foi a igreja, que eu frequentava desde os meus 10 anos, quando fui batizado. Esse ambiente foi importante pra mim. Eles não me julgaram, ao contrário, me abraçaram, e eu me senti confortável ali. Eu estava frágil, e essa questão da orientação sexual voltou à tona. Tive “dates” com mulheres da igreja. Teve uma que tocava piano e cantava lindamente, e eu me encantei. Mas a gente saía para tomar sorvete e ficava falando do Senhor, nada demais.
Fiuk e Gil do Vigor no ‘BBB 21’
Reprodução/Globo
Com o PhD concluído, qual é a relevância do diploma de doutor para um homem gay?
É muito importante. Eu e amigos gays da academia já conversamos a respeito: o preconceito que a gente sofreu fez com que tivéssemos essa gana de provar que somos bons e exigirmos respeito. Sou feliz, posso brincar, dançar, rebolar até o chão e ser chamado de doutor pelo meu conhecimento adquirido. A educação tem um poder transformador.
Conversa com seus sobrinhos sobre diversidade?
Sim! Digo: “Meninos, vocês têm o direito de ser o que quiserem. Se tiverem alguma dúvida ou se sentirem confusos, perguntem pro tio Gil. No dia em que quiserem dar o primeiro beijo, seja em menino ou em menina, me contem. Mas só depois dos 16! Por enquanto, estudem. Se pensarem em fazer uma rebeldia antes disso, me avisem”. Davi Lucas, Daniel e Artur têm entre 12 e 15 anos. Também sou tio da Eloah (de 4 anos) e do Samuelzinho, que acabou de nascer. E ainda tem meu irmão por parte de pai, Pedro, de 12, com quem converso: “Se não tirar notas boas, não tem aulinha de futebol”.
Gil do Vigor levou a mãe, a irmã e os sobrinhos para a Disney em Paris
Reprodução de Instagram
Pensa em se casar e ter filhos?
É uma das minhas maiores vontades. Quero formar a minha família, ter filhos. Um biológico e um adotado, para cuidar e educar ao lado do meu marido. Mas ainda preciso encontrar essa pessoa. Se dependesse só de mim, eu me casaria no mês que vem.
Tempo é dinheiro, e os seus parecem se multiplicar. Está no “Papo de segunda”, no “Mais você”, grava campanhas publicitárias, produz vídeos de geopolítica a novelas… Não se cansa?
É, não estou conseguindo relaxar. Preciso mudar. De férias do PhD, eu estava trabalhando; de férias da publicidade e da TV, eu estava estudando. Tenho conversado com minha mãe: “A gente não vive para estudar e trabalhar, a gente estuda e trabalha para ter uma vida melhor”. Então, essa é minha próxima meta: férias. Saio no dia 14 de julho, que é meu aniversário, e sigo assim até o início de agosto. Vão ser minhas primeiras férias de verdade. Vou viajar, viver. Usar o dinheiro que conquistei. A gente não sabe o dia de amanhã, né?
Já sabe qual será o destino?
Ah, eu vou rodar muito. Quero curtir Las Vegas, dar um pulinho no Canadá, passar uns dois dias no México, esquiar no Chile…
E vai acompanhado?
Penso em levar mainha. Se ela não for, vou sozinho. Chego no lugar, acesso o Instagram e digo: “Cadê os brasileiros?”. Adoro fazer amigos!
Lucas Penteado e Gil do Vigor se beijam no “BBB 21”
Reprodução
Glossário gay, por Gil do Vigor
Acué (dinheiro)
“Dinheiro não compra felicidade, mas traz conforto e segurança. E, quando você tem segurança, 90% do caminho está feito. Para nós, da comunidade LGBTQIAPN+, é sinônimo de liberdade. Muitos jovens escondem sua orientação sexual porque dependem financeiramente dos pais. Eu tive essa preocupação: ‘Preciso de dinheiro, porque, se minha mãe não me aceitar, alugo um lugar e vou morar sozinho’. Graças a Deus, a minha foi incrível comigo”.
Bofe (homem atraente)
“Bruna (Marquezine), amiga, me desculpa, mas preciso dizer que acho Shawn Mendes lindo (risos)!”
Coió (dar ou levar fora)
“Eu levo tudo muito na brincadeira. Recentemente, não paquerei ninguém a sério. Se chegar até mim, eu provavelmente vou dar uns beijinhos, não arrumo problema”.
Desaquendar (esquecer, relevar)
“É muito difícil eu me magoar… Se eu grito, é um sinal que aquilo não me afetou. Mas se eu não coloco pra fora a minha tristeza, fica guardada no meu coração”.
Fazer a egípcia (fingir, ignorar)
“Era complicado pra mim, mas agora estou preferindo fazer a egípcia para manter minha paz e deixar a razão para o outro”.
Gongar (criticar, falar mal)
“No começo, foi difícil lidar com os haters. Agora, acho até engraçado quando me chamam de pavão!”.
Uó (horroroso, péssimo)
“Acho uó quem quer tirar vantagem de tudo e usa as pessoas”.
Gil do Vigor
Sergio Santoian
Créditos do ensaio fotográfico
Fotos: Sergio Santoian @s_santoian
Beleza e projeções: Alice Martins @alice.makeup
Estilo: Thiago Setra @thiagosetra
Assistência de estilo: Fernanda Miyazawa @femiyazawa
Produção de moda: Pedro Augusto @pdroaugusto
Gil do Vigor usou
Cohí @cohistudio
Carlos Penna @carlospenna.design
CNS Sapatos Masculinos @cnsonline
Donni Project @donni.project
Emporio Armani @emporioarmani
JW Anderson @jw_anderson
Maison Margiela @maisonmargiela
Orient Relógios @orientrelogios
7 For All Mankind @7forallmankind



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/entretenimento/tv/noticia/2026/06/no-dia-do-orgulho-lgbtqiapn-gil-do-vigor-se-celebra-posso-rebolar-ate-o-chao-e-ser-chamado-de-doutor.ghtml

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