A candidata do PSOL ao Senado pelo Rio de Janeiro, Mônica Benício, defendeu uma mudança na política de segurança pública do estado e afirmou que o combate à violência precisa priorizar a investigação e o enfrentamento ao financiamento do crime organizado. A declaração foi dada nesta quinta-feira, durante a primeira edição da Sabatina Manchete, conduzida pelo comunicador Raphael De França.
Moradora da Maré desde a infância, arquiteta e urbanista e vereadora do Rio, Mônica afirmou que segurança pública não pode ser reduzida a operações policiais em comunidades. Segundo ela, é necessário atingir as estruturas econômicas e políticas que sustentam as organizações criminosas.
“O nosso combate é um combate que busca a seriedade do desmonte completo”, afirmou. Para a candidata, armas e drogas que chegam às comunidades não são produzidas nesses territórios e o enfrentamento precisa alcançar quem financia e organiza o crime.
Mônica também defendeu maior integração entre as forças de segurança estaduais e federais. Na avaliação dela, o Senado pode contribuir para fortalecer mecanismos de investigação e inteligência, inclusive com participação da União.
A candidata citou o assassinato de sua companheira, a vereadora Marielle Franco, como exemplo das dificuldades enfrentadas pela segurança pública e pela investigação criminal no estado. Para Mônica, o caso demonstrou a importância da atuação federal quando há suspeitas de envolvimento de agentes públicos e estruturas criminosas.
Direitos humanos e segurança pública
Durante a entrevista, Mônica rejeitou a ideia de que a defesa dos direitos humanos seja incompatível com uma política de segurança mais eficiente. Ela criticou a associação entre direitos humanos e proteção de criminosos e afirmou que o conceito envolve também o acesso da população a serviços públicos.
Segundo a candidata, saneamento, iluminação pública, educação, saúde, transporte e moradia fazem parte de uma política de garantia de direitos.
“Direitos humanos é uma série de garantias de serviço”, declarou.
Mônica também relacionou a precariedade dos serviços públicos à segurança. Ela argumentou que moradores de áreas periféricas são prejudicados quando escolas e unidades de saúde deixam de funcionar em períodos de operações policiais.
A candidata afirmou ainda que uma política de segurança baseada apenas no confronto coloca em risco não apenas moradores das comunidades, mas também os próprios policiais que participam das operações.
Petrobras e defesa do Estado na economia
Na área econômica, Mônica reafirmou sua defesa da reestatização plena da Petrobras. Questionada sobre o significado da proposta, disse que a riqueza produzida pelo país deve ser utilizada para reduzir desigualdades e beneficiar a população.
“Eu sou contra a privatização”, afirmou.
A candidata se definiu como socialista e explicou que, para ela, o socialismo significa um Estado forte na economia e capaz de garantir serviços públicos de qualidade e redistribuição de renda.
Mônica citou áreas como saúde, educação e moradia para defender a ampliação da atuação do Estado. Segundo ela, o fortalecimento dos serviços públicos reduziria a necessidade de famílias trabalharem mais para pagar escolas particulares ou planos de saúde.
Fim da escala 6×1
Outro tema abordado foi o fim da escala de trabalho 6×1. Mônica criticou o que chamou de “politicagem” em torno da discussão no Congresso e defendeu a aprovação da medida.
Para a candidata, a redução da jornada e a ampliação do tempo livre estão relacionadas à qualidade de vida dos trabalhadores. Ela afirmou que muitos brasileiros trabalham sem tempo suficiente para cuidar dos filhos, da própria saúde ou ter momentos de lazer.
Mônica disse que pretende levar ao Senado uma agenda voltada à valorização da classe trabalhadora e à priorização de recursos públicos.
Ela também citou a valorização dos profissionais da educação como uma de suas prioridades. Na avaliação da candidata, professores e servidores precisam ter melhores condições de trabalho e reconhecimento para que o ensino público seja fortalecido.
Duas mulheres no Senado
Com duas vagas em disputa para o Senado pelo Rio de Janeiro, Mônica defendeu a eleição de duas mulheres progressistas: ela própria e a deputada Benedita da Silva, do PT.
A candidata destacou que o Rio não possui atualmente nenhuma mulher entre seus representantes no Senado e classificou como histórica a possibilidade de eleger duas mulheres ligadas ao campo progressista.
Mônica afirmou que pretende atuar ao lado de Benedita e argumentou que uma maior presença feminina na política não significa apenas a defesa de pautas específicas para as mulheres.
Segundo ela, políticas públicas que ampliam a proteção e os direitos das mulheres têm impacto sobre toda a sociedade.
Aborto como questão de saúde pública
Mônica também defendeu a legalização do aborto e afirmou que o tema deve ser tratado como uma questão de saúde pública, e não apenas sob uma perspectiva moral ou de segurança.
A candidata argumentou que a criminalização e a clandestinidade atingem principalmente mulheres em situação de maior vulnerabilidade social.
Ela defendeu ainda políticas de educação sexual, prevenção e garantia de acesso seguro aos procedimentos já previstos em lei.
“A gente está falando da autonomia da mulher, do direito ao seu corpo de forma plena”, afirmou.
Apoio a Lula, mas com independência política
Questionada sobre sua posição diante de um eventual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mônica afirmou que o PSOL considera prioritária a reeleição de Lula por entender que a disputa também envolve a defesa da democracia.
Ela, porém, rejeitou a ideia de que sua atuação no Senado seria baseada simplesmente em alinhamento partidário com o governo.
Ao ser questionada sobre como se comportaria caso outro candidato à Presidência fosse eleito, Mônica afirmou que manteria disposição para o diálogo, desde que os interesses da população fossem considerados.
A candidata disse que sua atuação como vereadora já foi marcada pelo diálogo com parlamentares de diferentes partidos, mas ressaltou que não pretende negociar suas convicções políticas em troca de acordos de bastidores.
“Minhas posições políticas e as minhas convicções políticas não são negociadas à luz de politicagens dos bastidores do poder”, declarou.
“Não sento sozinha no Senado”, afirma candidata
Ao final da sabatina, Mônica foi questionada sobre qual compromisso gostaria que o eleitor associasse ao seu nome caso seja eleita.
A candidata afirmou que pretende chegar ao Senado representando mulheres, moradores de favelas, a população LGBTQIA+, defensores dos direitos humanos e a classe trabalhadora.
“Eu sento na cadeira do Senado, mas não sento sozinha”, afirmou.
A candidata disse ainda que o eleitor do estado do Rio tem, nessas eleições, uma oportunidade única de eleger duas mulheres para o Senado, o que seria, segundo ela, inédito no país. Mônica destacou a importância da eleição também de Benedita da Silva (PT), ampliando as possibilidades de uma luta verdadeiramente pela igualdade social e ratificação da importância da participação de mulheres das decisões de poder.
Mônica encerrou a entrevista defendendo uma mudança na forma como a política é percebida pela população. Segundo ela, o objetivo de sua candidatura é fazer com que o eleitor enxergue a política como instrumento de representação e transformação social, e não apenas como sinônimo de corrupção.
