Justiça condena quarto acusado pelo assassinato de Mãe Bernadete a 23 anos de prisão

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A Justiça da Bahia condenou, nesta quarta-feira, o quarto acusado pela participação no assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete. Sérgio Ferreira de Jesus foi sentenciado a 23 anos e 9 meses de prisão em regime fechado. Ele é o quarto réu a ser levado a júri popular entre os cinco acusados pela morte da ialorixá, com 25 tiros, em agosto de 2023. O crime ocorreu no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador.
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A juíza que proferiu a sentença, Gelzi Maria Almeida Souza Matos, analisou o crime de homicídio com qualificadoras de motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso proibido de arma de fogo.
“O Conselho de Sentença acolheu a tese sustentada pelo Ministério Público e reconheceu a prática do crime de homicídio qualificado”, diz o Conselho do Tribunal do Júri em nota.
Outros acusados
Cinco suspeitos foram acusados pelo assassinato: Arielson da Conceição dos Santos, Marílio dos Santos, Josevan Dionísio dos Santos, Ydney Carlos Santos de Jesus e Sérgio Ferreira de Jesus.
Arielson e Marílio foram julgados e condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, em sessões realizadas em abril de 2026. Arielson foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão, e Marílio recebeu a pena de 29 anos e 9 meses de reclusão.
Dois dias após a condenação, Marílio morreu após confronto com policiais militares, na zona rural de Catu, na Região Metropolitana de Salvador. Na ocasião, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que ele foi localizado durante uma operação para cumprimento do mandado de prisão e reagiu à abordagem.
Josevan foi condenado a 28 anos de prisão, acusado de efetuar disparos que tiraram a vida da líder quilombola. Já o julgamento referente a Ydney, o quinto acusado do crime, ainda não tem data definida.
Entenda o caso
Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos no Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Ela foi morta com 25 tiros dentro de casa, que também funcionava como sede da associação de quilombolas.
Segundo as investigações, criminosos armados invadiram sua residência e a mataram com, pelo menos, 25 disparos na frente dos netos. Líder no Quilombo, Mãe Bernadete era ialorixá e conhecida pela atuação em defesa dos direitos da comunidade e contra ameaças de grileiros e madeireiros que buscavam explorar ilegalmente o território. A ialorixá também era chefe da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq).
O Ministério Público da Bahia informou, na época, que o crime foi uma retaliação, motivada por sua resistência contra um grupo que queria construir uma barraca para vender drogas dentro da comunidade.
O assassinato também tem ligação com outro crime relacionado à família. Em 2017, o filho de Mãe Bernadete, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, foi assassinado com 16 tiros na mesma comunidade.
Em janeiro de 2025, a família da líder entrou com uma ação judicial exigindo R$ 11,8 milhões por danos morais. O processo foi movido contra a União e o Governo do Estado da Bahia, e a quantia seria uma reparação aos três netos da líder, que testemunharam seu assassinato.
A Polícia Federal assumiu as investigações em setembro de 2017, devido à dificuldade da Polícia Civil da Bahia em avançar nas investigações. As investigações seguem em andamento.
*Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/10/22/justica-condena-quarto-acusado-pelo-assassinato-de-mae-bernadete-a-23-anos-de-prisao.ghtml

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