Deslizamentos e quedas de blocos rochosos nem sempre acontecem sem qualquer sinal anterior.
Em alguns casos, mudanças no terreno, na vegetação, nas estruturas próximas ou na superfície das rochas podem indicar que uma área precisa ser avaliada.
Segundo o geólogo da Defesa Civil de Maricá, Bruno Melo, os sinais variam conforme o tipo de terreno.
As áreas com solo apresentam características diferentes dos maciços rochosos encontrados em pontos como São José do Imbassaí e Itaipuaçu.
O que observar nos maciços rochosos
Maricá possui grandes formações rochosas próximas a regiões ocupadas, como a Pedra do Macaco, em São José do Imbassaí, a Pedra de Itaocaia e formações na região do Recanto, em Itaipuaçu.
Nesses locais, os moradores devem observar a presença de blocos aparentemente soltos, fragmentos de rocha e fraturas visíveis.
“A população deve observar se há presença de blocos nesses maciços rochosos, presença de lascas e, se conseguir, observar se está fraturado”, explicou Bruno.
Uma fratura é uma abertura ou descontinuidade na rocha. Ela não significa, necessariamente, que o bloco cairá, mas pode justificar uma avaliação técnica, principalmente quando existem casas, ruas ou áreas de circulação abaixo.

O Cemaden classifica rolamentos como movimentos de blocos rochosos ao longo das encostas, que podem ocorrer, entre outras razões, quando a base que sustentava a rocha é removida ou enfraquecida.
O que observar nos terrenos de solo
Em áreas sujeitas a deslizamentos, é importante observar a forma do terreno e a localização das construções.
Entre os fatores destacados pelo geólogo estão:
- casas muito próximas da base da encosta;
- construções próximas ao topo;
- taludes muito altos;
- cortes praticamente verticais;
- ausência de drenagem;
- lançamento de água ou esgoto no terreno;
- retirada da vegetação.
“Quanto mais alto, pior. E também a inclinação. Se estiver em 90 graus, muito em pé, sobretudo o talude de corte, isso potencializa um possível movimento de massa”, alertou Bruno.
Também merecem atenção alterações recentes, como rachaduras no solo, deslocamento de pequenas porções de terra, inclinação anormal de árvores, postes ou cercas e surgimento de água em locais onde antes o terreno permanecia seco.
Esses sinais não confirmam sozinhos que um deslizamento acontecerá, mas justificam cautela e avaliação profissional.
Água aumenta o peso e reduz a estabilidade
O movimento de massa ocorre quando solo ou rocha se deslocam encosta abaixo sob a ação da gravidade, geralmente com influência da água.
Quando a chuva infiltra no terreno, os espaços existentes no solo ficam preenchidos por água. Em determinadas condições, isso aumenta o peso e reduz a resistência que mantém o material no lugar.
O risco pode ficar maior quando a água se acumula durante vários dias.
Vazamentos de caixas-d’água, canos, fossas e esgoto também podem contribuir para a saturação do solo, mesmo sem uma tempestade. O Cemaden identifica esses problemas como fatores frequentes em áreas urbanas sujeitas a deslizamentos.
Não tente verificar de perto durante a chuva
Caso o morador perceba movimentação do terreno, barulhos incomuns, queda de pequenos blocos ou rachaduras aumentando, não deve se aproximar da encosta para tentar verificar pessoalmente.
Em períodos de chuva intensa ou persistente, a recomendação é sair da área ameaçada e buscar um local seguro.
A Defesa Civil implantou sistemas de sirenes em áreas previamente mapeadas com riscos de alagamentos e deslizamentos. Quando acionados, os moradores devem seguir as orientações e se deslocar para os pontos de apoio indicados.
Prevenção depende da percepção do risco
Bruno ressalta que é melhor solicitar uma avaliação quando surgir uma dúvida do que esperar o problema evoluir.
“Os fenômenos geológicos podem acontecer agora, hoje, amanhã, mas podem demorar milhões de anos. A gente não sabe”, explicou.
Ao identificar algum sinal preocupante, o morador pode solicitar uma vistoria da Defesa Civil pelo telefone 199.
A análise deve ser realizada por profissionais capacitados. Somente uma avaliação técnica poderá determinar se existe risco, qual é a gravidade e quais medidas deverão ser adotadas.
