A direção do Colégio ícone, na Taquara, decidiu expulsar os alunos envolvidos nas agressões a um professor de educação física na última terça-feira (15). Logo após o caso, os estudantes já haviam sido suspensos. Os adolescentes também serão intimados a depor na 32ª DP (Taquara), onde o caso foi registrado. O Conselho Tutelar acompanha a situação.
De acordo com o Colégio Ícone, o Conselho Geral da escola concluiu a apuração do episódio, ocorrido durante o campeonato de futebol Interclasses, na unidade Taquara 2, e comunicou às famílias que optou pelo desligamento dos estudantes nesta sexta-feira (18).
Segundo a instituição, foram analisados imagens, relatos e depoimentos de alunos e profissionais envolvidos, e o grau de envolvimento dos alunos foi avaliado individualmente. O professor de Educação Física agredido vem recebendo suporte da instituição e está afastado, até que tenha condições de retornar ao trabalho.
Paralelamente, ações de conscientização com a comunidade escolar acerca de respeito, responsabilidade, convivência e cuidado com o próximo serão realizadas, informa. O colégio afirma ainda que realizou as comunicações necessárias e está colaborando com o Conselho Tutelar e os demais órgãos que acompanham o caso.
A agressão ocorreu após alunos discordarem da marcação de uma falta pelo professor, que atuava como árbitro, num jogo de futebol, e partirem, em grupo, para agredi-lo, encurralando-o num canto do pátio. Um outro funcionário da escola tentou intervir, para cessar as agressões, mas não teve sucesso. Outros alunos filmaram as cenas, e o caso ganhou as redes sociais, obrigando a escola a alertar que, por se tratar de menores de idade, quem as compartilhasse mostrando os rostos dos jovens, estaria cometendo um crime.
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O professor agredido deu queixa na 32ª Delegacia, que investiga o caso. Os adolescentes ainda não foram ouvidos, mas, segundo a delegada Isabela Penna, as intimações já foram expedidas e a polícia aguarda o comparecimento deles para depor.
— A investigação está em andamento, em apuração. Já disparamos as intimações e estamos aguardando comparecimento e oitivas — afirmou a delegada.
O caso comoveu a comunidade escolar, e dezenas de ex-alunos e responsáveis foram às redes prestar solidariedade ao professor. A Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio (SMAS) informou que o Conselho Tutelar da área atua no caso, que está sob sigilo, por se tratar de adolescentes.
O que pode acontecer com os adolescentes?
Em casos de adolescentes suspeitos de cometer ato infracional, o correspondente a crime no caso de menores de idade, a apuração pode resultar em medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que vão de advertência, obrigação de reparar o dano e prestação de serviços à comunidade a liberdade assistida, semiliberdade e internação em estabelecimento educacional.
A medida depende da apuração do caso e deve considerar as circunstâncias e a gravidade da infração. A internação é uma medida privativa de liberdade e só pode ser aplicada nas hipóteses previstas no ECA, entre elas atos cometidos com grave ameaça ou violência à pessoa.
Veja a íntegra do comunicado da escola:
“Nos últimos dias, o Ícone Colégio e Curso vem conduzindo, com seriedade e responsabilidade, a apuração do episódio ocorrido durante as atividades do interclasse da unidade Taquara 2.
O Conselho Geral da instituição reuniu-se para analisar os fatos a partir das imagens disponíveis, relatos e oitivas dos alunos e profissionais envolvidos. Desde o primeiro momento, foram adotadas medidas para preservar a comunidade escolar, incluindo a suspensão das atividades do interclasse, a suspensão dos alunos diretamente envolvidos e o apoio e suporte ao professor, como medidas de resguardo diante do contexto ocorrido.
Concluída esta etapa de apuração e realizada a análise individualizada das condutas, o Conselho Geral deliberou pela não permanência na instituição dos alunos diretamente envolvidos no episódio , decisão comunicada às famílias pelo Conselho na data de 18 de setembro de 2026.
A instituição realizou, ainda, as comunicações cabíveis e vem colaborando integralmente com o Conselho Tutelar e com os demais órgãos competentes que acompanham o caso.
O Colégio permanece prestando todo o suporte necessário ao professor de Educação Física, de modo a garantir sua integridade e sua saúde emocional, a fim de que, em tempo oportuno, tenha condições de retomar plenamente suas atividades profissionais em nossa instituição.
Em nossa rede social, a restrição dos comentários tem como finalidade evitar mais exposição indevida dos envolvidos, a circulação de acusações não verificadas e a escalada de manifestações hostis. A medida foi adotada em observância ao dever institucional de proteção a toda comunidade escolar.
Além das providências relacionadas diretamente ao episódio, a escola continuará desenvolvendo ações de conscientização junto à comunidade escolar, reforçando nossos valores, como respeito, responsabilidade, empatia, senso de coletividade, humanização, convivência e cuidado com o próximo.
Ao longo dos 12 anos de sua trajetória, o Ícone Colégio e Curso construiu com milhares de alunos e suas famílias uma relação pautada pelo diálogo, pela responsabilidade e pelo compromisso com a formação pedagógica, acadêmica e socioemocional. São esses mesmos valores que fundamentaram as decisões adotadas neste episódio e que continuarão norteando a atuação da instituição.
Agradecemos as inúmeras manifestações de confiança e solidariedade recebidas nos últimos dias de alunos, de ex-alunos, de responsáveis, de colaboradores, de diversas outras pessoas e instituições que, direta e indiretamente, chancelam a responsabilidade, a ética e os princípios que sempre nortearam nosso trabalho.
Ícone Colégio e Curso”
