Despedida de Messi, susto com lesões e amistosos ‘festivos’: como chega a Argentina para Copa do Mundo

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A Argentina inicia nesta terça-feira sua trajetória para defender o posto de atual campeã da Copa do Mundo. No “último tango” de Lionel Messi, a seleção chega aos Estados Unidos em meio a susto com muitos titulares lesionados e uma preparação um tanto festiva nos últimos anos. O primeiro desafio da “Scaloneta”, como o time é chamado pelos argentinos — por conta do técnico Scaloni —, será contra a Argélia, às 22h (de Brasília), no Estádio Arrowhead, no Kansas, pelo Grupo J da competição.

A seleção de Messi se encheu de confiança desde o título da Copa América de 2021, conquistada em cima do Brasil, no Maracanã. De lá para cá, levantou a taça da Finalíssima e da Copa do Mundo, ambas em 2022, e da Copa América de 2024. Neste ciclo, do fim do Mundial no Catar até aqui, a Argentina teve apenas quatro derrotas em 39 partidas, e momentos marcantes como a goleada por 4 a 1 sobre a seleção brasileira, nas Eliminatórias, sem o Messi, e a despedida do camisa 10 em jogos oficiais no país.

— Aqui, na Argentina, se entende que a seleção chega como uma das favoritas para a Copa. Eu coloco a Argentina entre as favoritas, ao lado de Espanha e França. É um time muito bom, muito bem treinado. E o que eu acho importante também é que aprendeu nessas Eliminatórias a jogar sem o Messi. A parte defensiva pode ser uma preocupação por nomes, não pelo sistema defensivo, que funciona — destacou Raphael Sibilla, correspondente do Grupo Globo na Argentina.

O time titular manteve a base do que venceu a Copa em 2022, apenas com a saída de Di María, que se aposentou da seleção — Thiago Almada, campeão pelo Botafogo em 2024, apareceu como a grande novidade. No total, são 17 remanescentes do elenco da última Copa. A linha defensiva, por exemplo, é a mesma do Mundial no Catar: Emiliano Martínez (33 anos); Molina (28), Otamendi (38), Cristian Romero (28) e Tagliafico (33).

— O time titular tem muito do time de 2022, mas a Argentina trouxe alguns jogadores jovens, como o Nico Paz, que eu acho que é o que mais vistoso. Já o Almada é uma surpresa nessa equipe. Com a saída do Di María, se esperava que o Garnacho ocupasse essa vaga, mas surgiu o Almada. O que preocupa mais é a falta de renovação no setor defensivo. A Argentina apresentou bons jogadores nesse ciclo. Do meio pra frente, mas não trouxe tanto a renovação pra defesa.

Número da Argentina desde o fim da Copa do Mundo de 2022 — Foto: Editoria de Arte

O que mais chamou a atenção, porém, foi a preparação que a seleção fez nos amistosos nesses últimos anos. A única europeia que teve pelo caminho, por exemplo, foi a Islândia, na semana passada, que está na 74ª posição do ranking da Fifa e sequer se classificou para a Copa. O adversário mais forte que a Argentina enfrentou nos amistosos foi o Equador, em 2024. De resto, jogou contra seleções como Guatemala, 97ª na lista da Fifa, Porto Rico (154ª), Mauritânia (113ª) e Zâmbia (90º). Os argentinos, por sua vez, lideram o ranking.

Assim, sem grandes enfrentamentos, os amistosos ganharam um tom mais festivo do que competitivo para a Argentina. Os jogadores e a torcida celebraram — e muito — o título da Copa do Mundo, e tiveram uma sinergia especial nesses anos. A explicação para o baixo nível técnicos dos adversários, segundo Sibilla, passa pela gestão da Associação do Futebol Argentino (AFA).

— Foi mais uma questão até comercial do que festiva. O Scaloni, em algum momento, chegou a reclamar do baixo nível técnico dos adversários, que ele queria que a Argentina enfrentasse adversários melhores. Mas o contrato que o Claudio Tapia (presidente da AFA) fez com uma empresa dos Estados Unidos levou a Argentina a ter amistosos muito fracos, horríveis em termos de desafio técnico. Então, acho que é mais uma questão de organização do que de festa. A AFA vendeu a seleção para quem pagasse mais.

Apesar da confiança com que a Argentina chegou para essa Copa, as lesões de muitos titulares ligaram um alerta na comissão técnica de Lionel Scaloni. Embora a maioria tenha se recuperado, alguns vão voltar a atuar justamente contra a Argélia, ainda sem o ritmo de jogo ideal para disputar um Mundial. Casos, por exemplo, do goleiro Emiliano Martínez, herói no título de 2022, e o atacante Julián Alvarez, um dos artilheiros da equipe no ciclo.

Argentina chegou para a Copa do Mundo com muitos jogadores lesionados — Foto: Editoria de Arte
Argentina chegou para a Copa do Mundo com muitos jogadores lesionados — Foto: Editoria de Arte

Dos lesionados, apenas o zagueiro Balerdi foi cortado — em seu lugar, Scaloni convocou Marcos Senesi. Já o lateral-esquerdo Tagliafico deve ser desfalque na estreia, mas segue no elenco.

Em 2022, Messi foi o grande nome do título da Argentina e eleito o melhor jogador da competição, com seis gols e três assistências. Agora, em sua sexta e última Copa do Mundo, o camisa 10 segue sendo, sem dúvidas, o craque da seleção argentina. Aos 38 anos — vai completar 39 no próximo dia 24 —, ele 10 chega ao Mundial se recuperando de uma fadiga muscular e atuando pelo Inter Miami, na MLS, dos Estados Unidos — uma liga de nível técnico inferior se comparar aos grandes palcos do futebol europeu.

— O Messi ainda é desequilibrante, e ele foi nas Eliminatórias. A questão dele é mais física mesmo, se o corpo dele vai aguentar os 90 minutos num jogo de alta intensidade. Mas eu acredito que ele vai ser um fator desequilibrante a favor da Argentina. Eu não tenho dúvida disso — acrescentou Sibilla.

Já veterano, o craque, que completa 200 jogos pela Argentina nesta terça-feira, não tem a mesma velocidade de seu auge no Barcelona, mas segue sendo decisivo, especialmente jogando na seleção ao lado de De Paul, Julián Alvarez, Almada, Mac Allister & Cia. O time de Scaloni é moldado para tirar o máximo do potencial de seu craque e formado por dez “soldados” do Messi.

– Eu quero dar a vida, quero morrer pelo Messi. Eu disse que preferia que ele vencesse a Copa América antes que eu. É a verdade. Como todo argentino. Os brasileiros, para mim, queriam que a Argentina ganhasse a Copa por Messi. E um argentino não vá querer ganhar por Messi? Aconteceu e espero que possamos dar o Mundial a ele — disse o goleiro Dibu Martínez após a conquista da Copa América de 2021, que encerrou um jejum de 28 anos sem título da Argentina. Depois, em 2022, ele realmente conseguiu dar o Mundial a Messi.

Depois do jogo contra a Argélia, a Argentina ainda vai enfrentar na fase de grupos a Áustria, no dia 22, e a Jordânia, no dia 27.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/esporte/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/despedida-de-messi-susto-com-lesoes-e-amistosos-festivos-como-chega-a-argentina-para-copa-do-mundo.ghtml

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