Um homem de 80 anos foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato da adolescente Marissa Harvey, de 15 anos, ocorrido em San Francisco, nos Estados Unidos, em março de 1978. A sentença foi proferida em 18 de setembro, no Tribunal Superior de San Francisco. Apesar da prisão perpétua, o autor do crime, identificado como Mark Personette, poderá pedir liberdade condicional após sete anos.
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Um júri havia considerado Personette culpado de homicídio em novembro. A condenação encerra um caso que permaneceu sem solução por décadas e deixou a família da adolescente sem respostas sobre a morte.
Adolescente foi encontrada morta após ir a parque
Marissa era de Queens, em Nova York, e visitava uma meia-irmã em San Francisco durante o feriado da Páscoa. Uma amiga da irmã a levou de carro até o Golden Gate Park para andar a cavalo, mas os estábulos estavam fechados. Marissa então seguiu em direção à praia.
Um funcionário do parque foi a última pessoa a vê-la com vida.
Em 28 de março de 1978, surfistas encontraram o corpo da adolescente no Sutro Heights Park, à margem do Oceano Pacífico. Ela apresentava ferimentos que indicavam que havia sido estuprada. A causa da morte foi estrangulamento com uma ligadura, cuja arma nunca foi localizada.
A polícia encontrou um brinco de Marissa e uma folha com seu sangue.
DNA reabriu investigação de décadas
A investigação inicial durou cerca de um ano. Mais de 100 pessoas foram entrevistadas, e os policiais também analisaram criminosos sexuais da região.
Heather Trevisan, promotora adjunta do Ministério Público de San Francisco que conduziu o caso, resumiu o resultado inicial:
— Eles simplesmente não tiveram sorte — afirmou.
Com o passar dos anos, a investigação esfriou e a família de Marissa continuou sem respostas.
O Departamento de Polícia de San Francisco reabriu o caso em outubro de 2020. Os investigadores enviaram para análise de DNA o suéter, a calça jeans de Marissa e um pedaço de chiclete seco. Os exames revelaram um perfil genético masculino.
Em 2021, Personette passou a ser tratado como possível suspeito. Agentes do FBI o acompanharam durante sete meses em Denver e tentaram obter objetos de higiene pessoal descartados por ele para comparar seu DNA com o material encontrado no caso.
A estratégia não funcionou porque Personette não tinha serviço de coleta de lixo em casa, de acordo com Trevisan. A investigação avançou quando ele descartou sacolas de supermercado e um recipiente com urina em lixeiras de um Walmart próximo.
O material foi submetido a análise genética. Durante uma entrevista com as autoridades, Personette negou ter estado em San Francisco.
Os promotores, porém, disseram que ele tinha um mapa de San Francisco da década de 1970 e placas de veículos da Califórnia com um adesivo de registro de 1979.
Os exames apontaram correspondência entre o DNA de Personette e as amostras retiradas do suéter e da calça jeans de Marissa, além do chiclete encontrado perto do corpo.
Defesa contesta provas e pede novo julgamento
Sam O’Keefe, advogado de Personette, afirmou que o cliente continua mantendo sua inocência. O defensor também reconheceu o sofrimento da família de Marissa:
— Reconhecemos a perda profunda sofrida pela família de Marissa Harvey e a dor que eles suportaram por quase cinco décadas — afirmou.
O’Keefe alegou ainda que “questões jurídicas e probatórias significativas” afetaram o direito de Personette a um julgamento justo.
Em uma petição para obter um novo julgamento, a defesa contestou os exames de DNA e “antigos relatórios de informações de terceiros”. O pedido foi rejeitado pelo juiz responsável pelo caso.
Trevisan afirmou que as autoridades não determinaram a motivação de Personette para matar Marissa. A investigação identificou o condenado por meio de evidências genéticas, mas o motivo do crime permanece sem esclarecimento.
Personette foi identificado como suspeito 43 anos depois da morte da adolescente. Para a família, porém, a espera por respostas durou quase cinco décadas.
