O caminho da seleção brasileira em uma eventual segunda fase da Copa do Mundo 2026 cruzará com um dos classificados do grupo F, e o empate de 2 a 2 entre Holanda e Japão serviu como bom termômetro para entender o atual momento dos adversários mais prováveis — a impressão deixada é que nenhum deles passa perto de ser simples. Em Dallas, os melhores times desta chave fizeram um confronto de muitos momentos de alternância e no qual um ponto para cada lado ficou de bom tamanho — Van Dijk e Summerville marcaram para um lado, enquanto Nakamura e Kamada fizeram para o outro.
O placar foi uma obra construída no segundo tempo, quando um jogo muito amarrado nos 45 minutos iniciais deu lugar a uma troca de boas finalizações. Não houve uma superioridade muito clara, fazendo jus ao equilíbrio projetado. Em certo momento, parecia que os europeus seriam premiados por ter mais iniciativa, só que os asiáticos buscaram um ponto à base da insistência no fim.
Apesar do segundo tempo marcado por quatro gols, porém, a configuração inicial do confronto foi travada por conta de duas propostas iniciais bem claras: o Japão resolveu apostar em um bloco de defesa bem fechado e em marcações duplas contra os jogadores adversários, enquanto tentava encontrar saídas em contra-ataques. Porém, as transições não pareceram tão bem trabalhadas no primeiro momento. Apenas Nakamura e Ueda criaram finalizações, mas sem assustar.
Já a Holanda ficava com a posse de bola e precisava ter paciência para rodar as jogadas e abrir brechas, algo que o meio-campo não conseguia com tanta fluidez. Muitas vezes, era necessário apelar para a bola esticada diretamente da defesa. Foi o atacante Malen que acabou se destacando por ter pelo menos três chances, apesar de não ter convertido nenhuma. Logo nos primeiros minutos, ele deu chute forte dentro da área, mas Suzuki defendeu à queima-roupa.
A volta dos intervalos sugeria um jogo com a mesma cara, e foi necessário um gol para o roteiro em Dallas sofrer uma reviravolta brusca. Acostumado a definir em bolas aéreas no Liverpool, o capitão holandês Van Dijk abriu o placar aos cinco minutos no AT&T Stadium, ao se desvencilhar da marcação após receber cruzamento de Gravenberch, e cabecear com tranquilidade no canto direito.
A Holanda sequer pôde pensar em recuar e administrar a vantagem, já que, logo depois, Nakamura reestabeleceu a igualdade no placar, ao arriscar um chute da entrada da área, e contar com leve desvio em Van Hecke antes de a bola entrar.
No entanto, em mais alguns minutos, os europeus voltaram à frente do placar em um chute forte de Summerville, que recebeu pelo lado direito da intermediária, cortou para o meio e marcou de fora da área.
A partir disso, a seleção laranja passou a se preservar mais em campo e chamou o adversário para o seu campo de defesa. Afinal, a vitória era mais interessante e praticamente encaminhava a liderança de um grupo que conta com duas seleções piores: Suécia e Tunísia. Por sinal, a Holanda teve chances para matar de vez a partida, mas Gakpo e Van Hecke pararam em Suzuki.
Convidado a atacar, o Japão subiu o volume de jogo e dominou a posse de bola, circulando a grande área holandesa. Até que, aos 43 minutos, encontrou novo gol pelo alto. Após escanteio cobrado pelo lado direito, Ogawa cabeceou, e Kamada fez um desvio fatal para o goleiro Verbruggen no meio do caminho.
A partida em Dallas ainda foi marcada pela entrada de Memphis Depay, aos 24 minutos do segundo tempo. O holandês do Corinthians se tornou o primeiro jogador de um clube brasileiro a defender uma seleção europeia na Copa do Mundo. Porém, o maior artilheiro da História da sua seleção, com 55 gols, teve atuação apagada. Além de testemunhar o empate japonês dentro do gramado, não conseguiu finalizar e ainda levou um cartão amarelo após duro choque com Taniguchi.
Ambos os times largam com um ponto no grupo F, e aguardam o resultado do encontro entre Suécia e Tunísia, às 23h, para saber sua colocação ao final da primeira rodada. No próximo sábado (20), às 14h, a Holanda volta a campo contra os suecos, em Houston. Já o Japão encara os tunisianos, à 1h do sábado para o domingo (21), em Monterrey.

