A Justiça Militar aceitou três denúncias do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra oito policiais militares por supostas irregularidades durante a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio. Entre as acusações estão invasão de domicílio, furto, recusa de obediência e obstrução do registro das ações policiais. A informação é do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo.
Segundo o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), os agentes teriam retirado as câmeras operacionais portáteis (COPs) das fardas, guardado os equipamentos em viaturas ou bolsas de hidratação e, em um dos casos, coberto a câmera. As condutas teriam prejudicado ou impedido a gravação das atividades, em desacordo com normas da Polícia Militar e ordens superiores.
Uma das denúncias envolve o segundo-tenente Roger Pereira Folhadella, os segundos-sargentos Leandro Neves Ribeiro e Emanuel D’Azevedo Ferreira, o subtenente Paulo Cesar da Cruz Telles e o cabo Thiago Leandro da Silva. Eles são acusados de retirar as câmeras das fardas e descumprir uma instrução normativa da corporação.
O cabo Iassui Santos Rocha Junior também foi denunciado por obstruir a câmera corporal. Roger, Thiago, Iassui e Leandro respondem ainda pela suposta invasão de uma residência após o arrombamento do portão. Segundo a denúncia, o imóvel estava vazio.
Paulo Cesar é acusado, também, de furtar um picolé da geladeira de uma das casas.
Em outra denúncia, o subtenente Jefferson Ferreira Braga e o cabo Ewerton Guimarães da Silva são acusados de retirar as câmeras das fardas. De acordo com o Ministério Público, Braga deixou o equipamento em uma viatura, enquanto Guimarães o guardou em uma bolsa de hidratação.
Com os novos casos, o MPRJ soma seis denúncias contra 17 policiais militares por supostas infrações relacionadas à Operação Contenção. As acusações anteriores incluem suspeitas de apropriação de armas e peças de veículos, além de constrangimento de moradores.
O GAESP também instaurou um Procedimento Investigatório Criminal e analisa mais de 3.600 horas de gravações. O órgão expediu recomendações às secretarias de Segurança Pública e às polícias Militar e Civil para a elaboração de um protocolo conjunto voltado à redução da letalidade policial e ao aprimoramento do uso de câmeras corporais.
O recebimento das denúncias dá início à tramitação das ações penais, nas quais os fatos e a responsabilidade de cada policial deverão ser apurados.
